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Início » Últimas Notícias » AURE3 está barata ou é uma armadilha? Dívida e prejuízo dividem investidores
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AURE3 está barata ou é uma armadilha? Dívida e prejuízo dividem investidores

Auren reúne ativos renováveis, escala e elevado potencial de valorização, mas prejuízo, alavancagem e cortes de geração aumentam o risco para o investidor
André CarvalhoPor André Carvalho3 de julho de 20264 minutos lidos
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As ações da Auren Energia voltaram ao radar dos investidores depois de acumularem uma queda superior a 20% em relação à máxima de 52 semanas. No início de julho de 2026, AURE3 era negociada perto de R$ 11,60, abaixo do pico de R$ 14,66 registrado no período de um ano.

O preço mais baixo chama atenção principalmente porque a companhia ocupa uma posição relevante no setor elétrico e faz parte das movimentações recentes de Luiz Barsi. Em setembro de 2025, o investidor afirmou que estava vendendo ações da então Eletrobras para aumentar sua exposição à Auren.

Apesar do potencial, comprar AURE3 significa assumir riscos consideravelmente maiores do que aqueles encontrados em empresas elétricas mais consolidadas e lucrativas.

Auren já é uma das maiores geradoras do Brasil

A Auren é atualmente a terceira maior geradora de energia do país. A companhia possui 8,7 GW de capacidade instalada, 39 ativos de geração e presença em nove estados, com um portfólio formado por hidrelétricas, parques eólicos e usinas solares.

Esse tamanho foi alcançado após a formação da empresa a partir dos ativos da Votorantim Energia, CPP Investments e CESP, além da posterior aquisição da AES Brasil.

A incorporação transformou a Auren em uma das principais plataformas de energia renovável da Bolsa, mas também elevou significativamente seu endividamento. Portanto, o crescimento operacional ainda não se converteu em geração consistente de valor para os acionistas.

Resultado do 1T26 mostrou crescimento e prejuízo

No primeiro trimestre de 2026, a Auren registrou receita líquida de aproximadamente R$ 3,10 bilhões, avanço de 4% na comparação anual. O volume comercializado cresceu 13%, enquanto a geração de energia aumentou 7%.

Mesmo assim, o Ebitda ajustado caiu 23,2%, para R$ 925,90 milhões. A companhia terminou o trimestre com prejuízo líquido de R$ 601,60 milhões, revertendo o lucro de R$ 54 milhões apurado no mesmo período de 2025.

Indicador do 1T26ResultadoVariação anual
Receita líquidaR$ 3,10 bilhões+4%
Ebitda ajustadoR$ 925,90 milhões-23,2%
Resultado líquidoPrejuízo de R$ 601,60 milhõesReversão de lucro
Dívida líquidaR$ 19,10 bilhões—
Alavancagem5,2 vezesAcima do 1T25

Parte do prejuízo teve origem na marcação a mercado dos contratos futuros de energia. Embora seja um efeito predominantemente contábil, ele evidencia a volatilidade existente na operação de comercialização.

Curtailment continua pressionando a companhia

Outro problema importante é o chamado curtailment, expressão utilizada para os cortes obrigatórios na geração de energia determinados pelo Operador Nacional do Sistema.

Essas restrições atingem principalmente parques solares e eólicos em momentos de excesso de oferta ou insuficiência da infraestrutura de transmissão. No 1T26, o curtailment provocou impacto negativo de R$ 86,20 milhões sobre a Auren.

A companhia conseguiu compensar integralmente esse valor com um ganho de R$ 97,20 milhões obtido por meio da modulação de energia. Essa estratégia consiste em ajustar a comercialização conforme horários, preços e perfis de produção de cada fonte.

Mesmo com essa compensação, os cortes de geração permanecem entre os principais riscos da tese de AURE3.

Dívida elevada limita dividendos

O principal ponto de atenção continua sendo a estrutura financeira. Ao final do 1T26, a dívida líquida estava próxima de R$ 19,10 bilhões, enquanto a relação entre dívida líquida e Ebitda alcançava 5,2 vezes.

Esse patamar é elevado até mesmo para o setor elétrico, que tradicionalmente trabalha com maior endividamento devido à natureza intensiva em capital de seus projetos.

A consequência aparece diretamente nos dividendos. A Auren não anunciou proventos em 2026 até o início de julho. O pagamento mais recente foi de aproximadamente R$ 0,06 por ação, realizado em maio de 2025.

Sem lucro recorrente e com alavancagem elevada, qualquer retomada mais robusta dos dividendos dependerá da melhora operacional, da redução da dívida e da geração de caixa.

AURE3 está barata?

A resposta não é simples. Como a empresa apresenta prejuízo e não possui um fluxo regular de dividendos, indicadores tradicionais como preço sobre lucro e modelos baseados em dividendos perdem utilidade.

A XP mantém recomendação neutra para AURE3, com preço-alvo de R$ 13,80 para o final de 2026. A instituição estima uma taxa interna de retorno real de 11,9%, superior à de algumas concorrentes, mas classifica o risco como alto.

Isso significa que o potencial de valorização existe, mas está diretamente associado à capacidade de a Auren reduzir a dívida, superar os efeitos do curtailment e recuperar sua lucratividade.

AURE3 pode ser considerada uma tese de recuperação e não uma ação defensiva de dividendos. Para o investidor, a posição exige controle de exposição e disposição para enfrentar volatilidade. O interesse de Luiz Barsi reforça a relevância da companhia, mas não elimina os riscos individuais de cada carteira.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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