As ações preferenciais da Petrobras operam em forte queda nesta segunda-feira, 15 de junho de 2026, acompanhando a desvalorização do petróleo no mercado internacional.
Durante o pregão, PETR4 recuava pouco mais de 4%, negociada na região de R$ 39,50. O papel havia encerrado a sessão anterior cotado a aproximadamente R$ 41,18 e oscilava entre R$ 39,38 e R$ 39,92.
As ações ordinárias PETR3 também registravam perdas superiores a 4%. Outras produtoras de petróleo negociadas na B3, como PRIO3, RECV3 e BRAV3, operavam em baixa diante da redução das cotações internacionais da commodity.
O movimento das petroleiras contrastava com a alta de parte do mercado brasileiro. O Ibovespa avançava durante a sessão, beneficiado pela melhora do apetite por risco e pela redução dos temores relacionados à inflação global.
Acordo entre EUA e Irã derruba o petróleo
A pressão sobre a Petrobras começou após Estados Unidos e Irã anunciarem um acordo preliminar para encerrar o conflito e trabalhar pela reabertura do Estreito de Ormuz.
A passagem marítima é estratégica para o mercado de energia, pois concentra aproximadamente 20% do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito. O bloqueio e as restrições à navegação elevaram os preços dos combustíveis e ampliaram as preocupações com a inflação.
Com o anúncio do entendimento, o petróleo Brent caiu quase 5% e passou a ser negociado perto de US$ 83 por barril. O valor continua acima dos níveis observados antes do início do conflito, quando a referência internacional estava próxima de US$ 70.
O acordo ainda precisa ser formalizado e implementado. A assinatura oficial está prevista para sexta-feira, 19 de junho, na Suíça. Além disso, companhias de transporte marítimo continuam cautelosas porque a retomada das operações depende de segurança, retirada de minas e normalização dos seguros.
Por que a Petrobras cai com o petróleo
A cotação do petróleo afeta diretamente as receitas e a geração de caixa das produtoras. Quando o barril cai, o mercado passa a projetar preços menores para o petróleo vendido pela Petrobras, reduzindo as expectativas sobre lucros e dividendos futuros.
Isso não significa que uma queda pontual do Brent provocará necessariamente uma deterioração imediata dos resultados. A companhia também depende do volume produzido, do câmbio, dos custos operacionais, dos investimentos e dos preços praticados no mercado brasileiro.
Entretanto, como PETR4 acumula valorização expressiva em 2026, investidores também podem aproveitar o recuo do petróleo para realizar lucros, ampliando a pressão vendedora durante o pregão.
Petrobras mantém pagamentos aos acionistas
Apesar da queda das ações, a Petrobras possui pagamentos de proventos já aprovados. A próxima distribuição está programada para 22 de junho de 2026, referente à segunda parcela da remuneração do quarto trimestre de 2025.
O valor bruto oficial é de aproximadamente R$ 0,31 por ação, pago na forma de juros sobre capital próprio. Após a retenção de Imposto de Renda, o valor informado pela companhia corresponde a cerca de R$ 0,27 por ação, salvo situações específicas de isenção.
A empresa também aprovou aproximadamente R$ 9,03 bilhões em juros sobre capital próprio referentes ao primeiro trimestre de 2026. Os pagamentos serão divididos entre agosto e setembro.
| Data prevista | Valor bruto por ação | Valor líquido informado |
|---|---|---|
| 22 de junho de 2026 | R$ 0,31 | R$ 0,27 |
| 20 de agosto de 2026 | R$ 0,35 | R$ 0,29 |
| 21 de setembro de 2026 | R$ 0,35 | R$ 0,29 |
Os proventos de agosto e setembro consideram a posição acionária de 1º de junho de 2026. Portanto, investidores que comprarem PETR4 após essa data não terão direito a esses dois pagamentos.
Queda de PETR4 exige cautela
O recuo pode chamar a atenção de investidores interessados em dividendos, mas a decisão não deve considerar apenas a queda de um dia. A Petrobras permanece exposta à volatilidade do petróleo, ao câmbio, aos investimentos bilionários e às decisões de seu acionista controlador.
A implementação do acordo entre Estados Unidos e Irã também permanece no radar. Caso a navegação pelo Estreito de Ormuz seja normalizada, o petróleo pode perder parte adicional do prêmio geopolítico. Se surgirem dificuldades para cumprir os termos, as cotações poderão voltar a apresentar forte volatilidade.
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