A PRIO3 começa a chamar a atenção dos investidores não apenas pelo crescimento da produção de petróleo, mas também pela possibilidade de iniciar uma política mais ampla de remuneração aos acionistas.
A companhia incluiu a criação dessa política entre seus próximos passos e informou ao mercado que pretende avançar com o tema ao longo de 2026. Até o momento, porém, não existe valor por ação, calendário de pagamento ou dividend yield oficialmente anunciado.
Isso significa que projeções de retornos elevados devem ser tratadas como estimativas de analistas, e não como dividendos garantidos pela empresa.
Produção alcança novo patamar
No primeiro trimestre de 2026, a PRIO registrou produção média de aproximadamente 155,4 mil barris de óleo equivalente por dia. O volume representa crescimento próximo de 42% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A expansão foi impulsionada principalmente pela consolidação da participação no Campo de Peregrino e pelo início da produção em Wahoo, projeto conectado à estrutura de Frade.
Com o aumento da escala, a empresa conseguiu diluir custos e ampliar sua capacidade de geração de caixa. O lifting cost, indicador que mede o custo de extração, ficou em aproximadamente US$ 9,40 por barril no trimestre.
| Indicador da PRIO | Primeiro trimestre de 2026 |
|---|---|
| Produção média | 155,4 mil barris por dia |
| Receita total | Cerca de US$ 1,2 bilhão |
| EBITDA ajustado | Aproximadamente US$ 822 milhões |
| Margem EBITDA ajustada | Cerca de 74% |
| Lifting cost | US$ 9,40 por barril |
| Dívida líquida | Aproximadamente US$ 4,4 bilhões |
| Alavancagem | Cerca de 2 vezes |
A receita total cresceu com o avanço das vendas e da produção. O EBITDA ajustado, que representa a geração operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, também apresentou forte expansão anual.
Dívida ainda será decisiva para os dividendos
Apesar do desempenho operacional, a PRIO ainda carrega uma dívida relevante, relacionada principalmente às aquisições e ao desenvolvimento de novos projetos.
A alavancagem terminou o primeiro trimestre próxima de duas vezes a relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado. Esse nível não representa, isoladamente, uma situação de desequilíbrio, mas limita uma distribuição imediata de todo o caixa disponível.
A administração avalia criar uma política que considere simultaneamente o preço médio do petróleo e uma meta de alavancagem. Em um cenário de Brent mais alto e dívida menor, haveria mais espaço para dividendos e recompra de ações.
Caso o petróleo caia, a dívida aumente ou a companhia realize outra aquisição de grande porte, a remuneração poderá ser reduzida.
Projeções apontam retornos elevados
A Genial Investimentos elaborou cenários para estimar a capacidade futura de distribuição da PRIO. Os cálculos consideram produção, preço do Brent, investimentos, redução da dívida e ausência de novas aquisições relevantes.
Dependendo das premissas utilizadas, o retorno potencial aos acionistas poderia variar de aproximadamente 17% a 40%. Nos cenários intermediários, com o petróleo entre US$ 70 e US$ 80 por barril, as estimativas ficariam próximas de 29% a 37%.
Esses percentuais não representam dividendos aprovados. Também podem incluir uma combinação de dividendos e recompra de ações, além de dependerem da cotação usada no cálculo.
O Bradesco BBI também estimou que a remuneração total da PRIO, somando dividendos e recompras, poderia alcançar média próxima de 18% ao ano entre 2026 e 2030. Novamente, trata-se de uma projeção baseada em fluxo de caixa futuro.
PRIO3 ainda é uma ação cíclica
Mesmo com a possibilidade de proventos, a PRIO continuará exposta ao preço internacional do petróleo, ao dólar, ao desempenho dos campos e aos riscos de execução dos projetos.
A receita é predominantemente dolarizada, enquanto parte dos custos é paga em reais. Por isso, a valorização do dólar pode favorecer os resultados em moeda brasileira, embora contratos, proteção cambial e despesas financeiras também influenciem o balanço.
O investidor também precisa ter cautela com múltiplos aparentemente baixos. Em empresas cíclicas, o preço sobre lucro pode cair quando os resultados estão próximos de um pico, sem significar necessariamente que a ação esteja barata.
Banco Clássico amplia participação na Cemig
Outro movimento relevante ocorreu na Cemig. O Banco Clássico, controlado pelo empresário José João Abdalla Filho, ampliou sua participação na companhia por meio do fundo Dinâmica Energia.
O fundo adquiriu aproximadamente 7,4 milhões de ações preferenciais da Cemig e elevou sua fatia no capital total de 16,89% para 17,63%.
O comunicado informou que o investimento busca ampliar a exposição ao setor de energia elétrica e à infraestrutura brasileira. O movimento reforça a posição de Abdalla como um dos maiores acionistas privados da estatal mineira.
A compra, entretanto, não garante valorização de CMIG3 ou CMIG4. Grandes investidores possuem objetivos, prazos e capacidade financeira diferentes dos pequenos acionistas.
PRIO3 será uma nova pagadora de dividendos?
A PRIO possui produção crescente, custos competitivos e forte geração operacional, fatores que podem sustentar uma política relevante de remuneração.
Entretanto, ainda é cedo para classificar a companhia como uma grande pagadora de dividendos. Essa conclusão dependerá da política oficial, da redução da dívida e dos valores efetivamente aprovados.
Por enquanto, o cenário é promissor, mas os percentuais divulgados pelo mercado continuam sendo projeções.
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