Dois ETFs permitem receber rendimentos mensais na B3
Os ETFs que pagam dividendos mensais ampliaram as alternativas de renda recorrente na Bolsa brasileira. Entre os produtos disponíveis estão o NDIV11 e o QQQI11, que realizam distribuições periódicas, mas utilizam estratégias diferentes para gerar esses pagamentos.
O NDIV11 concentra sua carteira em empresas brasileiras com histórico de distribuição de proventos. Já o QQQI11 oferece exposição ao mercado americano e utiliza uma estrutura vinculada a operações com opções para buscar renda adicional.
Essa diferença influencia não apenas a origem dos pagamentos, mas também os riscos, os custos e o comportamento das cotas.
NDIV11 reúne empresas brasileiras pagadoras de dividendos
O NDIV11, administrado sob gestão da Nu Asset, acompanha o índice Ibovespa Smart Dividendos, composto por empresas selecionadas a partir de critérios que incluem o histórico de distribuição de proventos.
Sua carteira permite exposição a diferentes setores da economia, incluindo bancos, energia elétrica, seguros e empresas ligadas a matérias-primas.
Entre as características do fundo está o calendário de pagamentos: o anúncio dos rendimentos ocorre no quinto dia útil de cada mês, enquanto o crédito aos cotistas está previsto para o décimo dia útil.
Os valores distribuídos não são fixos. Eles variam conforme os recursos disponíveis, os proventos recebidos das empresas e as regras de distribuição do ETF.
A taxa de administração do NDIV11 é de 0,50% ao ano.
QQQI11 combina mercado americano e estratégia com opções
O QQQI11, gerido pela Buena Vista, segue uma estrutura ligada ao Nasdaq-100 e ao ETF americano NEOS Nasdaq-100 High Income.
Diferentemente de um fundo que depende principalmente dos dividendos tradicionais das empresas, sua estratégia de renda envolve operações com opções de compra, conhecidas como call options.
Essas operações podem gerar receitas adicionais para a carteira, utilizadas na composição das distribuições mensais. Entretanto, a estratégia também pode limitar parte dos ganhos em momentos de forte valorização das ações americanas.
O fundo ainda está sujeito às oscilações do mercado internacional, aos efeitos cambiais e aos custos de sua estrutura.
NDIV11 e QQQI11: veja as diferenças
| Característica | NDIV11 | QQQI11 |
|---|---|---|
| Mercado de referência | Brasil | Estados Unidos |
| Estratégia | Ações pagadoras de dividendos | Nasdaq-100 e opções |
| Distribuição | Mensal | Mensal |
| Gestora | Nu Asset | Buena Vista |
| Taxa anual informada | 0,50% | De 0,83% a 1,51% |
| Principal exposição | Ações brasileiras | Ações americanas e estratégia de opções |
| Risco relevante | Oscilação da Bolsa brasileira | Mercado americano, câmbio e opções |
Dividendos de ETFs têm cobrança de Imposto de Renda
Um ponto importante é a diferença tributária em relação aos dividendos tradicionais de ações brasileiras.
Nos ETFs de renda variável que distribuem rendimentos, os pagamentos estão sujeitos à retenção de 15% de Imposto de Renda na fonte.
A venda das cotas com lucro também pode gerar tributação. Em operações comuns, a alíquota é de 15% sobre o ganho líquido, enquanto operações de day trade estão sujeitas à alíquota de 20%, conforme as regras aplicáveis.
A responsabilidade pela apuração e pelo recolhimento do imposto sobre ganhos nas negociações em Bolsa é do próprio contribuinte.
Pagamento mensal não significa rentabilidade garantida
Embora NDIV11 e QQQI11 tenham distribuições recorrentes, o rendimento recebido não representa necessariamente ganho patrimonial.
Quando ocorre uma distribuição, o valor correspondente deixa o patrimônio do fundo, com reflexos no preço da cota. Por isso, a análise do desempenho precisa considerar tanto os valores recebidos quanto a valorização ou desvalorização das cotas.
No NDIV11, os pagamentos dependem principalmente da dinâmica dos proventos da carteira. No QQQI11, também entram os resultados e as limitações da estratégia com opções.
Os dois fundos oferecem formas distintas de acessar renda mensal pela B3, sem eliminar os riscos de perda de capital.
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