O Federal Reserve deve anunciar nesta semana o primeiro corte de juros de 2025, sinalizando o fim do ciclo mais duro de aperto monetário em décadas. A medida, vista por alguns como estímulo para ativos de risco, também levanta questionamentos sobre a real força da economia americana. Revisões recentes mostraram que quase 1 milhão de empregos divulgados anteriormente não existiam, reforçando temores de desaceleração.
Com bolsas em máximas históricas, investidores buscam entender se a decisão do Fed representa oportunidade de liquidez para emergentes como o Brasil ou se reflete um risco estrutural para a maior economia do mundo.
Brasil sente a pressão: IBC-Br recua e abre espaço para debate sobre Selic
No cenário doméstico, os sinais de enfraquecimento são claros. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado prévia do PIB, recuou 0,55% em julho, registrando a terceira queda seguida. Além disso, o Boletim Focus vem revisando para baixo as projeções de crescimento e inflação.
Com a Selic em 15% e a atividade desaquecendo, cresce a pressão para que o presidente do BC, Gabriel Galípolo, avalie cortes antecipados na taxa básica. Um dólar mais fraco e o movimento global de afrouxamento monetário reforçam esse debate.
Brasília em ebulição: condenação de Bolsonaro e avanço de medidas populistas
O ambiente político segue dominado pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que recebeu pena de 27 anos. Apesar da decisão, articulações por anistia e negociações em torno do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, movimentam os bastidores.
Enquanto isso, o governo Lula acelera medidas de apelo popular: isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil, tarifas zeradas para transporte público e programas de energia e gás gratuitos. O objetivo é claro: ampliar apoio popular de olho em 2026, mesmo sob críticas sobre impacto fiscal.
Mercado financeiro em compasso de espera
A combinação de juros em queda nos EUA, dólar enfraquecido e fluxo para emergentes pode beneficiar o Brasil no curto prazo. No entanto, os riscos fiscais e a instabilidade política seguem como obstáculos para atrair capital estrangeiro de longo prazo.
Analistas apontam que a bolsa brasileira, mesmo em máximas históricas nominais, ainda negocia a múltiplos atrativos. Porém, a incerteza eleitoral e possíveis sanções americanas contra o Brasil exigem cautela.
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