As ações do Magazine Luiza (MGLU3) voltaram ao radar dos investidores depois de uma forte reação na Bolsa. O papel avançou 16,88% em 2 de setembro, para R$ 5,40, após o anúncio de uma parceria com o Mercado Livre, e ganhou outros 2,96% no pregão seguinte, encerrando 3 de setembro a R$ 5,56.
O movimento ocorre poucas semanas depois de o balanço do segundo trimestre mostrar que a varejista continua enfrentando dificuldades para transformar sua escala operacional em lucro. O contraste entre recuperação das ações e números ainda pressionados ajuda a explicar por que MGLU3 permanece entre os papéis mais voláteis do varejo brasileiro.
Parceria com Mercado Livre muda perspectiva para as vendas digitais
O principal combustível para a recente valorização foi o acordo que permitirá ao Magazine Luiza vender aproximadamente 27 mil produtos de estoque próprio no marketplace do Mercado Livre.
Inicialmente, a operação inclui Magazine Luiza, KaBuM! e Época Cosméticos. A Netshoes poderá ser adicionada posteriormente. A logística ficará sob responsabilidade da Magalog.
A estratégia é particularmente importante porque ocorre justamente quando as vendas digitais do Magalu atravessam um período de retração.
No segundo trimestre, as vendas totais da companhia alcançaram R$ 14,5 bilhões, queda de 5,1% sobre um ano antes. Enquanto as lojas físicas cresceram 10,3%, o e-commerce apresentou redução próxima de 12%.
A parceria oferece, portanto, uma alternativa para alcançar novos consumidores sem exigir da companhia o mesmo investimento necessário para conquistar tráfego diretamente em suas plataformas.
Números do Magalu mostram onde está o problema
Apesar da reação das ações, os últimos resultados ainda justificam cautela.
| Indicador | 2T26 | Variação anual |
|---|---|---|
| Receita líquida | R$ 8,90 bilhões | -2,6% |
| Vendas totais | R$ 14,5 bilhões | -5,1% |
| EBITDA ajustado | R$ 708,8 milhões | -2,5% |
| Margem EBITDA ajustada | 8,0% | estável |
| Prejuízo ajustado | R$ 50,4 milhões | ante lucro de R$ 1,8 mi |
| Prejuízo contábil | R$ 72,5 milhões | ante prejuízo de R$ 24,4 mi |
A receita líquida recuou 2,6%, para R$ 8,9 bilhões. Mesmo assim, o EBITDA ajustado permaneceu próximo de R$ 709 milhões e a margem ficou em 8%.
O grande problema aparece mais abaixo na demonstração de resultados. O Magalu terminou o trimestre com prejuízo líquido contábil de R$ 72,5 milhões, quase três vezes a perda de R$ 24,4 milhões registrada um ano antes.
Juros continuam consumindo parte importante do resultado
O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 572,3 milhões no trimestre, uma piora de 15,5% em relação ao mesmo período de 2025. No fim de junho, a dívida líquida estava em aproximadamente R$ 3,18 bilhões.
Isso ajuda a explicar uma aparente contradição: o Magazine Luiza consegue manter geração operacional relevante, mas uma parcela importante desse resultado é consumida antes de chegar ao lucro líquido.
A própria análise que serviu de base para esta matéria chama atenção para esse ponto: o desempenho operacional melhorou em relação a momentos históricos da companhia, enquanto dívida e despesas financeiras passaram a limitar fortemente a rentabilidade.
O que observar em MGLU3 daqui para frente
A valorização recente mostra que o mercado está disposto a antecipar uma possível melhora operacional do Magalu. A parceria com o Mercado Livre pode acelerar vendas digitais e ampliar a exposição da companhia a novos consumidores.
Entretanto, o desempenho futuro de MGLU3 continuará dependendo de três fatores principais: recuperação das vendas online, evolução das margens e redução do peso das despesas financeiras.
Após a alta recente, portanto, o investidor não deve analisar apenas quanto a ação caiu no passado ou quanto pode subir. O ponto central será descobrir se o Magalu conseguirá transformar novamente sua escala de vendas em lucro recorrente.
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