O mercado financeiro aumentou novamente a previsão para a inflação brasileira em 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 15 de junho, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, passou de 5,11% para 5,30%.
A revisão representa uma alta de 0,19 ponto percentual em apenas uma semana e marca a 14ª elevação consecutiva da projeção. O resultado mantém a inflação esperada acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central.
A meta contínua de inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o limite superior é de 4,50%.
As expectativas também pioraram para os próximos anos. A projeção do IPCA de 2027 avançou de 4,03% para 4,10%, enquanto a estimativa para 2028 subiu de 3,65% para 3,68%.
Selic deve terminar o ano em 13,75%
A piora do cenário inflacionário levou os economistas a elevar a previsão para a taxa básica de juros. A estimativa para a Selic no encerramento de 2026 passou de 13,50% para 13,75% ao ano.
A Selic está atualmente em 14,50% ao ano. Portanto, o mercado ainda espera redução dos juros até dezembro, mas agora projeta uma queda acumulada de apenas 0,75 ponto percentual em relação ao patamar atual.
Na semana anterior, a expectativa indicava espaço para uma redução de um ponto percentual até o final do ano. A nova projeção mostra que os analistas passaram a enxergar uma margem menor para cortes.
Para 2027, a previsão da Selic aumentou de 11,50% para 12%. Já para 2028, a estimativa avançou de 10% para 10,25% ao ano.
Petróleo e cenário internacional pressionam os preços
O aumento das expectativas de inflação ocorre em meio às incertezas internacionais e às oscilações do petróleo. Uma alta prolongada da commodity pode elevar os custos dos combustíveis, do transporte de cargas e da produção industrial.
O impacto não fica limitado à gasolina e ao diesel. O petróleo também está presente na produção de fertilizantes, plásticos, embalagens e produtos químicos, aumentando o risco de reajustes em diferentes setores da economia.
Condições climáticas desfavoráveis representam outra fonte de preocupação. Problemas nas colheitas podem reduzir a oferta de produtos agrícolas e elevar os preços de alimentos vendidos nos supermercados.
O mercado também monitora os estímulos fiscais e tributários capazes de aumentar a renda disponível e o consumo das famílias. Caso a demanda cresça mais rapidamente do que a oferta de produtos e serviços, novas pressões sobre os preços podem aparecer.
PIB sobe para 1,96% e dólar avança a R$ 5,20
Apesar da piora nas expectativas para inflação e juros, o mercado elevou a projeção de crescimento da economia brasileira.
A estimativa para o Produto Interno Bruto em 2026 passou de 1,91% para 1,96%. Para 2027, a previsão permaneceu em 1,70%, enquanto a projeção para 2028 continuou em 2%.
A previsão para o dólar no encerramento de 2026 também aumentou. A cotação esperada passou de R$ 5,15 para R$ 5,20.
Para o final de 2027, a estimativa da moeda norte-americana avançou de R$ 5,20 para R$ 5,25. Em 2028, a projeção permaneceu em R$ 5,30.
| Indicador | Projeção anterior | Projeção atual |
|---|---|---|
| IPCA de 2026 | 5,11% | 5,30% |
| Selic no fim de 2026 | 13,50% | 13,75% |
| PIB de 2026 | 1,91% | 1,96% |
| Dólar no fim de 2026 | R$ 5,15 | R$ 5,20 |
| IPCA de 2027 | 4,03% | 4,10% |
| Selic no fim de 2027 | 11,50% | 12% |
Inflação e juros afetam consumidores e empresas
Para os consumidores, uma inflação de 5,30% representa perda do poder de compra, principalmente em despesas essenciais como alimentação, transporte, energia e moradia.
Os juros elevados também mantêm caros os empréstimos, financiamentos, cartões de crédito e parcelamentos. Para as empresas, o cenário aumenta o custo de obtenção de recursos e pode reduzir investimentos e contratações.
O Comitê de Política Monetária se reúne nesta semana para decidir o novo patamar da Selic. Embora parte do mercado ainda espere um corte de 0,25 ponto percentual, o avanço das expectativas de inflação pode levar o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






