A Companhia Siderúrgica Nacional voltou ao centro das atenções do mercado após avançar no processo de venda da CSN Cimentos e promover uma importante mudança em seu comando. Para quem acompanha CSNA3, porém, a questão principal não é apenas quanto a companhia pode receber pelo ativo, mas quanto desse dinheiro efetivamente poderá reduzir uma dívida líquida que ultrapassa R$ 42 bilhões.
A CSN confirmou em agosto o recebimento de propostas vinculantes para a venda integral de sua subsidiária de cimento. O processo faz parte da estratégia de desalavancagem da companhia e ocorre justamente em um momento em que o balanço financeiro continua pressionado.
Dívida da CSN chegou a R$ 42,1 bilhões
No encerramento do segundo trimestre de 2026, a dívida líquida consolidada da CSN atingiu R$ 42,14 bilhões, enquanto a relação dívida líquida/Ebitda chegou a 3,49 vezes.
A companhia encerrou o período com R$ 15,4 bilhões em caixa, mas reconheceu que o endividamento aumentou no trimestre. Entre os fatores estiveram efeitos cambiais, amortização de contratos de pré-pagamento e aportes na Transnordestina.
A XP classificou os resultados do trimestre como neutros, porém ainda preocupantes, destacando que a dívida avançou enquanto o fluxo de caixa livre permaneceu pressionado.
| Indicador | 2T26 |
|---|---|
| Dívida líquida | R$ 42,14 bilhões |
| Dívida líquida/Ebitda | 3,49x |
| Caixa | R$ 15,4 bilhões |
| Ebitda ajustado | R$ 2,77 bilhões |
Quanto a CSN Cimentos pode valer?
As propostas recebidas pela companhia não tiveram seus valores oficialmente divulgados. Informações de mercado, entretanto, indicam ofertas superiores a R$ 10 bilhões, enquanto avaliações anteriores colocavam o ativo em uma faixa que poderia chegar a aproximadamente R$ 12 bilhões ou mais.
Esse valor será decisivo para CSNA3.
Uma venda por R$ 10 bilhões produziria um efeito muito diferente de uma operação próxima de R$ 13 bilhões ou R$ 15 bilhões. Quanto maior o valor recebido e destinado ao pagamento de dívida, maior tende a ser o espaço para redução das despesas financeiras e recuperação do valor atribuído ao acionista.
Potencial de 200% precisa ser colocado em perspectiva
Estimativas baseadas na soma das partes da CSN podem produzir valores bastante elevados para CSNA3 porque consideram separadamente siderurgia, mineração, cimento, logística e outros ativos.
A transcrição que originou esta análise trabalha, por exemplo, com cenários que poderiam levar as ações para perto de R$ 10,90 ou até níveis superiores, dependendo do valor atribuído às empresas do grupo. O mesmo exercício, entretanto, mostra que resultados muito mais baixos aparecem quando são utilizados preços conservadores e a dívida atualizada.
Além disso, o percentual de valorização mudou.
Com CSNA3 indicada em R$ 6,38 em 4 de setembro, um preço hipotético de R$ 10,90 representaria aproximadamente 71% de alta, e não mais de 100%. Um valor de R$ 13 significaria avanço próximo de 104%.
Novo CEO aumenta expectativa sobre desalavancagem
Outro elemento entrou recentemente na equação. Fabio Schvartsman assumiu a presidência executiva da CSN em 3 de setembro, enquanto Benjamin Steinbruch passou para a presidência do conselho.
A mudança foi interpretada pelo mercado como mais um sinal de prioridade para redução da dívida e melhoria da estrutura de capital. As ações chegaram a disparar mais de 16% no pregão seguinte ao anúncio.
Para CSNA3, portanto, o catalisador existe, mas depende de execução. O mercado precisará observar por quanto a CSN Cimentos será vendida, quanto será destinado à dívida e se o endividamento começará efetivamente a cair nos próximos trimestres.
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