A discussão em torno de uma possível anistia a Jair Bolsonaro ganhou força após as recentes movimentações no Congresso, mas o tema encontrou forte resistência em Brasília. De um lado, aliados do ex-presidente pressionam para aprovar uma proposta que o reabilite politicamente; do outro, governo, Supremo Tribunal Federal (STF) e parte do Centrão buscam alternativas para frear o avanço.
Impasses e articulações no Congresso
O deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) apresentou ao colégio de líderes uma proposta alternativa à anistia ampla: a chamada “PEC da blindagem”. O texto prevê que o Congresso autorize processos contra parlamentares, em um modelo considerado mais leve e com maiores chances de aceitação pelo STF.
Apesar disso, a pressão da ala bolsonarista segue forte para manter o projeto de anistia em pauta, ainda que enfrentando dificuldades de tramitação no Senado, sob o comando de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Oposição aposta em longo prazo
Para os aliados de Bolsonaro, mesmo diante da resistência, o tempo pode jogar a favor. Eles acreditam que, ao longo de uma tramitação estendida, conseguirão acumular pressão política e eventualmente conquistar votos no Supremo. A estratégia envolve também lobby internacional, especialmente nos Estados Unidos, articulado por figuras como Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo.
O papel do Centrão
O Centrão, bloco decisivo para qualquer votação, demonstra pouco interesse em uma anistia ampla. A avaliação é que manter Bolsonaro como símbolo político pode ser útil, mas transformá-lo novamente em candidato competitivo traria riscos para as próprias ambições do grupo. Assim, cresce a tendência de buscar soluções intermediárias que não devolvam ao ex-presidente plenos direitos políticos.
Supremo em alerta
Ministros como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes já se movimentaram para evitar uma votação apressada. O STF observa com cautela, preocupado com os efeitos institucionais de uma anistia considerada ampla demais.
Cenário indefinido
Enquanto isso, a oposição bolsonarista mantém a narrativa de que conta com votos suficientes para aprovar a urgência do projeto na Câmara. Porém, reconhece que, mesmo aprovado, um eventual veto de Lula levaria a disputa novamente para o Supremo, onde o resultado é incerto.
O tema, descrito por analistas como um “nó político”, deve continuar dominando a agenda de Brasília nas próximas semanas, sem garantia de consenso.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






