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Início » Focus eleva inflação a 5,30% e Selic a 13,75% em 2026
Economia

Focus eleva inflação a 5,30% e Selic a 13,75% em 2026

Mercado aumenta projeções para inflação juros PIB e dólar enquanto Banco Central se prepara para nova decisão sobre a Selic
Carlos MenezesPor Carlos Menezes15 de junho de 20264 minutos lidos
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O mercado financeiro aumentou novamente a previsão para a inflação brasileira em 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 15 de junho, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, passou de 5,11% para 5,30%.

A revisão representa uma alta de 0,19 ponto percentual em apenas uma semana e marca a 14ª elevação consecutiva da projeção. O resultado mantém a inflação esperada acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central.

A meta contínua de inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o limite superior é de 4,50%.

As expectativas também pioraram para os próximos anos. A projeção do IPCA de 2027 avançou de 4,03% para 4,10%, enquanto a estimativa para 2028 subiu de 3,65% para 3,68%.

Selic deve terminar o ano em 13,75%

A piora do cenário inflacionário levou os economistas a elevar a previsão para a taxa básica de juros. A estimativa para a Selic no encerramento de 2026 passou de 13,50% para 13,75% ao ano.

A Selic está atualmente em 14,50% ao ano. Portanto, o mercado ainda espera redução dos juros até dezembro, mas agora projeta uma queda acumulada de apenas 0,75 ponto percentual em relação ao patamar atual.

Na semana anterior, a expectativa indicava espaço para uma redução de um ponto percentual até o final do ano. A nova projeção mostra que os analistas passaram a enxergar uma margem menor para cortes.

Para 2027, a previsão da Selic aumentou de 11,50% para 12%. Já para 2028, a estimativa avançou de 10% para 10,25% ao ano.

Petróleo e cenário internacional pressionam os preços

O aumento das expectativas de inflação ocorre em meio às incertezas internacionais e às oscilações do petróleo. Uma alta prolongada da commodity pode elevar os custos dos combustíveis, do transporte de cargas e da produção industrial.

O impacto não fica limitado à gasolina e ao diesel. O petróleo também está presente na produção de fertilizantes, plásticos, embalagens e produtos químicos, aumentando o risco de reajustes em diferentes setores da economia.

Condições climáticas desfavoráveis representam outra fonte de preocupação. Problemas nas colheitas podem reduzir a oferta de produtos agrícolas e elevar os preços de alimentos vendidos nos supermercados.

O mercado também monitora os estímulos fiscais e tributários capazes de aumentar a renda disponível e o consumo das famílias. Caso a demanda cresça mais rapidamente do que a oferta de produtos e serviços, novas pressões sobre os preços podem aparecer.

PIB sobe para 1,96% e dólar avança a R$ 5,20

Apesar da piora nas expectativas para inflação e juros, o mercado elevou a projeção de crescimento da economia brasileira.

A estimativa para o Produto Interno Bruto em 2026 passou de 1,91% para 1,96%. Para 2027, a previsão permaneceu em 1,70%, enquanto a projeção para 2028 continuou em 2%.

A previsão para o dólar no encerramento de 2026 também aumentou. A cotação esperada passou de R$ 5,15 para R$ 5,20.

Para o final de 2027, a estimativa da moeda norte-americana avançou de R$ 5,20 para R$ 5,25. Em 2028, a projeção permaneceu em R$ 5,30.

IndicadorProjeção anteriorProjeção atual
IPCA de 20265,11%5,30%
Selic no fim de 202613,50%13,75%
PIB de 20261,91%1,96%
Dólar no fim de 2026R$ 5,15R$ 5,20
IPCA de 20274,03%4,10%
Selic no fim de 202711,50%12%

Inflação e juros afetam consumidores e empresas

Para os consumidores, uma inflação de 5,30% representa perda do poder de compra, principalmente em despesas essenciais como alimentação, transporte, energia e moradia.

Os juros elevados também mantêm caros os empréstimos, financiamentos, cartões de crédito e parcelamentos. Para as empresas, o cenário aumenta o custo de obtenção de recursos e pode reduzir investimentos e contratações.

O Comitê de Política Monetária se reúne nesta semana para decidir o novo patamar da Selic. Embora parte do mercado ainda espere um corte de 0,25 ponto percentual, o avanço das expectativas de inflação pode levar o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa.

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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Atua há mais de 15 anos acompanhando os indicadores econômicos e as políticas públicas que influenciam o cenário financeiro brasileiro. Em A Revista, explica como as decisões econômicas impactam o dia a dia das pessoas e das empresas.

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