Nos próximos pregões, as ações da Oi (OIBR3) seguem sob forte observação do mercado. A operadora volta ao centro das atenções por três fatos que podem influenciar diretamente sua cotação: a saída da gestora PIMCO, o aumento expressivo dos aluguéis de ações e a escalada de conflitos judiciais envolvendo ex-gestores e diretores da subsidiária Serede. Além disso, sindicatos pedem intervenção do governo e pressão se intensifica sobre o futuro do grupo.
Venda da PIMCO pode derrubar ainda mais as ações da Oi
A norte-americana PIMCO, maior credora e ex-controladora da empresa, intensificou as vendas de ações a mercado. Dos 36% que detinha, restam agora 19,7%, correspondentes a 64.811.440 ações. Caso o movimento de venda continue no ritmo atual, a gestora deve sair do capital da companhia nos próximos dias.
Desde o início dessas vendas, a OIBR3 despencou de R$ 0,18–0,20 para R$ 0,08, o menor patamar da sua história recente. Analistas indicam que, se a liquidação final ocorrer de forma agressiva, o papel pode tocar R$ 0,06, R$ 0,05 ou até R$ 0,04 no curto prazo.
Aluguéis em alta reforçam operações vendidas
O volume de ações alugadas saltou para 13,8 milhões, incentivando vendas a descoberto. Na prática, quem está vendido lucrará se o papel continuar caindo — o que reforça pressão baixista. Investidores pessoa física, porém, começaram a absorver parte dessa oferta, aproveitando preços considerados “ridiculamente baratos”, segundo análises do próprio mercado.
Quase R$ 1 bilhão bloqueado: diretores acionam a Justiça
A Serede, subsidiária da Oi responsável por manutenção de rede, vive outro capítulo polêmico. Seis diretores entraram com mandado de segurança contra a decisão que determinou o bloqueio total de seus bens e salários. A Justiça exigiu bloqueio de R$ 920 milhões, inclusive de recursos estrangeiros ligados à PIMCO, Solus e Ashmore.
Os diretores alegam que são empregados celetistas, não administradores estatutários, e que a medida viola a Constituição ao comprometer salário e subsistência. O caso envolve denúncias de má gestão, que contribuíram para a intervenção judicial em curso.
Sindicatos pedem intervenção governamental para “defender soberania”
Trabalhadores alertam que a Oi é essencial para serviços públicos, especialmente:
escolas;
hospitais;
lotéricas que operam Bolsa Família e transações bancárias;
órgãos de segurança;
cidades remotas sem concorrência das grandes operadoras.
Segundo representantes, o fim da Oi deixaria regiões inteiras sem telecomunicações, o que configuraria risco à soberania nacional. A pauta já chegou ao Ministério das Comunicações e ao Congresso, que deve realizar audiências públicas.
Venda da Oi Soluções? Mercado levanta rumores, especialistas rejeitam
Nos bastidores, surgiram relatos sobre uma possível venda da Oi Soluções, principal braço de tecnologia do grupo. No entanto:
o ativo é considerado o futuro da empresa;
representa o centro da geração de receita;
sua venda significaria “o fim definitivo da Oi como operadora”.
Portanto, embora prevista como possibilidade no plano de recuperação judicial, a alienação da Oi Soluções só faria sentido em caso de liquidação total — cenário atualmente pouco provável.
E o futuro da Oi? Arbitragem pode ser o divisor de águas
O mercado agora aguarda um passo crítico: a conclusão da arbitragem envolvendo a Vital e outros ativos. Esse evento pode destravar bilhões em créditos e permitir:
pagamento de passivos trabalhistas e tributários;
quitação de prejuízos dos pequenos credores;
sobrevida operacional com a Oi Soluções.
Com uma intervenção judicial já em curso, o Estado pode atuar com apoio do BNDES e bancos públicos, não para assumir a empresa, mas para viabilizar sua continuidade estratégica.
Queda pode continuar, mas o jogo está longe de acabar
Ações da Oi ainda podem cair com a saída da PIMCO. Porém, o destino da empresa — e do papel — dependerá de três pontos centrais:
🔸 final da venda da PIMCO
🔸 definição da arbitragem
🔸 decisões judiciais e políticas sobre sua continuidade
Ou seja, apesar do pessimismo momentâneo, o cenário continua em disputa, e qualquer decisão judicial ou do governo pode virar o jogo de forma brusca.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






