As ações da Raízen (RAIZ4) negociam na região de R$ 0,28 na B3 nesta segunda-feira, 28 de setembro de 2026, em meio à reorganização financeira da companhia. A conclusão de vendas de ativos na Argentina e no Brasil, somadas à melhora dos resultados operacionais, traz novos elementos para a análise dos papéis. Entretanto, o endividamento elevado, o prejuízo líquido e a possibilidade de diluição acionária continuam sendo fatores determinantes para o comportamento das ações.
O momento é marcado por uma diferença entre a recuperação das operações e a situação financeira da empresa. Embora a Raízen tenha conseguido ampliar seu EBITDA, o custo das dívidas permanece elevado e compromete o resultado final.
Ações RAIZ4 acumulam oscilações após vendas de ativos
O preço das ações da Raízen apresentou movimentos expressivos durante setembro, acompanhando os desdobramentos de seu processo de recuperação extrajudicial.
Em 1º de setembro, os papéis registraram valorização de aproximadamente 13%, encerrando a sessão em R$ 0,26, após a divulgação de avanços na reorganização de ativos.
Nos pregões seguintes, entretanto, as ações voltaram a oscilar. O comportamento evidencia a sensibilidade da cotação às expectativas relacionadas à dívida, ao capital social e à continuidade das operações.
A negociação abaixo de R$ 1 coloca RAIZ4 entre os chamados penny stocks, ações com preços unitários reduzidos e que podem apresentar grandes variações percentuais mesmo diante de pequenas mudanças em centavos.
Uma oscilação de R$ 0,02 sobre uma cotação de R$ 0,28, por exemplo, representa uma variação de aproximadamente 7,14%.
Cotação recente das ações da Raízen
| Data | Cotação de RAIZ4 |
|---|---|
| 28 de agosto | R$ 0,23 |
| 1º de setembro | R$ 0,26 |
| 10 de setembro | R$ 0,28 |
| 18 de setembro | R$ 0,26 |
| 25 de setembro | R$ 0,28 |
| 28 de setembro | R$ 0,28 |
Os preços mostram que a recuperação registrada ao longo do mês ainda ocorre em um ambiente de volatilidade.
Venda de US$ 1,42 bilhão pode aliviar pressão sobre a Raízen
Um dos acontecimentos mais relevantes para a análise das ações RAIZ4 foi a conclusão da venda das operações argentinas, anunciada em 1º de setembro.
A transação com empresas controladas pelo grupo Mercuria Energy alcançou valor econômico de US$ 1,42 bilhão.
O montante inclui uma parcela em dinheiro e a transferência de obrigações financeiras para os compradores. Portanto, não representa integralmente entrada de recursos no caixa.
A companhia também concluiu a venda da Usina Caarapó, em Mato Grosso do Sul, por aproximadamente R$ 760 milhões.
As operações permitem reorganizar o portfólio industrial, concentrar atividades e direcionar recursos à estrutura financeira.
Para as ações RAIZ4, o efeito dessas transações dependerá principalmente de quanto o endividamento efetivamente diminuirá e de como a saída dos ativos afetará a geração futura de resultados.
A redução das dívidas pode aliviar despesas financeiras. Em contrapartida, a alienação de unidades produtivas também altera a capacidade de geração de receitas.
Raízen aumenta EBITDA, mas dívida continua elevada
O balanço referente ao primeiro trimestre do ano-safra 2026/2027, encerrado em junho, apresentou crescimento da receita e do resultado operacional.
A receita líquida alcançou R$ 51,46 bilhões, avanço de aproximadamente 4% na comparação anual.
O EBITDA ajustado chegou a R$ 3,85 bilhões, crescimento de cerca de 126%.
Mesmo com a melhora, a Raízen registrou prejuízo líquido de R$ 1,64 bilhão, enquanto a dívida líquida encerrou o período em R$ 56,87 bilhões.
