As ações preferenciais da Marcopolo, negociadas pelo código POMO4, encerraram o pregão de 12 de junho de 2026 cotadas a R$ 5,86. O papel avançou 1,03% naquele dia, mas permanece pressionado diante das dúvidas sobre o ritmo de crescimento da fabricante de ônibus.
A cautela ocorre mesmo depois de a companhia apresentar avanço no lucro e melhora da margem operacional no primeiro trimestre. O principal ponto de atenção está na redução do volume produzido, que indica um ambiente de demanda menos favorável em determinados segmentos.
Para o investidor, o cenário reúne dois lados. A Marcopolo continua lucrativa, mantém operações internacionais relevantes e apresentou dividendos elevados em 2025. Por outro lado, a desaceleração da produção e o payout próximo de 95% exigem atenção antes de considerar os últimos proventos como recorrentes.
Lucro cresce 8,8% no primeiro trimestre
A Marcopolo registrou lucro líquido consolidado de R$ 264,6 milhões no primeiro trimestre de 2026. O resultado representa crescimento de 8,8% em comparação com os R$ 243,1 milhões apurados no mesmo período de 2025.
A receita líquida ficou em R$ 1,66 bilhão. Desse total, R$ 899,7 milhões vieram do mercado interno, R$ 159,3 milhões das exportações realizadas a partir do Brasil e R$ 596,2 milhões das operações internacionais.
O Ebitda alcançou R$ 304,8 milhões, alta de 16,3% na comparação anual. A margem Ebitda subiu de 15,6% para 18,4%, mostrando que a empresa conseguiu melhorar sua eficiência mesmo sem apresentar expansão significativa da receita.
| Indicador | 1º trimestre de 2026 |
|---|---|
| Receita líquida | R$ 1,66 bilhão |
| Lucro líquido | R$ 264,6 milhões |
| Crescimento do lucro | 8,8% |
| Ebitda | R$ 304,8 milhões |
| Margem Ebitda | 18,4% |
| Produção mundial | 2.997 veículos |
Produção menor acende sinal de atenção
A produção mundial da Marcopolo totalizou 2.997 unidades no trimestre. Foram 2.634 veículos fabricados no Brasil e 363 nas operações internacionais.
O volume representa retração em relação ao primeiro trimestre de 2025. Mesmo assim, a companhia conseguiu ampliar o lucro por meio de maior eficiência, controle de despesas e melhor composição das vendas.
Os segmentos de micro-ônibus e veículos Volare tiveram desempenho positivo. A Marcopolo entregou 771 unidades vinculadas ao programa Caminho da Escola, ante 692 veículos no mesmo período do ano anterior.
As entregas públicas ajudam a sustentar a demanda, mas também tornam parte do resultado dependente de licitações, calendários governamentais e disponibilidade de recursos para renovação de frotas.
Dividendos de POMO4 chamam atenção
A Marcopolo distribuiu R$ 0,936 por ação em dividendos e juros sobre capital próprio ao longo de 2025. Considerando o preço de R$ 5,97 no encerramento daquele ano, o dividend yield calculado pela companhia chegou a 15,7%.
O valor foi significativamente superior aos R$ 0,782 por ação distribuídos em 2024. Entretanto, o payout avançou para 94,9%, indicando que quase todo o lucro considerado pela empresa foi destinado aos acionistas.
| Ano | Proventos por ação | Dividend yield |
| 2023 | R$ 0,201 | 3,4% |
| 2024 | R$ 0,782 | 6,4% |
| 2025 | R$ 0,936 | 15,7% |
O elevado rendimento passado não garante pagamentos semelhantes em 2026. A distribuição dependerá dos lucros, da geração de caixa, das necessidades de investimento e das decisões do conselho de administração.
Operações internacionais ajudam a diversificar receitas
A Marcopolo possui unidades e negócios em diferentes mercados. No primeiro trimestre, a operação da Volgren, na Austrália, apresentou crescimento de volumes, receita e rentabilidade.
Essa presença internacional reduz parcialmente a dependência do mercado brasileiro. Ao mesmo tempo, expõe a empresa às oscilações cambiais, aos custos de produção no exterior e às condições econômicas de cada região.
No Brasil, os juros elevados podem dificultar a renovação de frotas por empresas de transporte. Programas públicos e novos contratos podem compensar parte dessa pressão, mas os volumes devem ser acompanhados nos próximos balanços.
POMO4 está barata?
A cotação de R$ 5,86 coloca POMO4 próxima do preço de encerramento de 2025, de R$ 5,97. O valor mais baixo pode parecer atrativo diante do lucro e dos dividendos recentes, mas não elimina os riscos operacionais.
Os pontos positivos são a rentabilidade, a melhora da margem Ebitda, a diversificação internacional e o histórico recente de proventos. Os principais riscos são a queda da produção, a dependência de encomendas públicas e a possibilidade de redução dos dividendos após o payout elevado de 2025.
POMO4 pode permanecer no radar de investidores que procuram renda e aceitam oscilações no médio e longo prazo. A evolução dos volumes, das margens e da geração de caixa nos próximos trimestres será determinante para uma recuperação mais consistente das ações.
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