A PRIO3 entrou em 2026 em um patamar operacional muito diferente do observado nos últimos anos. A produção consolidada atingiu aproximadamente 155 mil barris de óleo equivalente por dia (boepd) no início de 2026, praticamente 50% acima do nível médio registrado no início de 2025.
A evolução operacional foi consistente ao longo do ano passado:
Janeiro/2025: ~114 mil boepd
Setembro/2025 (momento de menor produção): ~71 mil boepd
Dezembro/2025: ~155 mil boepd
Janeiro/2026: ~155 mil boepd
Esse salto reflete principalmente a consolidação total do campo de Peregrino, ativo de grande porte no portfólio da companhia.
Peregrino e Wahoo: os motores de 2026
O campo de Peregrino já representa mais de 100 mil barris/dia dentro do consolidado da empresa. Com 100% da participação integrada, a produção passou a ser integralmente capturada no resultado.
Além disso, o desenvolvimento do campo de Wahoo tem potencial estimado de adicionar até 40 mil boepd quando plenamente operacional.
Se as projeções forem confirmadas, a empresa pode alcançar aproximadamente 200 mil boepd ainda no primeiro semestre de 2026, praticamente dobrando a produção média observada no início de 2025.
Projeção operacional
| Indicador | 2025 (média início do ano) | Dez/2025 | Início 2026 | Potencial 2026 |
|---|---|---|---|---|
| Produção (boepd) | ~114 mil | ~155 mil | ~155 mil | ~200 mil |
| Peregrino | Parcial | 80% refletido | 100% consolidado | Pleno impacto |
| Wahoo | Em licença | Em desenvolvimento | Em implantação | + até 40 mil |
Atingir 200 mil barris/dia não é apenas um número simbólico. Trata-se de um divisor estrutural de geração de caixa.
Diluição de custos pode impulsionar margens
Nos últimos trimestres, o lifting cost (custo de extração por barril) subiu para níveis próximos de US$ 17 por barril, após já ter operado abaixo de US$ 7 em ciclos anteriores.
Grande parte dessa elevação foi consequência da queda temporária de produção. Com maior volume produzido, os custos fixos são diluídos.
Caso a produção atinja 200 mil barris/dia e o lifting cost recue para níveis mais competitivos, a expansão de margem pode ser significativa — mesmo com petróleo em níveis moderados.
Receita em dólar: proteção natural
A empresa vende petróleo indexado ao dólar. Isso significa:
Receita dolarizada
Proteção contra desvalorização do real
Hedge natural cambial
Em cenários de volatilidade política ou fiscal, empresas exportadoras tendem a apresentar comportamento mais resiliente na Bolsa.
Esse fator adiciona um perfil defensivo à tese, diferenciando PRIO3 de empresas puramente domésticas.
Estrutura financeira: alavancagem controlada
Após as aquisições recentes, a alavancagem está próxima de 2,0x Dívida Líquida/EBITDA.
Embora superior ao nível histórico da companhia, o patamar ainda é considerado administrável, principalmente porque os próprios ativos adquiridos geram caixa robusto.
A empresa mantém caixa bilionário e forte capacidade de geração operacional, o que reduz o risco financeiro estrutural.
Recompra de ações reforça confiança
A companhia aprovou programa de recompra que pode alcançar até 87 milhões de ações.
A recompra tende a:
Reduzir ações em circulação
Aumentar lucro por ação
Melhorar eficiência de capital
Esse movimento costuma indicar que a própria administração enxerga as ações negociadas abaixo do valor considerado justo.
Indicadores de mercado
Atualmente, PRIO3 é negociada próxima da faixa de R$ 50–55, com valor de mercado ao redor de R$ 40 bilhões.
Mesmo após a recente valorização, múltiplos seguem competitivos dentro do setor, especialmente considerando o crescimento projetado de produção.
Se a companhia entregar 200 mil boepd com melhora de eficiência, o lucro pode entrar em um novo patamar estrutural.
Principais riscos
Apesar do cenário construtivo, três riscos precisam ser monitorados:
Queda acentuada no Brent – impacto direto na receita.
Risco regulatório – possibilidade de tributação sobre exportação.
Risco de execução operacional – atrasos ou falhas técnicas.
A diferença está na capacidade da empresa de controlar custos e executar projetos com disciplina.
Por que PRIO3 pode se destacar em 2026
A tese combina três vetores poderosos:
Crescimento relevante de produção
Foco em eficiência operacional
Receita dolarizada
Se o plano operacional for cumprido, 2026 pode marcar a transição da empresa para um novo ciclo de geração de caixa.
Em um mercado onde muitos buscam o próximo ativo da moda, PRIO3 apresenta algo diferente: escala crescente, disciplina operacional e exposição ao dólar.
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