As ações do Banrisul voltaram ao radar dos investidores depois que Luiz Barsi revelou possuir participação no banco gaúcho. Conhecido pela estratégia de adquirir empresas consolidadas e geradoras de dividendos, o investidor enxerga no BRSR6 uma fonte recorrente de renda.
A tese combina três elementos principais: tradição, controle estatal e distribuição frequente de proventos. O Estado do Rio Grande do Sul é o acionista controlador do banco e também se beneficia dos dividendos pagos pela instituição.
Barsi já destacou que o Banrisul não é maior nem apresenta resultados superiores aos do Banco do Brasil. O atrativo estaria principalmente nos pagamentos trimestrais e no desconto das ações em relação ao patrimônio líquido.
O balanço mais recente, entretanto, mostrou que preço baixo não significa necessariamente ausência de riscos.
Lucro do Banrisul cai para R$ 221,6 milhões
O Banrisul registrou lucro líquido de R$ 221,6 milhões no primeiro trimestre de 2026. O resultado representa queda de 8,2% na comparação anual e recuo de aproximadamente 66% diante dos R$ 657 milhões obtidos no quarto trimestre de 2025.
A diferença expressiva entre os períodos reforça a volatilidade dos resultados do banco. O desempenho excepcional do final de 2025 havia sido beneficiado por menores despesas com provisões e recuperação de créditos.
No início de 2026, o movimento se inverteu. O aumento das provisões para perdas esperadas pressionou o lucro e reduziu a rentabilidade sobre o patrimônio.
O retorno sobre o patrimônio líquido médio, conhecido como ROE, caiu para 7,9%. No trimestre anterior, o indicador havia alcançado 23,8%, enquanto no primeiro trimestre de 2025 estava em 9,3%.

Carteira de crédito cresce, mas risco exige atenção
A carteira de crédito do Banrisul terminou março de 2026 com R$ 64,3 bilhões, crescimento de 1,3% em 12 meses. O crédito comercial somou R$ 39,2 bilhões e representou 60,9% de todas as operações.
O portfólio destinado a empresas avançou 14,9%, impulsionado por linhas como conta garantida e capital de giro. A expansão pode favorecer a margem financeira, mas também exige controle rigoroso da qualidade dos empréstimos.
Esse ponto ganhou importância diante da piora dos indicadores de inadimplência e das provisões mais elevadas. A exposição a segmentos como crédito consignado e agronegócio também mantém o banco sensível às condições econômicas, aos juros e à capacidade de pagamento dos clientes.
Negociação abaixo do patrimônio é oportunidade?
O BRSR6 permanece negociado abaixo do valor patrimonial por ação. Essa condição costuma ser apresentada como evidência de que o banco está barato, mas o indicador precisa ser analisado junto com a rentabilidade.
Uma instituição que obtém retorno inferior ao seu custo de capital pode justificar um múltiplo preço sobre valor patrimonial inferior a 1. Nesse cenário, o desconto não representa automaticamente uma oportunidade.
A questão central é saber se o Banrisul conseguirá elevar o ROE de forma consistente. Caso a rentabilidade permaneça abaixo da observada nos principais concorrentes, parte do desconto poderá continuar refletindo limitações estruturais do negócio.
Dividendos permanecem como principal atrativo
O Banrisul aprovou para 2026 a distribuição de 40% do lucro líquido ajustado na forma de dividendos ou juros sobre capital próprio. Em junho, o banco anunciou R$ 90 milhões em JCP, equivalentes a aproximadamente R$ 0,22 bruto por ação.
O histórico de pagamentos trimestrais continua sendo um diferencial para investidores que buscam renda recorrente. Em 2025, os proventos distribuídos representaram retorno próximo de 10% considerando a cotação de fechamento daquele ano.
A continuidade dos pagamentos, porém, depende da geração de lucro e da manutenção de níveis adequados de capital. Resultados mais fracos ou crescimento da inadimplência podem limitar aumentos futuros na distribuição.

BRSR6 ainda vale a pena?
O Banrisul reúne características valorizadas por investidores de dividendos: marca tradicional, acionista controlador interessado nos proventos e ações negociadas por múltiplos baixos.
Por outro lado, o primeiro trimestre de 2026 mostrou queda acentuada do lucro, ROE de apenas 7,9% e maior pressão das provisões. Portanto, a tese depende menos do desconto atual e mais da capacidade do banco de recuperar a rentabilidade sem comprometer a qualidade da carteira.
BRSR6 pode continuar fazendo sentido em uma estratégia diversificada de longo prazo, mas copiar a posição de Luiz Barsi sem considerar preço, riscos e objetivos pessoais pode levar a decisões equivocadas.
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