As ações da Auren Energia voltaram ao radar dos investidores depois de acumularem uma queda superior a 20% em relação à máxima de 52 semanas. No início de julho de 2026, AURE3 era negociada perto de R$ 11,60, abaixo do pico de R$ 14,66 registrado no período de um ano.
O preço mais baixo chama atenção principalmente porque a companhia ocupa uma posição relevante no setor elétrico e faz parte das movimentações recentes de Luiz Barsi. Em setembro de 2025, o investidor afirmou que estava vendendo ações da então Eletrobras para aumentar sua exposição à Auren.
Apesar do potencial, comprar AURE3 significa assumir riscos consideravelmente maiores do que aqueles encontrados em empresas elétricas mais consolidadas e lucrativas.
Auren já é uma das maiores geradoras do Brasil
A Auren é atualmente a terceira maior geradora de energia do país. A companhia possui 8,7 GW de capacidade instalada, 39 ativos de geração e presença em nove estados, com um portfólio formado por hidrelétricas, parques eólicos e usinas solares.
Esse tamanho foi alcançado após a formação da empresa a partir dos ativos da Votorantim Energia, CPP Investments e CESP, além da posterior aquisição da AES Brasil.
A incorporação transformou a Auren em uma das principais plataformas de energia renovável da Bolsa, mas também elevou significativamente seu endividamento. Portanto, o crescimento operacional ainda não se converteu em geração consistente de valor para os acionistas.
Resultado do 1T26 mostrou crescimento e prejuízo
No primeiro trimestre de 2026, a Auren registrou receita líquida de aproximadamente R$ 3,10 bilhões, avanço de 4% na comparação anual. O volume comercializado cresceu 13%, enquanto a geração de energia aumentou 7%.
Mesmo assim, o Ebitda ajustado caiu 23,2%, para R$ 925,90 milhões. A companhia terminou o trimestre com prejuízo líquido de R$ 601,60 milhões, revertendo o lucro de R$ 54 milhões apurado no mesmo período de 2025.
| Indicador do 1T26 | Resultado | Variação anual |
|---|---|---|
| Receita líquida | R$ 3,10 bilhões | +4% |
| Ebitda ajustado | R$ 925,90 milhões | -23,2% |
| Resultado líquido | Prejuízo de R$ 601,60 milhões | Reversão de lucro |
| Dívida líquida | R$ 19,10 bilhões | — |
| Alavancagem | 5,2 vezes | Acima do 1T25 |
Parte do prejuízo teve origem na marcação a mercado dos contratos futuros de energia. Embora seja um efeito predominantemente contábil, ele evidencia a volatilidade existente na operação de comercialização.
Curtailment continua pressionando a companhia
Outro problema importante é o chamado curtailment, expressão utilizada para os cortes obrigatórios na geração de energia determinados pelo Operador Nacional do Sistema.
Essas restrições atingem principalmente parques solares e eólicos em momentos de excesso de oferta ou insuficiência da infraestrutura de transmissão. No 1T26, o curtailment provocou impacto negativo de R$ 86,20 milhões sobre a Auren.
A companhia conseguiu compensar integralmente esse valor com um ganho de R$ 97,20 milhões obtido por meio da modulação de energia. Essa estratégia consiste em ajustar a comercialização conforme horários, preços e perfis de produção de cada fonte.
Mesmo com essa compensação, os cortes de geração permanecem entre os principais riscos da tese de AURE3.
Dívida elevada limita dividendos
O principal ponto de atenção continua sendo a estrutura financeira. Ao final do 1T26, a dívida líquida estava próxima de R$ 19,10 bilhões, enquanto a relação entre dívida líquida e Ebitda alcançava 5,2 vezes.
Esse patamar é elevado até mesmo para o setor elétrico, que tradicionalmente trabalha com maior endividamento devido à natureza intensiva em capital de seus projetos.
A consequência aparece diretamente nos dividendos. A Auren não anunciou proventos em 2026 até o início de julho. O pagamento mais recente foi de aproximadamente R$ 0,06 por ação, realizado em maio de 2025.
Sem lucro recorrente e com alavancagem elevada, qualquer retomada mais robusta dos dividendos dependerá da melhora operacional, da redução da dívida e da geração de caixa.
AURE3 está barata?
A resposta não é simples. Como a empresa apresenta prejuízo e não possui um fluxo regular de dividendos, indicadores tradicionais como preço sobre lucro e modelos baseados em dividendos perdem utilidade.
A XP mantém recomendação neutra para AURE3, com preço-alvo de R$ 13,80 para o final de 2026. A instituição estima uma taxa interna de retorno real de 11,9%, superior à de algumas concorrentes, mas classifica o risco como alto.
Isso significa que o potencial de valorização existe, mas está diretamente associado à capacidade de a Auren reduzir a dívida, superar os efeitos do curtailment e recuperar sua lucratividade.
AURE3 pode ser considerada uma tese de recuperação e não uma ação defensiva de dividendos. Para o investidor, a posição exige controle de exposição e disposição para enfrentar volatilidade. O interesse de Luiz Barsi reforça a relevância da companhia, mas não elimina os riscos individuais de cada carteira.
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