O Ibovespa encerrou esta segunda-feira (28) em queda de 0,26%, aos 182.991,13 pontos, em uma sessão marcada pela alta do petróleo, valorização do dólar e preocupação com a inflação. O principal índice da Bolsa brasileira também refletiu a cautela diante da proximidade do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro.
O dólar comercial avançou 0,85%, terminando próximo de R$ 5,22. No exterior, os mercados americanos também recuaram, enquanto o impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã voltou a pressionar os preços da energia.
Petróleo sobe e ações da Petrobras limitam queda do Ibovespa
A valorização do petróleo ganhou força após Donald Trump rejeitar uma proposta iraniana relacionada à reabertura do Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o transporte internacional de energia.
A incerteza sobre o fornecimento global elevou o preço do barril e ampliou as preocupações com os custos de combustíveis, transporte e produção.
Na Bolsa brasileira, empresas ligadas ao petróleo se beneficiaram do movimento. As ações da Petrobras avançaram durante a sessão e ajudaram a reduzir a pressão negativa sobre o Ibovespa.
Outras petroleiras também registraram ganhos expressivos, com PRIO3 subindo 3,84% e BRAV3 avançando 3,16%.
O petróleo mais caro pode favorecer as receitas das produtoras, mas também aumenta os riscos inflacionários e influencia as expectativas para os juros internacionais.
Inflação preocupa após novas projeções do mercado
O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira trouxe uma revisão para cima nas expectativas de inflação.
A projeção para o IPCA ao final de 2026 passou de 4,92% para 4,99%, enquanto a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) recuou de 1,88% para 1,86%.
A estimativa para a Selic no encerramento do ano permaneceu em 13,50% ao ano.
O aumento das expectativas inflacionárias dificulta uma redução mais acelerada dos juros, especialmente em um ambiente de petróleo valorizado e pressão sobre o câmbio.
Bancos e Vale pressionam o índice
Enquanto as petroleiras avançaram, ações de bancos e da Vale enfrentaram pressão durante o pregão.
Esses papéis possuem participação relevante na composição do Ibovespa e podem influenciar diretamente o comportamento do indicador.
No setor financeiro, as preocupações envolvem o custo do crédito, a inadimplência e as perspectivas para a atividade econômica.
Já a Vale acompanha as oscilações do minério de ferro e as expectativas de demanda da indústria chinesa.
A combinação desses fatores contribuiu para a volatilidade do índice, que oscilou entre 181.931,36 e 184.094,65 pontos ao longo do dia.
Dólar sobe enquanto bolsas americanas recuam
A valorização da moeda americana acompanhou o aumento da cautela nos mercados internacionais.
Os preços elevados do petróleo reforçaram as preocupações de que a inflação possa permanecer pressionada, influenciando as perspectivas para a política monetária dos Estados Unidos.
Em Nova York, o Dow Jones caiu 0,68%, o S&P 500 perdeu 0,77% e o Nasdaq recuou 0,98%.
No Brasil, o dólar comercial encerrou o dia com valorização de 0,85%, próximo de R$ 5,22.
O que acompanhar na Bolsa nos próximos dias?
A última semana antes do primeiro turno reúne fatores capazes de provocar novas oscilações no mercado financeiro.
Entre eles estão o comportamento do petróleo, as expectativas de juros nos Estados Unidos, os indicadores de inflação e a divulgação de pesquisas eleitorais.
O desempenho da Petrobras, da Vale e dos grandes bancos também seguirá relevante para o Ibovespa, considerando o peso dessas companhias no índice.
Com o petróleo ainda sujeito às negociações no Oriente Médio e as projeções de inflação em alta, os mercados entram nos próximos pregões atentos à evolução dos riscos externos e domésticos.
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