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Início » Últimas Notícias » Vale despenca e derruba o Ibovespa no primeiro pregão após o feriado
Ações

Vale despenca e derruba o Ibovespa no primeiro pregão após o feriado

Bolsa reabre após feriado com sessão negativa, pressão de mineradoras e forte entrada de capital estrangeiro em fevereiro
Eduardo MartinsPor Eduardo Martins19 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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Vale despenca e derruba o Ibovespa no primeiro pregão após o feriado
Vale despenca e derruba o Ibovespa no primeiro pregão após o feriado

A Bolsa de Valores brasileira retomou os negócios após o feriado prolongado de Carnaval com um pregão mais curto e negativo. O Ibovespa encerrou a quarta-feira (18) em queda de 0,24%, aos 186.016 pontos, mesmo diante de um forte avanço do petróleo no mercado internacional.

Nem a alta superior a 4% do barril foi suficiente para sustentar o índice. O peso das ações da Vale, que recuaram mais de 3,5%, acabou prevalecendo e pressionando o desempenho do principal indicador da Bolsa brasileira.

Apesar do recuo pontual, o fluxo de capital estrangeiro segue sendo um dos grandes pilares de sustentação do mercado em 2026.

Vale cai e anula efeito positivo do petróleo

O movimento negativo da Vale esteve diretamente ligado ao cenário externo. Com a Bolsa chinesa fechada por conta do Ano Novo Lunar, o mercado ficou sem referência do minério de ferro em Dalian indicador considerado o mais próximo do preço base internacional da commodity.

Sem esse parâmetro e após uma sequência de altas recentes, investidores optaram por realizar lucros.

Enquanto isso, o petróleo do tipo Brent avançou para a casa dos US$ 71 por barril, favorecendo papéis ligados ao setor de energia, como a Petrobras e empresas independentes de exploração.

Entre os destaques positivos do dia estiveram:

  • Raízen (+6,3%)

  • PetroRecôncavo (+3,5%)

  • Cosan (+2,94%)

Já do lado das quedas, além da Vale, apareceram:

  • Pão de Açúcar (-4,5%)

  • IRB (-3%)

  • CPFL Energia (-2%)

O dia também foi marcado pelo vencimento de opções sobre o índice, o que tradicionalmente aumenta a volatilidade e provoca movimentos técnicos.

Estrangeiro mantém forte entrada na Bolsa

Se o pregão foi negativo, o fluxo de capital estrangeiro segue impressionando.

Somente na última sessão com dados consolidados, houve entrada líquida de R$ 97 milhões. Com isso:

  • Fevereiro acumula saldo positivo de R$ 8,7 bilhões

  • Em 2026, a entrada já supera R$ 35 bilhões

Mesmo diante de um cenário internacional turbulento, com tensões geopolíticas, incertezas sobre política monetária dos Estados Unidos e receios sobre novas medidas tarifárias, o Brasil continua atraindo capital externo.

O mercado interpreta que o país segue relativamente descontado em comparação a outras economias emergentes, o que favorece o fluxo.

Cenário internacional pressiona bolsas globais

Os futuros das bolsas americanas operavam em queda, refletindo expectativa por dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos e indicadores econômicos relevantes.

Na Europa, índices também recuaram, pressionados por balanços corporativos de gigantes como Airbus, Rio Tinto e Renault.

Além disso, rumores geopolíticos envolvendo possível escalada de conflito internacional trouxeram volatilidade adicional aos mercados e impulsionaram o petróleo.

Quando há risco de guerra, o movimento costuma ser imediato:

  • Petróleo sobe

  • Dólar ganha força

  • Bolsas ficam mais nervosas

IBC-Br aponta desaceleração leve da economia

No Brasil, o Banco Central divulgou o IBC-Br de dezembro, indicador considerado uma prévia do PIB.

O índice registrou queda de 0,18% no mês, abaixo da expectativa de recuo de 0,4%. No acumulado de 2025, a economia cresceu 2,45%, praticamente em linha com o projetado pelo mercado.

O dado reforça a percepção de desaceleração gradual da atividade econômica, mas sem deterioração abrupta.

Movimentações corporativas ganham destaque

Entre as notícias corporativas do dia:

  • A Auren Energia propôs migração para o Novo Mercado, com conversão de ações preferenciais em ordinárias.

  • A Unipar firmou joint venture com a Casa dos Ventos para autoprodução de energia renovável em parque solar no Mato Grosso do Sul.

Esses movimentos indicam busca por maior governança e eficiência operacional, temas cada vez mais valorizados por investidores institucionais.

Agenda econômica movimenta o dia

Entre os destaques da agenda:

  • Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA

  • Balança comercial americana

  • Dados de atividade econômica no Brasil

Indicadores de mercado de trabalho e inflação continuam sendo decisivos para os próximos passos do Federal Reserve.

O que esperar do Ibovespa nos próximos dias?

O cenário segue indefinido no curto prazo.

De um lado:

Fluxo estrangeiro forte
Petróleo em alta
Bancos resilientes

Do outro:

Pressão nas mineradoras
Volatilidade externa
Riscos geopolíticos

Com o índice acumulando forte valorização em 2026, uma realização técnica não seria surpresa. No entanto, o fluxo positivo pode limitar quedas mais acentuadas.

O mercado entra na reta final da semana ainda sem direção clara, mas com investidores atentos aos desdobramentos internacionais e à continuidade do apetite estrangeiro pela Bolsa brasileira.

Se o fluxo continuar e o cenário externo não deteriorar, o Ibovespa pode sustentar o patamar acima dos 185 mil pontos. Caso contrário, a volatilidade pode aumentar nos próximos pregões.

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Eduardo Martins é planejador financeiro certificado (CFP®) e consultor de investimentos, com mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro. Na A Revista, explica renda fixa, fundos imobiliários, dividendos, simulações de quanto rende e planejamento financeiro. Apresenta premissas, custos, tributação e riscos, sem converter cenários em promessa de retorno.

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