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Início » Últimas Notícias » BBAS3 sobe, mas inadimplência ainda preocupa e XP mantém cautela com Banco do Brasil
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BBAS3 sobe, mas inadimplência ainda preocupa e XP mantém cautela com Banco do Brasil

Banco lucrou R$ 3,9 bilhões no 2T26, mas avanço da inadimplência entre pessoas físicas ainda limita uma recuperação mais forte de BBAS3
Eduardo MartinsPor Eduardo Martins4 de setembro de 20264 minutos lidos
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As ações do Banco do Brasil voltaram a ganhar força na Bolsa, mas a recuperação de BBAS3 ainda não veio acompanhada de uma melhora uniforme dos fundamentos da instituição. O balanço mais recente mostrou crescimento do lucro e sinais de alívio no custo de crédito, porém a inadimplência avançou em segmentos importantes, principalmente entre pessoas físicas.

O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, avanço de 13,9% sobre o trimestre anterior e crescimento de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025.

Mesmo assim, a XP Investimentos manteve recomendação neutra para BBAS3 e definiu preço-alvo de R$ 21 para o fim de 2027. Na atualização da corretora em 3 de setembro, a ação aparecia próxima de R$ 22,28, acima desse valor de referência.

Lucro melhora, mas inadimplência continua avançando

O principal ponto de atenção está na qualidade da carteira de crédito.

A inadimplência acima de 90 dias do Banco do Brasil chegou a 5,61% no 2T26, contra 5,05% no primeiro trimestre e 3,96% um ano antes.

A deterioração foi ainda mais forte entre pessoas físicas. O indicador saltou de 6,82% para 8,41% em apenas três meses.

No agronegócio, segmento em que o Banco do Brasil possui forte exposição, a inadimplência permaneceu elevada em 6,27%, praticamente estável frente aos 6,22% registrados no primeiro trimestre.

Principais números do Banco do Brasil no 2T26

IndicadorResultado
Lucro líquido ajustadoR$ 3,9 bilhões
ROE8,3%
Margem financeira brutaR$ 27,5 bilhões
Carteira de crédito expandidamais de R$ 1,3 trilhão
Custo do créditoR$ 18,5 bilhões
Inadimplência total5,61%
Inadimplência pessoa física8,41%
Inadimplência agro6,27%
Carteira agroR$ 421,6 bilhões
Capital principal11,27%

Agro pode ajudar na recuperação

Uma das principais apostas para a melhora dos resultados está na renegociação das dívidas do agronegócio.

O Banco do Brasil estimou que aproximadamente R$ 100 bilhões em operações de crédito rural poderiam se enquadrar nas medidas de renegociação anunciadas para produtores.

A carteira agro alcançou R$ 421,6 bilhões no fim de junho, crescimento de 4,1% em 12 meses.

Se as renegociações reduzirem a inadimplência e a necessidade de provisões, o custo do crédito poderá começar a cair de maneira mais consistente nos próximos trimestres.

Esse movimento seria especialmente importante porque o Banco do Brasil gastou R$ 18,5 bilhões com custo de crédito apenas no segundo trimestre.

Pessoa física vira novo ponto de atenção

O problema é que a melhora esperada no agro pode ser parcialmente compensada pela deterioração do crédito ao consumidor.

A carteira de pessoas físicas somava aproximadamente R$ 357,6 bilhões, crescimento de 4,4% em 12 meses.

Ao mesmo tempo, a inadimplência chegou a 8,41%, indicando aumento relevante do risco.

A XP destacou justamente esse fator em sua análise mais recente. A corretora aumentou suas estimativas de provisões para 2026 diante da piora observada entre pessoas físicas e de uma recuperação mais lenta do que o esperado no agronegócio.

BBAS3 ainda está barata?

A recente valorização também reduziu parte da margem de segurança observada anteriormente nas ações.

A XP calcula que Banco do Brasil negocia próximo de 5 vezes o lucro projetado para 2027, nível que já não representa um desconto tão expressivo em relação ao histórico do papel.

Isso ajuda a explicar a recomendação neutra.

Com a ação acima de R$ 22 na referência mais recente da corretora e preço-alvo de R$ 21, o mercado já parece incorporar parte de uma recuperação futura.

A transcrição utilizada como ponto de partida para a análise também alerta para o risco de interpretar a alta recente da ação como uma melhora automática dos fundamentos do banco.

O que acompanhar agora em BBAS3

Nos próximos balanços, três indicadores serão decisivos: inadimplência, custo do crédito e rentabilidade.

Uma queda consistente dos atrasos no agronegócio, acompanhada de estabilização da carteira de pessoas físicas, poderia reduzir provisões e elevar o lucro.

Por outro lado, se a inadimplência continuar avançando, a recuperação do Banco do Brasil poderá ser mais lenta do que a valorização recente das ações sugere.

Por isso, apesar do lucro maior e da recuperação de BBAS3 na Bolsa, os números ainda indicam um cenário de transição, e não uma normalização completa dos fundamentos.

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Eduardo Martins
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Eduardo Martins é planejador financeiro certificado (CFP®) e consultor de investimentos, com mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro. Na A Revista, explica renda fixa, fundos imobiliários, dividendos, simulações de quanto rende e planejamento financeiro. Apresenta premissas, custos, tributação e riscos, sem converter cenários em promessa de retorno.

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