A Bolsa de Valores brasileira retomou os negócios após o feriado prolongado de Carnaval com um pregão mais curto e negativo. O Ibovespa encerrou a quarta-feira (18) em queda de 0,24%, aos 186.016 pontos, mesmo diante de um forte avanço do petróleo no mercado internacional.
Nem a alta superior a 4% do barril foi suficiente para sustentar o índice. O peso das ações da Vale, que recuaram mais de 3,5%, acabou prevalecendo e pressionando o desempenho do principal indicador da Bolsa brasileira.
Apesar do recuo pontual, o fluxo de capital estrangeiro segue sendo um dos grandes pilares de sustentação do mercado em 2026.
Vale cai e anula efeito positivo do petróleo
O movimento negativo da Vale esteve diretamente ligado ao cenário externo. Com a Bolsa chinesa fechada por conta do Ano Novo Lunar, o mercado ficou sem referência do minério de ferro em Dalian indicador considerado o mais próximo do preço base internacional da commodity.
Sem esse parâmetro e após uma sequência de altas recentes, investidores optaram por realizar lucros.
Enquanto isso, o petróleo do tipo Brent avançou para a casa dos US$ 71 por barril, favorecendo papéis ligados ao setor de energia, como a Petrobras e empresas independentes de exploração.
Entre os destaques positivos do dia estiveram:
- Raízen (+6,3%)
- PetroRecôncavo (+3,5%)
- Cosan (+2,94%)
Já do lado das quedas, além da Vale, apareceram:
- Pão de Açúcar (-4,5%)
- IRB (-3%)
- CPFL Energia (-2%)
O dia também foi marcado pelo vencimento de opções sobre o índice, o que tradicionalmente aumenta a volatilidade e provoca movimentos técnicos.
Estrangeiro mantém forte entrada na Bolsa
Se o pregão foi negativo, o fluxo de capital estrangeiro segue impressionando.
Somente na última sessão com dados consolidados, houve entrada líquida de R$ 97 milhões. Com isso:
- Fevereiro acumula saldo positivo de R$ 8,7 bilhões
- Em 2026, a entrada já supera R$ 35 bilhões
Mesmo diante de um cenário internacional turbulento, com tensões geopolíticas, incertezas sobre política monetária dos Estados Unidos e receios sobre novas medidas tarifárias, o Brasil continua atraindo capital externo.
O mercado interpreta que o país segue relativamente descontado em comparação a outras economias emergentes, o que favorece o fluxo.
Cenário internacional pressiona bolsas globais
Os futuros das bolsas americanas operavam em queda, refletindo expectativa por dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos e indicadores econômicos relevantes.
Na Europa, índices também recuaram, pressionados por balanços corporativos de gigantes como Airbus, Rio Tinto e Renault.
Além disso, rumores geopolíticos envolvendo possível escalada de conflito internacional trouxeram volatilidade adicional aos mercados e impulsionaram o petróleo.
Quando há risco de guerra, o movimento costuma ser imediato:
- Petróleo sobe
- Dólar ganha força
- Bolsas ficam mais nervosas
IBC-Br aponta desaceleração leve da economia
No Brasil, o Banco Central divulgou o IBC-Br de dezembro, indicador considerado uma prévia do PIB.
O índice registrou queda de 0,18% no mês, abaixo da expectativa de recuo de 0,4%. No acumulado de 2025, a economia cresceu 2,45%, praticamente em linha com o projetado pelo mercado.
O dado reforça a percepção de desaceleração gradual da atividade econômica, mas sem deterioração abrupta.
Movimentações corporativas ganham destaque
Entre as notícias corporativas do dia:
- A Auren Energia propôs migração para o Novo Mercado, com conversão de ações preferenciais em ordinárias.
- A Unipar firmou joint venture com a Casa dos Ventos para autoprodução de energia renovável em parque solar no Mato Grosso do Sul.
Esses movimentos indicam busca por maior governança e eficiência operacional, temas cada vez mais valorizados por investidores institucionais.
Agenda econômica movimenta o dia
Entre os destaques da agenda:
- Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA
- Balança comercial americana
- Dados de atividade econômica no Brasil
Indicadores de mercado de trabalho e inflação continuam sendo decisivos para os próximos passos do Federal Reserve.
O que esperar do Ibovespa nos próximos dias?
O cenário segue indefinido no curto prazo.
De um lado:
Fluxo estrangeiro forte
Petróleo em alta
Bancos resilientes
Do outro:
Pressão nas mineradoras
Volatilidade externa
Riscos geopolíticos
Com o índice acumulando forte valorização em 2026, uma realização técnica não seria surpresa. No entanto, o fluxo positivo pode limitar quedas mais acentuadas.
O mercado entra na reta final da semana ainda sem direção clara, mas com investidores atentos aos desdobramentos internacionais e à continuidade do apetite estrangeiro pela Bolsa brasileira.
Se o fluxo continuar e o cenário externo não deteriorar, o Ibovespa pode sustentar o patamar acima dos 185 mil pontos. Caso contrário, a volatilidade pode aumentar nos próximos pregões.
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