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Início » Últimas Notícias » Gerdau e Irani entram no radar para dividendos em março
Ações

Gerdau e Irani entram no radar para dividendos em março

Empresas com histórico de proventos trimestrais devem divulgar resultados em breve, e investidores já analisam a possibilidade de novos anúncios de dividendos.
Mariana DuartePor Mariana Duarte19 de fevereiro de 20265 minutos lidos
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Gerdau e Irani entram no radar para dividendos em março
Gerdau e Irani entram no radar para dividendos em março

Com a aproximação da divulgação dos resultados do quarto trimestre, investidores voltam a observar duas companhias conhecidas pelo pagamento recorrente de proventos: Gerdau e Irani.

Ambas possuem histórico de dividendos trimestrais e podem anunciar novos pagamentos em março. No entanto, a estratégia mais eficiente não é simplesmente comprar a ação esperando o dividendo, mas entender o conceito de dividendo inteligente.

Essa estratégia envolve:

  • Mapear o histórico de anúncios da empresa;

  • Identificar padrões de data-com e data-ex;

  • Avaliar fundamentos como dívida, geração de caixa e preço justo;

  • Evitar compras motivadas apenas pela expectativa de proventos.

O dividendo deve ser consequência de uma empresa lucrativa e bem gerida não o único motivo para investir.

O alerta da data-com: cuidado com a euforia

Um erro comum no mercado é comprar a ação próxima da data-com e vendê-la após a data-ex, acreditando que o dividendo garantirá lucro.

O mercado, porém, costuma antecipar movimentos. Em muitos casos, a ação sobe antes do anúncio e pode corrigir após a data-com.

Situações semelhantes já foram observadas em empresas como a BB Seguridade, quando a ação valorizou antes do anúncio e depois recuou parte dos ganhos.

Assim, quem compra apenas pela expectativa do dividendo pode:

  • Pagar mais caro pelo ativo;

  • Receber o provento;

  • Sofrer queda superior ao valor recebido.

O timing é importante, mas fundamentos são ainda mais decisivos.

Gerdau: eficiência operacional e geração de caixa sólida

A Gerdau (GGBR4/GGBR3) é uma das maiores produtoras de aço do Brasil, com valor de mercado na casa dos R$ 40 bilhões e operação verticalizada, que vai da mineração até o produto final.

Presença internacional estratégica

A companhia atua no Brasil, Estados Unidos, Canadá, México, Peru, Uruguai e Argentina. Atualmente, a América do Norte tem peso relevante na geração de resultado e fluxo de caixa do grupo.

Nos últimos anos, a empresa reduziu sua presença internacional (de 16 para 7 países), vendeu ativos não estratégicos e focou em eficiência operacional.

Evolução financeira

Entre os avanços observados:

  • Receita saltou de aproximadamente R$ 43 bilhões para cerca de R$ 70 bilhões;

  • Despesas administrativas foram reduzidas proporcionalmente;

  • Margens operacionais melhoraram;

  • Alavancagem caiu para patamar próximo de 0,8 vez dívida líquida/EBITDA;

  • Caixa na casa dos R$ 10 bilhões, suficiente para cobrir amortizações por vários anos.

A política de dividendos prevê payout mínimo de 30% do lucro ajustado, com pagamentos frequentes via dividendos ou JCP. Além disso, a companhia utiliza programas de recompra de ações, o que amplia o retorno total ao acionista.

Importante destacar que o setor do aço é cíclico. Em períodos de alta demanda e preços elevados, lucros e dividendos tendem a crescer. Já em fases de retração, resultados e proventos podem diminuir.

Irani: crescimento consistente e foco no mercado interno

A Irani (RANI3) atua no segmento de papel para embalagens e papelão ondulado, diferenciando-se de empresas como Klabin e Suzano, pois não depende da venda de celulose.

Receita concentrada e resiliente

  • Cerca de 99% da receita vem de papéis e embalagens;

  • Aproximadamente 91% das vendas são destinadas ao mercado interno;

  • Forte presença no setor alimentício, que representa parcela significativa da receita.

O segmento de alimentos no Brasil é historicamente resiliente, inclusive em períodos de crise econômica, o que traz previsibilidade à empresa.

Crescimento estrutural

Desde os anos 2000, a companhia apresentou:

  • Crescimento médio anual de produção próximo de 5,5%;

  • Expansão relevante da receita líquida;

  • Preços médios acompanhando inflação (5% a 6% ao ano).

A combinação de aumento de volume com reajuste de preços explica o crescimento consistente ao longo dos anos.

Verticalização e redução de custos

A empresa já gera cerca de 63% da energia que consome e busca atingir 100% de autossuficiência por meio de investimentos em pequenas centrais hidrelétricas. Essa estratégia pode reduzir custos e melhorar margens no médio e longo prazo.

Recompra de ações e retorno ao acionista

A Irani tem histórico agressivo de recompra de ações, cancelando 100% dos papéis recomprados. Desde o IPO, já retirou do mercado parcela relevante das ações.

Isso significa que, além do dividendo tradicional (payout próximo de 50%), o investidor também é beneficiado pela redução do número total de ações em circulação, elevando o lucro por ação.

Quando se considera dividendos mais recompra, o retorno total ao acionista (shareholder yield) pode superar o dividend yield isolado divulgado por alguns portais.

Março no radar do mercado

Historicamente, tanto Gerdau quanto Irani:

  • Anunciam proventos próximos à divulgação dos resultados;

  • Mantêm frequência trimestral;

  • Realizam pagamentos pouco tempo após a data-com.

Caso os resultados do quarto trimestre confirmem boa geração de caixa, o mercado pode reagir antes mesmo da oficialização dos dividendos.

Estratégia acima da emoção

A expectativa por dividendos em março coloca Gerdau e Irani novamente no radar do investidor de renda passiva.

No entanto, a principal mensagem é clara: dividendos são consequência de empresas sólidas, lucrativas e bem geridas. Antecipar anúncios com base em fundamentos pode gerar melhores resultados do que seguir a euforia da data-com.

Março pode trazer novos proventos mas o verdadeiro diferencial estará na disciplina e na estratégia de quem investe.

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Data-com dividendos trimestrais GGBR4 RANI3 recompra de ações
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Mariana Duarte
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Mariana Duarte é jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com mais de 10 anos de experiência em redações de portais nacionais e especialização em jornalismo digital. Na A Revista, acompanha economia, empresas, mercados e tecnologia ligada a negócios. Trabalha com linguagem acessível, atribuição de fontes e verificação de dados e documentos.

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