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Início » Últimas Notícias » BHIA3 despenca: prejuízo bilionário da Casas Bahia aumenta dúvidas sobre recuperação
Ações

BHIA3 despenca: prejuízo bilionário da Casas Bahia aumenta dúvidas sobre recuperação

Mesmo com alta na receita e avanço no e-commerce, a Casas Bahia voltou a frustrar investidores no 1T26 ao mostrar forte pressão financeira e prejuízo bilionário
Mariana DuartePor Mariana Duarte20 de maio de 20266 minutos lidos
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A Casas Bahia (BHIA3) voltou ao centro das atenções do mercado após divulgar um prejuízo líquido de R$ 1,06 bilhão no primeiro trimestre de 2026. O número representa uma piora relevante em relação ao prejuízo de R$ 408 milhões registrado no mesmo período de 2025, reforçando as dúvidas dos investidores sobre a velocidade de recuperação da varejista.

A reação na Bolsa foi negativa. Após o balanço, as ações da Casas Bahia chegaram a cair mais de 8% no pregão de 14 de maio e, dias depois, renovaram mínima histórica ao fechar em R$ 1,49, com queda de 10,78% em 18 de maio. No acumulado de 12 meses, os papéis já registravam perda superior a 68%, segundo levantamento publicado pela Suno.

Receita cresce, mas mercado olha para o prejuízo

O resultado da Casas Bahia não foi negativo em todas as linhas. A receita líquida consolidada avançou 6,1% na comparação anual, atingindo R$ 7,4 bilhões no 1T26. A receita bruta também cresceu, chegando a R$ 8,8 bilhões, alta de 6,4% frente ao mesmo trimestre do ano anterior.

O principal destaque positivo veio do canal online 1P, no qual a própria companhia vende diretamente ao consumidor. Esse segmento registrou receita bruta de R$ 3 bilhões, alta de 26,4% em relação ao 1T25. Segundo análises de mercado, o avanço foi impulsionado por categorias como linha branca, tecnologia, portáteis e canais de venda criados por parcerias estratégicas.

Apesar disso, o crescimento da receita ainda não foi suficiente para mudar a percepção sobre a empresa. O mercado segue preocupado com a dificuldade da varejista em transformar vendas maiores em lucro líquido.

Resultado financeiro segue como principal vilão

O ponto mais sensível do balanço foi o resultado financeiro. No 1T26, essa linha ficou negativa em R$ 1,171 bilhão, uma piora anual de 27%. O impacto veio em meio ao avanço do CDI médio, que passou de 12,94% no primeiro trimestre de 2025 para 14,86% no mesmo período de 2026.

Esse dado ajuda a explicar por que a Casas Bahia ainda enfrenta tanta dificuldade para voltar ao lucro. A companhia opera em um setor intensivo em capital, com necessidade de estoques, parcelamento de vendas, crediário, antecipação de recebíveis e financiamento da operação.

Com juros elevados, essas estruturas ficam mais caras. Na prática, mesmo quando a empresa consegue melhorar vendas e Ebitda, boa parte do ganho operacional é consumida pelas despesas financeiras.

Ebitda avança, mas não muda o quadro

O Ebitda ajustado da Casas Bahia somou R$ 597 milhões no 1T26, crescimento de 4,7% na comparação anual. A margem Ebitda ajustada ficou em 8,1%, praticamente estável em relação aos 8,2% registrados um ano antes.

Esse número mostra que a operação ainda consegue gerar resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização. No entanto, o problema aparece depois dessa linha, quando entram os custos financeiros.

Por isso, o balanço foi recebido como misto: houve avanço operacional, mas o prejuízo líquido bilionário manteve a pressão sobre as ações.

Principais números da Casas Bahia no 1T26

IndicadorResultado no 1T26Comparação/Leitura
Receita líquidaR$ 7,4 bilhõesAlta de 6,1% no ano
Receita brutaR$ 8,8 bilhõesAlta de 6,4% no ano
Receita bruta online 1PR$ 3,0 bilhõesAlta de 26,4% no ano
Ebitda ajustadoR$ 597 milhõesAlta de 4,7% no ano
Margem Ebitda ajustada8,1%Praticamente estável
Resultado financeiro líquido-R$ 1,171 bilhãoPiora de 27% no ano
Prejuízo líquidoR$ 1,06 bilhãoPerda maior que no 1T25
CDI médio14,86%Acima dos 12,94% do 1T25

Por que a queda das ações foi tão forte?

A queda de BHIA3 reflete a combinação de três fatores: prejuízo bilionário, pressão financeira elevada e dúvidas sobre a recuperação da companhia. Mesmo com a melhora no canal digital, o investidor ainda não viu um sinal claro de virada no lucro.

Outro ponto que pesa é o histórico recente da ação. A Casas Bahia já vinha acumulando forte desvalorização nos últimos meses, e o novo balanço reforçou o receio de que a recuperação operacional possa levar mais tempo do que o esperado.

Além disso, analistas destacaram que o resultado teve pontos positivos, como receita e Ebitda acima de algumas estimativas, mas o lucro final continuou pressionado pelas despesas financeiras e pela ausência de reconhecimento de imposto diferido.

O problema não está apenas na dívida tradicional

Um erro comum ao analisar a Casas Bahia é olhar apenas para a dívida líquida tradicional. A companhia vem tentando reduzir alavancagem e melhorar sua estrutura de capital, mas a operação ainda depende de mecanismos financeiros relevantes, como antecipação de recebíveis, FIDCs, convênios com fornecedores e crédito ao consumidor.

Essas estruturas não aparecem sempre da mesma forma que uma dívida bancária tradicional, mas impactam diretamente o resultado financeiro. Por isso, mesmo com redução em algumas linhas de endividamento, o custo financeiro total continua sendo um dos principais desafios.

Concorrência também pressiona o varejo

Além dos juros, a Casas Bahia enfrenta uma concorrência cada vez mais dura no varejo. Empresas como Mercado Livre, Amazon e Shopee ganharam escala, tecnologia, logística e força no e-commerce brasileiro.

A Casas Bahia ainda tem uma presença relevante em lojas físicas e categorias como linha branca, móveis e eletrodomésticos. No entanto, para recuperar confiança, precisa provar que consegue crescer no digital sem perder rentabilidade e sem depender excessivamente de estruturas caras de financiamento.

Casas Bahia (BHIA3) é oportunidade ou risco?

BHIA3 pode chamar atenção por estar muito desvalorizada, mas isso não significa, automaticamente, que a ação esteja barata. A tese hoje é de recuperação, o que exige tolerância a risco e acompanhamento próximo dos próximos balanços.

A empresa precisa mostrar evolução consistente em três frentes: redução do prejuízo, controle do resultado financeiro e melhora sustentável da geração de lucro. Enquanto isso não ocorrer, a ação tende a continuar sendo vista como um papel de alto risco na Bolsa.

O resultado do 1T26 mostrou que a Casas Bahia ainda está em uma fase delicada. A receita cresceu, o canal online avançou e o Ebitda ajustado veio positivo, mas o prejuízo de R$ 1,06 bilhão e o resultado financeiro negativo de R$ 1,171 bilhão mantêm o alerta ligado.

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Mariana Duarte
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Mariana Duarte é jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com mais de 10 anos de experiência em redações de portais nacionais e especialização em jornalismo digital. Na A Revista, acompanha economia, empresas, mercados e tecnologia ligada a negócios. Trabalha com linguagem acessível, atribuição de fontes e verificação de dados e documentos.

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