As ações da Petrobras voltaram ao centro das discussões entre investidores após a divulgação de resultados robustos e de novas distribuições de proventos. Uma das projeções mais otimistas aponta que a PETR4 poderia entregar mais de R$ 10 por ação em dividendos acumulados ao longo dos próximos anos.
O cálculo, porém, não representa um pagamento já aprovado pela companhia. Trata-se de uma estimativa construída a partir da capacidade histórica de geração de caixa, da política de remuneração aos acionistas e da manutenção de resultados operacionais elevados.
No primeiro trimestre de 2026, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões, avanço de 110% diante dos três meses anteriores. Sem considerar eventos não recorrentes, o lucro alcançou R$ 23,8 bilhões.
O fluxo de caixa operacional chegou a R$ 44 bilhões, enquanto o EBITDA ajustado ficou em R$ 59,6 bilhões. A companhia também investiu R$ 26,8 bilhões no período, com recursos direcionados principalmente à ampliação da produção.
Dividendos da PETR4 podem superar R$ 10?
A Petrobras aprovou R$ 9,03 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio referentes ao primeiro trimestre de 2026. O montante corresponde a aproximadamente R$ 0,70 bruto por ação, dividido em duas parcelas previstas para agosto e setembro.
Somando os pagamentos relacionados ao exercício de 2025, a remuneração aos acionistas atingiu R$ 41,2 bilhões. Esses números demonstram que a estatal continua entre as maiores pagadoras de proventos da Bolsa brasileira.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Lucro líquido no 1º trimestre | R$ 32,7 bilhões |
| Fluxo de caixa operacional | R$ 44 bilhões |
| Proventos aprovados no trimestre | R$ 9,03 bilhões |
| Valor bruto por ação | R$ 0,70 |
| Remuneração relativa a 2025 | R$ 41,2 bilhões |
Para que o investidor receba mais de R$ 10 por ação, entretanto, seria necessário acumular diferentes distribuições durante vários anos. Considerando uma média hipotética próxima de R$ 2,50 a R$ 3,50 anuais, o patamar poderia ser alcançado em aproximadamente três ou quatro anos.
A projeção não é garantida. Os pagamentos dependem do fluxo de caixa livre, dos investimentos, do endividamento e das decisões do Conselho de Administração.
Política prevê 45% do fluxo de caixa livre
A política vigente determina a distribuição de 45% do fluxo de caixa livre quando a dívida bruta estiver dentro do limite definido no plano de negócios e as demais condições financeiras forem atendidas.
A dívida bruta encerrou março em US$ 71,2 bilhões, abaixo do teto de US$ 75 bilhões estabelecido para o período. Essa condição permitiu que a empresa mantivesse a remuneração aos acionistas sem comprometer os investimentos previstos.
Não existe, contudo, um dividendo mínimo automático baseado apenas no preço do barril de petróleo. A capacidade de pagamento está ligada ao caixa efetivamente produzido depois dos investimentos.
PETR4 tem potencial de valorização de 68%?
A estimativa de alta de 68% parte da hipótese de que os múltiplos da Petrobras retornem às médias históricas. Esse movimento dependeria de uma melhora na percepção de risco, da manutenção dos lucros e de um cenário favorável para o petróleo.
Uma ação negociada abaixo de seus múltiplos históricos pode apresentar potencial de recuperação, mas isso não significa que o mercado necessariamente voltará a pagar os mesmos preços observados no passado.
Interferências na política de combustíveis, aumento dos investimentos, queda do petróleo, valorização do dólar e decisões do acionista controlador podem afetar tanto a cotação quanto os dividendos.
Margem Equatorial surge como oportunidade de longo prazo
Outro fator acompanhado pelo mercado é a Margem Equatorial. A Petrobras recebeu autorização para realizar pesquisa exploratória no bloco FZA-M-59, em águas profundas do Amapá.
A perfuração tem como objetivo verificar se existem reservas comercialmente viáveis. Portanto, ainda não é possível afirmar que a região dobrará a produção da companhia. Mesmo que petróleo seja encontrado, serão necessários novos estudos, investimentos e licenciamentos antes do início da produção.
Para o investidor, a Margem Equatorial representa uma opção de crescimento futuro, mas ainda cercada por incertezas geológicas, ambientais e regulatórias.
PETR4 ainda vale a pena?
A Petrobras combina geração de caixa elevada, produção crescente e uma política clara de remuneração. Esses fatores mantêm PETR4 atrativa para investidores que buscam dividendos.
Por outro lado, projeções de R$ 10 em proventos ou valorização de 68% devem ser tratadas como cenários, e não como promessas. O retorno dependerá principalmente do petróleo, da execução dos investimentos e da manutenção da disciplina financeira
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