As ações do Banco do Brasil voltaram a ganhar força na Bolsa, mas a recuperação de BBAS3 ainda não veio acompanhada de uma melhora uniforme dos fundamentos da instituição. O balanço mais recente mostrou crescimento do lucro e sinais de alívio no custo de crédito, porém a inadimplência avançou em segmentos importantes, principalmente entre pessoas físicas.
O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, avanço de 13,9% sobre o trimestre anterior e crescimento de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025.
Mesmo assim, a XP Investimentos manteve recomendação neutra para BBAS3 e definiu preço-alvo de R$ 21 para o fim de 2027. Na atualização da corretora em 3 de setembro, a ação aparecia próxima de R$ 22,28, acima desse valor de referência.
Lucro melhora, mas inadimplência continua avançando
O principal ponto de atenção está na qualidade da carteira de crédito.
A inadimplência acima de 90 dias do Banco do Brasil chegou a 5,61% no 2T26, contra 5,05% no primeiro trimestre e 3,96% um ano antes.
A deterioração foi ainda mais forte entre pessoas físicas. O indicador saltou de 6,82% para 8,41% em apenas três meses.
No agronegócio, segmento em que o Banco do Brasil possui forte exposição, a inadimplência permaneceu elevada em 6,27%, praticamente estável frente aos 6,22% registrados no primeiro trimestre.
Principais números do Banco do Brasil no 2T26
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Lucro líquido ajustado | R$ 3,9 bilhões |
| ROE | 8,3% |
| Margem financeira bruta | R$ 27,5 bilhões |
| Carteira de crédito expandida | mais de R$ 1,3 trilhão |
| Custo do crédito | R$ 18,5 bilhões |
| Inadimplência total | 5,61% |
| Inadimplência pessoa física | 8,41% |
| Inadimplência agro | 6,27% |
| Carteira agro | R$ 421,6 bilhões |
| Capital principal | 11,27% |
Agro pode ajudar na recuperação
Uma das principais apostas para a melhora dos resultados está na renegociação das dívidas do agronegócio.
O Banco do Brasil estimou que aproximadamente R$ 100 bilhões em operações de crédito rural poderiam se enquadrar nas medidas de renegociação anunciadas para produtores.
A carteira agro alcançou R$ 421,6 bilhões no fim de junho, crescimento de 4,1% em 12 meses.
Se as renegociações reduzirem a inadimplência e a necessidade de provisões, o custo do crédito poderá começar a cair de maneira mais consistente nos próximos trimestres.
Esse movimento seria especialmente importante porque o Banco do Brasil gastou R$ 18,5 bilhões com custo de crédito apenas no segundo trimestre.
Pessoa física vira novo ponto de atenção
O problema é que a melhora esperada no agro pode ser parcialmente compensada pela deterioração do crédito ao consumidor.
A carteira de pessoas físicas somava aproximadamente R$ 357,6 bilhões, crescimento de 4,4% em 12 meses.
Ao mesmo tempo, a inadimplência chegou a 8,41%, indicando aumento relevante do risco.
A XP destacou justamente esse fator em sua análise mais recente. A corretora aumentou suas estimativas de provisões para 2026 diante da piora observada entre pessoas físicas e de uma recuperação mais lenta do que o esperado no agronegócio.
BBAS3 ainda está barata?
A recente valorização também reduziu parte da margem de segurança observada anteriormente nas ações.
A XP calcula que Banco do Brasil negocia próximo de 5 vezes o lucro projetado para 2027, nível que já não representa um desconto tão expressivo em relação ao histórico do papel.
Isso ajuda a explicar a recomendação neutra.
Com a ação acima de R$ 22 na referência mais recente da corretora e preço-alvo de R$ 21, o mercado já parece incorporar parte de uma recuperação futura.
A transcrição utilizada como ponto de partida para a análise também alerta para o risco de interpretar a alta recente da ação como uma melhora automática dos fundamentos do banco.
O que acompanhar agora em BBAS3
Nos próximos balanços, três indicadores serão decisivos: inadimplência, custo do crédito e rentabilidade.
Uma queda consistente dos atrasos no agronegócio, acompanhada de estabilização da carteira de pessoas físicas, poderia reduzir provisões e elevar o lucro.
Por outro lado, se a inadimplência continuar avançando, a recuperação do Banco do Brasil poderá ser mais lenta do que a valorização recente das ações sugere.
Por isso, apesar do lucro maior e da recuperação de BBAS3 na Bolsa, os números ainda indicam um cenário de transição, e não uma normalização completa dos fundamentos.
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