Indicadores financeiros relevantes para RAIZ4
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Receita líquida trimestral | R$ 51,46 bilhões |
| EBITDA ajustado | R$ 3,85 bilhões |
| Crescimento do EBITDA | 126% |
| Prejuízo líquido | R$ 1,64 bilhão |
| Resultado financeiro | -R$ 2,97 bilhões |
| Dívida líquida | R$ 56,87 bilhões |
| Dívida líquida/EBITDA | 4,8 vezes |
| Investimentos trimestrais | R$ 1,05 bilhão |
O crescimento operacional foi impulsionado principalmente pela distribuição de combustíveis no Brasil, cujo EBITDA ajustado atingiu aproximadamente R$ 3,54 bilhões.
Apesar disso, o resultado financeiro negativo de R$ 2,97 bilhões mostra como o endividamento continua consumindo parte expressiva dos resultados.
A relação entre dívida líquida e EBITDA encerrou o período em 4,8 vezes, abaixo das 5,2 vezes observadas no trimestre anterior.
Essa redução representa uma melhora no indicador de alavancagem, mas o patamar permanece elevado.
Conversão de dívidas em ações pode mudar o capital da Raízen
O processo de recuperação extrajudicial introduz outra variável relevante para o desempenho futuro das ações RAIZ4: a possibilidade de diluição.
O plano de reestruturação envolve aproximadamente R$ 65 bilhões em obrigações financeiras e prevê mecanismos para converter parte das dívidas em instrumentos de capital, além do refinanciamento dos valores restantes.
A estrutura divulgada contempla a conversão de 45% das dívidas abrangidas pelo plano e o refinanciamento de 55%, conforme as condições estabelecidas.
A entrada de credores no capital da companhia pode aumentar significativamente a quantidade de ações em circulação.
Consequentemente, acionistas que já possuem RAIZ4 podem ter sua participação proporcional reduzida.
Por outro lado, a diminuição do endividamento pode contribuir para aliviar despesas financeiras e melhorar as condições de geração de caixa.
O impacto sobre o preço de cada ação dependerá dos termos efetivamente implementados, do número de novos papéis emitidos e do desempenho financeiro da companhia após a reorganização.
Dividendos da Raízen podem voltar?
A distribuição de dividendos continua sendo um ponto de atenção para quem acompanha as ações da Raízen.
A companhia não registrou pagamentos nos últimos 12 meses, e o dividend yield referente a esse intervalo permanece em 0%.
O histórico anterior inclui distribuições realizadas em 2022, 2023 e 2024. Entretanto, esses valores não constituem referência suficiente para projetar novos pagamentos.
Com prejuízos acumulados e uma estrutura financeira em reorganização, a companhia concentra esforços na gestão de suas obrigações e na preservação de recursos.
A retomada de dividendos dependerá de resultados futuros, condições financeiras, restrições aplicáveis e decisões societárias.
Portanto, não existe valor ou calendário de novos pagamentos que possa ser considerado garantido para RAIZ4.
O que acompanhar nas ações RAIZ4 nos próximos meses?
A evolução dos papéis dependerá de fatores que vão além da cotação reduzida.
A efetiva diminuição do endividamento será um dos indicadores relevantes. Também será necessário observar o impacto das vendas de ativos sobre a receita, a geração de caixa e o lucro operacional.
Outro ponto será a evolução das margens na distribuição de combustíveis, segmento responsável por parte significativa da melhora registrada no último trimestre.
No setor de açúcar e etanol, preços internacionais, produtividade e condições comerciais continuarão influenciando os resultados.
Já no mercado acionário, a quantidade de novas ações emitidas durante a reestruturação poderá modificar os indicadores por ação e a participação dos atuais acionistas.
A cotação de R$ 0,28, isoladamente, não permite determinar se RAIZ4 está descontada. Essa avaliação exige considerar o valor econômico da companhia, suas obrigações financeiras e a nova estrutura de capital.
Os próximos balanços deverão mostrar se a expansão do EBITDA, a redução de investimentos e os desinvestimentos serão suficientes para melhorar a geração de caixa e diminuir a pressão financeira sobre a Raízen.
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