A Light (LIGT3) voltou ao centro das atenções na Bolsa após divulgar lucro líquido de R$ 2,821 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 573% em relação ao mesmo período do ano anterior. À primeira vista, o número impressiona. Mas, para o investidor, o balanço exige uma leitura mais cuidadosa: parte relevante do lucro foi influenciada por efeitos ligados à recuperação judicial e à reestruturação financeira da companhia.
Ao mesmo tempo, a empresa segue em um momento decisivo. A Light obteve a renovação da concessão de distribuição de energia no Rio de Janeiro e informou perspectiva de investir R$ 10 bilhões em cinco anos. A companhia também afirmou que os investimentos chegaram a R$ 1,6 bilhão em 2025, com apoio dos acionistas para acelerar o plano.
O problema é que a melhora institucional não apaga os desafios financeiros. A empresa continua em recuperação judicial, carrega dívida elevada e ainda precisa provar que consegue transformar a reestruturação em geração de caixa sustentável.
Lucro alto chama atenção, mas Ebitda caiu
O lucro líquido de R$ 2,8 bilhões foi o principal destaque do balanço do 1T26. No entanto, o desempenho operacional não avançou na mesma proporção. O Ebitda ajustado somou R$ 423 milhões, queda de 27% na comparação anual. Já a receita líquida subiu 8,1%, para R$ 4,406 bilhões.
Esse contraste é importante. O lucro contábil elevado pode passar a impressão de uma virada definitiva, mas a queda do Ebitda mostra que a operação ainda enfrenta pressão. Para uma distribuidora de energia em recuperação judicial, a capacidade de gerar caixa recorrente é mais relevante do que um lucro pontual influenciado por efeitos financeiros.
| Indicador da Light | 1T26 | Leitura |
|---|---|---|
| Lucro líquido | R$ 2,821 bilhões | Forte alta, mas com efeito da reestruturação |
| Receita líquida | R$ 4,406 bilhões | Crescimento de 8,1% no ano |
| Ebitda ajustado | R$ 423 milhões | Queda de 27% na comparação anual |
| Receita de bens e serviços | R$ 3,529 bilhões | Alta modesta de 1% |
| Dívida líquida proforma | R$ 6,701 bilhões | Alta de 43,2% |
A dívida líquida proforma, que desconsidera a parcela da dívida conversível em ações da Light S.A., subiu para R$ 6,701 bilhões, avanço de 43,2%. Esse dado reforça que a estrutura de capital ainda é um dos maiores pontos de atenção da tese de investimento.
Recuperação judicial ainda pesa sobre a ação
A Light entrou em recuperação judicial em 2023, quando estimava dívidas de aproximadamente R$ 11 bilhões. O processo foi um dos momentos mais críticos da história recente da companhia e afastou parte dos investidores, especialmente aqueles que buscam empresas previsíveis e com menor risco financeiro.
Em 2026, a companhia tenta encerrar esse ciclo. Reportagens recentes apontam que a Light espera concluir a recuperação judicial ainda este ano, após a renovação da concessão. Esse seria um passo importante para reduzir incertezas e melhorar a percepção de risco do mercado.
Mesmo assim, enquanto o processo não for concluído, a ação LIGT3 continua carregando um componente especulativo elevado. A saída da recuperação judicial pode funcionar como gatilho positivo, mas o investidor ainda precisa acompanhar se a empresa conseguirá reduzir dívida, melhorar margens e manter investimentos.
Renovação da concessão tira uma incerteza importante
A renovação da concessão foi um dos pontos mais positivos para a Light. Como a distribuição de energia no Rio de Janeiro é o principal negócio da empresa, a continuidade do contrato reduz o risco de ruptura operacional e dá mais previsibilidade ao plano de recuperação.
A companhia informou que pretende investir R$ 10 bilhões em cinco anos. Esse plano é relevante porque a Light precisa melhorar a qualidade do serviço, reduzir perdas, modernizar a rede e mostrar capacidade de cumprir exigências regulatórias.
Por outro lado, investir mais exige caixa. E esse é justamente o ponto sensível da companhia. A Light precisa conciliar recuperação financeira, pagamento de dívidas, melhora operacional e investimentos pesados na concessão.
O que ainda preocupa na Light?
O principal risco continua sendo a combinação entre dívida elevada, operação pressionada e histórico recente de recuperação judicial. Embora o lucro do 1T26 tenha sido expressivo, a queda do Ebitda ajustado mostra que a melhora ainda não é totalmente operacional.
Além disso, a Light atua em uma área de concessão complexa, com desafios relacionados a perdas de energia, inadimplência, furtos de energia e necessidade constante de investimento na rede. Esses fatores dificultam a expansão das margens e tornam a empresa mais sensível a falhas de execução.
Para investidores conservadores, a Light ainda não se compara a outras empresas do setor elétrico com balanços mais sólidos, histórico de dividendos mais previsível e menor risco financeiro.
Light (LIGT3) vale a pena?
A Light pode interessar a investidores com perfil mais arrojado, que aceitam risco elevado em troca de uma possível valorização ligada à saída da recuperação judicial e à normalização da concessão. Nesse caso, os principais gatilhos seriam a conclusão do processo judicial, redução da dívida, melhora do Ebitda e avanço do plano de investimentos.
Para quem busca segurança, dividendos e previsibilidade, a ação ainda exige cautela. O lucro bilionário do 1T26 é relevante, mas não resolve sozinho o problema estrutural da companhia. A tese de investimento em LIGT3 ainda depende de uma virada financeira consistente.
A Light melhorou sua posição ao renovar a concessão e apresentar lucro forte no 1T26. No entanto, a empresa ainda não pode ser tratada como uma companhia recuperada. A dívida segue alta, o Ebitda caiu e a recuperação judicial ainda não foi encerrada.
Por isso, LIGT3 continua sendo uma ação de risco elevado. A empresa pode ter potencial de recuperação, mas ainda precisa entregar resultados operacionais mais consistentes antes de voltar a ser vista como uma opção segura no setor elétrico.
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