O setor financeiro voltou ao centro das atenções na Bolsa após a divulgação dos balanços do quarto trimestre de 2025. Entre os quatro grandes bancos Itaú Unibanco, Banco Bradesco, Banco do Brasil e Banco Santander Brasil houve melhora nos resultados, mas com diferenças importantes em rentabilidade, qualidade da carteira de crédito e projeção de dividendos para 2026.
Nos últimos 12 meses, algumas ações chegaram a subir mais de 70%, o que já comprimiu parte do potencial de dividend yield. Ainda assim, o setor segue relevante para investidores que buscam renda e previsibilidade.
Itaú: referência em rentabilidade e eficiência
O Itaú continua sendo o banco com melhor desempenho operacional entre os grandes.
Principais números do 4T25:
- Receita total: +7,9% (vs 4T24)
- Lucro líquido: R$ 12,3 bilhões (+13,2%)
- ROE: 24,4%
- Inadimplência acima de 90 dias: 1,9%
- Provisões (PDD): cerca de R$ 10 bilhões, com postura conservadora
O banco praticamente dobrou o lucro na última década, saindo de aproximadamente R$ 23 bilhões em 2017 para cerca de R$ 45 bilhões em 2025. A rentabilidade acima de 20% e a inadimplência controlada reforçam o status de banco mais eficiente do país.
Dividendos 2026
Projeção: R$ 3,10 por ação (ITUB3)
Cotação aproximada: R$ 44,77
Dividend Yield projetado: cerca de 6,9%
Apesar da fama de “pagador mensal”, grande parte dos meses traz JCP simbólico. Os pagamentos mais relevantes costumam ocorrer em momentos específicos do ano.
Resumo: melhor qualidade operacional do setor, porém com preço já refletindo boa parte desse desempenho.
Bradesco: recuperação consistente e maior yield projetado
Após um período de dificuldades, especialmente com aumento de provisões e impacto de grandes casos corporativos, o Bradesco mostra recuperação clara.
Destaques do 4T25:
- Receita total: +11,3%
- Lucro líquido: R$ 6,5 bilhões (+20,6%)
- Crescimento anual do lucro: +26,3%
- ROE: 15,2% (em recuperação)
- Inadimplência: caiu de 6% para 4,1%
- Carteira de crédito: cerca de R$ 1 trilhão (+5,3%)
O banco sofreu bastante no passado recente, mas os números indicam melhora gradual na qualidade da carteira e retomada da rentabilidade.
Dividendos 2026
Projeção: R$ 1,47 por ação (BBDC3)
Dividend Yield projetado: aproximadamente 8,1%
Mesmo após valorização superior a 75% em 12 meses, o banco ainda apresenta o maior yield projetado entre os grandes.
Resumo: destaque em dividendos para 2026, com recuperação operacional em andamento.
Banco do Brasil: lucro acima do esperado, mas riscos persistem
O Banco do Brasil surpreendeu o mercado ao divulgar lucro de R$ 5,7 bilhões no trimestre, acima do consenso. No entanto, parte do resultado contou com efeitos não recorrentes.
Pontos de atenção:
- Provisões (PDD) saltaram de R$ 9,2 bilhões para R$ 17,9 bilhões (+93%)
- ROE caiu para 12,4%
- Inadimplência acima de 90 dias: 5,17%
- Exposição relevante ao setor agro (31,5% da carteira), que atravessa dificuldades
Comparando com o mesmo período do ano anterior, o lucro ficou cerca de 40% menor, refletindo o impacto de maior inadimplência e necessidade de provisões.
Dividendos 2026
Projeção: yield em torno de 4,5%
O mercado começa a precificar possível recuperação, mas os fundamentos ainda exigem cautela.
Santander: pagamento recorrente, mas retorno menor
O Santander mantém como diferencial a regularidade nos pagamentos, geralmente trimestrais.
Indicadores do 4T25:
- Receita total: -1,9%
- Lucro líquido: +6%
- ROE: 17,6%
- Inadimplência: subiu de 3,2% para 3,7%
- Aumento moderado nas provisões
Apesar da melhora no lucro, a rentabilidade ainda está abaixo do patamar de excelência buscado pelo mercado (ROE acima de 20%).
Dividendos 2026
Projeção de cerca de 4,6% de dividend yield
Retorno inferior ao de Itaú e Bradesco nas estimativas atuais.
Comparativo final entre os bancões
| Banco | ROE | Inadimplência | DY 2026 (proj.) | Destaque |
| Itaú | 24,4% | 1,9% | ~6,9% | Maior qualidade |
| Bradesco | 15,2% | 4,1% | ~8,1% | Maior yield |
| Santander | 17,6% | 3,7% | ~4,6% | Regularidade |
| Banco do Brasil | 12,4% | 5,17% | ~4,5% | Recuperação incerta |
O setor bancário segue como um dos pilares da Bolsa brasileira.
- Itaú lidera em eficiência e rentabilidade.
- Bradesco se destaca na projeção de dividendos para 2026.
- Banco do Brasil ainda enfrenta desafios, especialmente ligados ao agronegócio.
- Santander apresenta estabilidade, mas com retorno projetado mais modesto.
Para quem busca renda em 2026, o Bradesco aparece como o nome mais atrativo em dividendos projetados. Já para quem prioriza qualidade e consistência, o Itaú segue como referência no setor bancário brasileiro.
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