O GARE11 começou 2026 com uma virada que poucos esperavam após o ciclo de reciclagem de portfólio: o fundo não apenas estreou em Minas Gerais, como também adicionou uma nova tipologia de ativo — lajes corporativas — ao lado de logística e renda urbana. A leitura do mercado é simples: a gestão está deixando de ser “um fundo de uma tese só” para virar um híbrido de tijolo com mais opções de geração de renda, rotação e ganho de capital.
Na prática, o movimento veio em duas aquisições concluídas no fim de 2025, com efeitos que passam a aparecer no caixa ao longo de 2026: um parque logístico em Confins (Região Metropolitana de Belo Horizonte) e um edifício corporativo em Belo Horizonte, ambos em Minas Gerais.
As duas aquisições que mudaram a fotografia do portfólio
1. Parque Logístico – Confins (MG): logística com contratos típicos e “cara” de mercado
O fundo concluiu a compra do Parque Logístico – Confins por cerca de R$ 86,8 milhões, com 24.625 m² de ABL, 100% locado e com inquilinos de grande porte: Mercado Livre, Três Corações e Vale. A estrutura foi feita majoritariamente por integralização em cotas e a expectativa divulgada para a operação foi de yield médio acima de 10% ao ano nos primeiros 60 meses.
O ponto que chama atenção aqui é o “perfil” do contrato: diferentemente da base histórica do fundo (muito associada a contratos atípicos), esse ativo opera com contratos típicos (com prazos mencionados na faixa de 5 a 10 anos em coberturas do mercado). Isso tende a trazer mais flexibilidade — e também mais necessidade de gestão ativa (renovação, negociação e reposicionamento quando o ciclo muda).
2. Edifício corporativo – Belo Horizonte (MG): entrada nas lajes com contrato atípico longo
A segunda compra é a que mais “quebra expectativa”: o fundo adquiriu um edifício corporativo em Belo Horizonte por R$ 126,4 milhões, com 13.000 m² de ABL, 100% ocupado por MRV, LOG CP e Urba. O contrato foi estruturado em modelo buy to lease, com locação atípica de 15 anos e cap rate aproximado de 10,7% ao ano nos primeiros 5 anos. O pagamento foi 80% em cotas e 20% em caixa.
Esse detalhe (contrato atípico longo) é importante porque reduz um dos medos clássicos de lajes corporativas: vacância e renegociação frequente. Ao mesmo tempo, cria outra discussão: concentração em um imóvel “single asset” de escritório dentro de um fundo que, até aqui, construía a narrativa principalmente em renda urbana e logística.
Por que essas compras mexem tanto com a tese do GARE11
1. O fundo passa a ter “três motores” de renda
Com renda urbana, logística e agora lajes corporativas, o GARE11 ganha mais alternativas para atravessar ciclos diferentes do mercado imobiliário. Em termos de estratégia, isso pode ajudar de duas formas:
Resiliência de caixa: ativos com contratos longos e inquilinos grandes tendem a suavizar a volatilidade de receitas.
Flexibilidade de reciclagem: quando um segmento fica caro ou barato, o fundo pode rotacionar capital com mais liberdade.
A contrapartida é que o investidor passa a avaliar o fundo por um conjunto maior de riscos (dinâmica de escritórios, além de varejo e logística).
2. Integralização em cotas: disciplina financeira… mas pode segurar a cotação
As duas operações destacam um traço que aparece com força nesse ciclo: compras com parcela relevante paga via integralização em cotas (80% no caso do edifício corporativo).
Na prática, isso costuma ter dois efeitos simultâneos:
Pró: preserva caixa e reduz dependência de dívida cara (especialmente relevante em ambiente de juros altos).
Contra: cria potencial pressão vendedora caso o recebedor das cotas decida realizar lucro no mercado, o que pode limitar a alta do preço no curto prazo.
Esse tipo de estrutura é um dos pontos que, em geral, explicam por que um fundo pode melhorar “por dentro” (portfólio e contratos) sem necessariamente ver a cotação disparar “por fora” imediatamente.
Números do GARE11 em janeiro de 2026
A seguir, um retrato com os dados mais usados pelo investidor para avaliar preço, renda e liquidez no curto prazo.
| Indicador (jan/2026) | Dado |
|---|---|
| Cotação recente | R$ 8,93 |
| P/VP | 0,94 |
| Dividend yield (12 meses) | 11,15% |
| Último rendimento mensal | R$ 0,083/cota (pagamento em 08/01/2026) |
| Nº de cotistas | 426.207 |
O dado que costuma “puxar” atenção no radar é o desconto em relação ao valor patrimonial (P/VP abaixo de 1) junto com um yield de dois dígitos. Por outro lado, o investidor precisa olhar o contexto: o fundo está em fase de transformação e, nesse tipo de ciclo, o mercado normalmente exige tempo para “comprar a tese” por completo.
Oportunidade ou risco? O que observar daqui para frente
Pontos que jogam a favor em 2026
Inquilinos grandes e ativos ocupados: as duas compras entram com ocupação cheia e nomes relevantes, o que dá previsibilidade de receitas no curto prazo.
Retornos divulgados acima/na linha de 10%: Confins com yield projetado acima de 10% e BH com cap rate ~10,7% nos 5 anos iniciais, reduzindo o risco de “diluição” do rendimento por compra mal precificada.
Diversificação geográfica: entrada em Minas Gerais adiciona uma praça relevante ao portfólio e reduz dependência de estados já tradicionais na carteira.
Pontos de atenção (o “custo” da mudança)
Risco de execução em lajes corporativas: mesmo com contrato atípico longo, a gestão passa a operar um segmento com dinâmica diferente e que exige leitura de ciclo corporativo.
Efeito da integralização em cotas na cotação: a estrutura pode manter o fundo “barato” por mais tempo, caso haja venda gradual das cotas recebidas nas transações.
Complexidade da tese: quanto mais híbrido, mais o investidor precisa acompanhar qualidade dos imóveis, concentração de receita por locatário e disciplina de novas aquisições.
O que muda no “GARE11 de 2026” na prática
O GARE11 entra em 2026 com sinais claros de reposicionamento: não é apenas “mais um ativo no portfólio”, mas sim a construção de uma tese mais ampla — com logística, renda urbana e agora lajes corporativas. Para o investidor, a decisão deixa de ser só “gosto do setor X” e passa a ser “confio na execução da gestão em um fundo de tijolo multiestratégia”.
Em momentos assim, o mercado costuma separar dois perfis: quem prefere previsibilidade “sem surpresas” tende a esperar mais evidências; quem busca assimetria pode enxergar oportunidade justamente no período em que a tese ainda está sendo reprecificada — especialmente quando o fundo negocia com desconto e mantém rendimento competitivo.
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