Empresários de diversos setores no Brasil têm enfrentado um desafio crescente: a dificuldade em preencher vagas disponíveis, mesmo com salários acima da média. Dados do FGV Ibre revelam que 58% dos empresários do varejo e de serviços relatam dificuldades em contratar, enquanto na indústria e na construção civil o índice chega a 60%.
O problema se agravou com a retomada econômica e as mudanças no perfil dos trabalhadores, que buscam mais flexibilidade e autonomia — muitas vezes optando por trabalhos informais ou por conta própria.
“Hoje já não existe o mesmo apego ao trabalho de carteira assinada. Muitos preferem atividades informais que oferecem maior independência e horários flexíveis”, explica um especialista ouvido pelo SBT News.
Robôs entram em cena para suprir a falta de funcionários
Em uma siderúrgica no interior paulista, o déficit chega a 70 vagas em períodos de alta produção, levando a empresa a investir na robotização da linha de montagem. A automação, antes vista como uma opção de eficiência, passou a ser uma necessidade.
O mesmo cenário se repete no setor de serviços. Uma rede de padarias em São Paulo, por exemplo, enfrenta dificuldade em preencher 30 vagas abertas, mesmo oferecendo salários acima da média do mercado. A solução encontrada foi adotar robôs para auxiliar nas tarefas diárias.
Os robôs entregam pedidos, transportam pratos e xícaras e até interagem com clientes:
“Com licença, poderia me deixar passar, por favor?” — diz um dos robôs que virou atração entre os frequentadores, especialmente as crianças.
Segundo os empresários, a inovação foi bem recebida pelos funcionários, que agora enxergam a tecnologia como uma ferramenta complementar e não substitutiva.
O novo perfil do trabalhador e o impacto no mercado formal
A busca por flexibilidade de horário e melhor qualidade de vida é uma das razões que afastam os profissionais das vagas tradicionais. José Luiz, ex-funcionário registrado, trocou o emprego fixo pelos aplicativos há nove anos e diz que prefere o controle sobre sua rotina.
“Antes eu precisava de dois empregos para chegar no ideal. Hoje sou dono do meu tempo. Fiquei online, trabalho; fiquei offline, acabou o expediente.”
Esse comportamento reflete uma tendência global: trabalhadores jovens priorizando autonomia e equilíbrio em vez de estabilidade. O movimento também evidencia a necessidade de revisão de modelos trabalhistas e políticas de incentivo à qualificação, para que o país não perca competitividade produtiva.
Setores mais afetados e perspectivas para 2025
O varejo e a indústria alimentícia estão entre os mais impactados. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), faltam 350 mil trabalhadores no setor supermercadista, enquanto padarias e confeitarias somam mais de 100 mil vagas não preenchidas.
Especialistas apontam que a automação será a principal resposta das empresas em 2025, especialmente nas tarefas repetitivas e de baixa qualificação. Já para o governo e entidades empresariais, o desafio é equilibrar avanço tecnológico, inclusão produtiva e capacitação profissional.
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