O maior investidor individual da história da Bolsa brasileira, Luiz Barsi, está comprando ações da CSN Mineração (CMIN3). O movimento atraiu a atenção do mercado e levantou uma série de dúvidas: a ação está barata? A empresa está mais bem posicionada que a Vale? A queda de 32% neste ano representa oportunidade ou risco?
Para entender essa decisão, é preciso analisar fundamentos, setor do minério de ferro, risco China, resultados e comparação direta com a Vale (VALE3).
CMIN3 caiu mais que Vale, mas entrega lucro recorde
A CSN Mineração acumulou uma queda superior a 32% desde o início do ano, mais do que a própria Vale, que também sofreu com a desvalorização do minério de ferro. Porém, mesmo com a pressão global, a empresa registrou resultados expressivos.
Principais resultados recentes da CSN Mineração:
Lucro líquido cresceu 170%, atingindo níveis bilionários.
Margem EBITDA chegou a 47%, entre as maiores do setor.
Produção aumentou 13% no trimestre, apesar de queda anual de 6%.
Vendas subiram 18% no trimestre, com leve recuo anual de 4%.
Mesmo com a queda do minério de ferro, a companhia conseguiu defender seus resultados com eficiência operacional, redução de custos na logística, ganho cambial com alta do dólar e melhoria no mix de produtos exportados.
China: o principal ponto de atenção para o setor
Apesar do avanço nos resultados, o futuro do setor depende diretamente do desempenho da economia chinesa. A CSN Mineração aponta três fatores de alerta global:
altos níveis de estoque de minério no país
aumento da oferta internacional
fragilidade contínua do mercado imobiliário chinês
Essas condições tornam o minério extremamente volátil. No último trimestre, o preço variou entre US$ 93 e US$ 98 por tonelada seca, com média de US$ 111, cerca de 10% abaixo do trimestre anterior.
Comparação direta: Vale x CSN Mineração
A Vale também reportou forte crescimento no lucro, mas por motivos diferentes. O lucro da Vale foi impulsionado por eventos não recorrentes, entre eles:
Venda de participação da Indonésia (PTVI), com impacto de US$ 155 milhões.
Venda de 10% da Vale Base Metals para a Manara Minerals, com efeito aproximado de R$ 13 bilhões.
Ou seja, parte relevante do lucro da Vale não veio do negócio principal de exploração e venda de minério.
Enquanto isso, o lucro da CSN Mineração decorreu principalmente de operações reais e recorrentes, com redução de custos e ganho cambial.
Resumo comparativo:
| Indicador | Vale | CSN Mineração |
|---|---|---|
| Dependência do minério | Muito alta | Muito alta |
| Origem do lucro recente | Eventos não recorrentes | Operacional |
| Dívida líquida | Baixa | Dívida líquida negativa |
| Margens | Fortes | Mais elevadas |
| Valuation atual | Barata | Barata |
A conclusão é que ambas estão baratas, mas a CSN Mineração apresenta, no momento, maior eficiência operacional diante da pressão do minério.
Por que Luiz Barsi prefere CMIN3?
Barsi mencionou que, com o mesmo valor de uma ação da Vale, é possível comprar várias ações de CMIN3. Embora o preço da ação não determine sozinho se uma empresa está barata ou não, sua justificativa real parece estar mais alinhada ao cenário atual.
O investidor enxerga valor na CSN Mineração por três motivos principais:
lucro recorrente e com margens elevadas
eficiência operacional comprovada
múltiplos fundamentalistas descontados
Em resumo, Barsi não está comprando apenas preço baixo, mas resultado consistente.
Qual é a melhor para o investidor?
A decisão depende da estratégia individual de cada investidor.
Para quem busca previsibilidade e foco em resultados do negócio principal, a CSN Mineração é destaque.
Para quem prefere exposição a uma empresa maior e com potencial de diversificação em metais nobres, a Vale oferece um horizonte diferente.
Para quem busca uma carteira equilibrada, é possível ter ambas, em pesos distintos, desde que respeitando critérios de avaliação e risco.
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