O Banco do Brasil acumula alta próxima de 30% no ano, mesmo diante de um cenário desafiador para o crédito no Brasil. A inadimplência do sistema financeiro atingiu 4,25% em janeiro de 2026, renovando máxima histórica recente e reforçando a deterioração da qualidade das carteiras.
O movimento chama atenção porque, em tese, ambiente de inadimplência crescente pressiona provisões, reduz lucro e compromete indicadores como ROE e payout. Ainda assim, BBAS3 avança com força, impulsionado principalmente por fluxo estrangeiro e recomposição de posições via ETFs, que redistribuem capital para ações de grande peso no Ibovespa.
A dúvida que surge entre investidores é direta: faz sentido vender após essa forte valorização?
Inadimplência em alta: risco real para o Banco do Brasil?
A alta da inadimplência não é pontual. O crédito, especialmente no agronegócio, ainda enfrenta desafios relevantes. O Banco do Brasil possui uma das maiores exposições ao setor agro entre os grandes bancos, o que amplia a sensibilidade da carteira aos ciclos econômicos e climáticos.
Panorama do crédito (Janeiro/2026)
| Indicador | Dado Atual |
|---|---|
| Inadimplência do sistema | 4,25% |
| CDI | ~15% a.a. |
| Alta de BBAS3 em 2026 (YTD) | ~30% |
| Exposição relevante ao agro | Elevada |
Com juros ainda elevados e crescimento econômico moderado, o custo do crédito permanece alto. Isso tende a manter a inadimplência pressionada ao longo dos próximos trimestres.
Por outro lado, parte desse cenário já está precificado. O mercado não olha apenas para o resultado passado — ele projeta recuperação gradual de rentabilidade nos próximos anos.
Por que a ação sobe mesmo com cenário difícil?
O Banco do Brasil é uma empresa de grande capitalização e forte presença nos principais índices. Em momentos de entrada de capital estrangeiro, seja por estratégia macro ou por rotação para emergentes, BBAS3 tende a ser uma das principais beneficiadas.
Além disso:
Banco do Brasil negocia historicamente com múltiplos descontados.
Dividend yield segue atrativo mesmo com possível ajuste de payout.
Mercado projeta normalização gradual da inadimplência.
Expectativa de melhora progressiva no ROE já começa a entrar nos modelos.
Ou seja, a ação sobe não pelo presente, mas pela expectativa de estabilização futura.
Vender Banco do Brasil agora é errado?
A resposta depende exclusivamente da estratégia do investidor.
Estratégia de longo prazo focada em dividendos
Para quem investe com foco previdenciário e acumulação de ações para geração crescente de renda passiva, vender integralmente pode ser contraditório.
A lógica é simples:
quanto mais ações acumuladas, maior o fluxo futuro de dividendos.
Vender tudo implica:
Reduzir base geradora de renda;
Depender de acertar o “timing” para recomprar mais barato;
Risco de não encontrar novamente margem de segurança adequada.
O grande desafio é que o mercado raramente oferece certeza de recompra em preço inferior.
Alternativa intermediária: realizar apenas o lucro
Para quem está desconfortável com a valorização recente, existe uma alternativa mais equilibrada: vender apenas a parte correspondente ao lucro acumulado.
Exemplo hipotético:
Investimento inicial: R$ 90.000
Valorização acumulada: R$ 13.552
Estratégia intermediária: vender apenas os R$ 13 mil de lucro e manter o capital investido.
Nesse caso:
Parte do ganho é colocado no bolso;
A posição principal permanece ativa;
Dividendos continuam sendo recebidos;
Reduz-se o peso da ação na carteira sem zerar posição.
É uma forma de reduzir risco sem comprometer totalmente a estratégia de longo prazo.
Banco do Brasil ainda pode ficar barato?
Mesmo com possível realização do mercado, não é trivial imaginar BBAS3 voltando a níveis extremamente descontados caso a tese de recuperação gradual se consolide.
Se o mercado passar a projetar:
ROE levemente maior nos próximos 1 a 2 anos;
Normalização parcial do crédito;
Manutenção de dividendos robustos;
o preço pode continuar refletindo essa expectativa.
O investidor que vender precisa considerar o risco de não conseguir recomprar no mesmo patamar.
O ponto central: estratégia acima da emoção
A alta recente gera tentação natural de realizar lucro. Ver a carteira subir desperta impulso de proteção. Isso é humano.
Mas decisões baseadas apenas em movimento de curto prazo podem comprometer um plano estruturado.
Perguntas que o investidor deve responder antes de vender:
Minha estratégia é dividendos ou trade?
Eu preciso desse capital agora?
Tenho convicção de que conseguirei recomprar mais barato?
O Banco do Brasil ainda faz sentido na minha carteira?
Se a resposta estiver alinhada com longo prazo e geração de renda, vender tudo pode ser precipitado.
Se o objetivo for gestão ativa de risco, a realização parcial pode ser alternativa mais coerente.
O Banco do Brasil sobe forte mesmo com crédito pressionado e inadimplência em alta. O cenário não é confortável, mas parte do risco já foi absorvida pelo mercado.
Vender ou manter não é uma questão de certo ou errado — é uma questão de estratégia.
Em momentos como esse, o maior erro não é vender ou segurar.
É agir sem clareza sobre o próprio plano.
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