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Início » Últimas Notícias » CPTS11 vê alavancagem pesar no resultado e cota segue com desconto de 14%
Fundos Imobiliários

CPTS11 vê alavancagem pesar no resultado e cota segue com desconto de 14%

Relatório de maio mostra fundo próximo das mínimas do ano, carteira pressionada pela curva de juros e impacto negativo das operações compromissadas
André CarvalhoPor André Carvalho9 de julho de 20265 minutos lidos
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O fundo imobiliário Capitânia Securities II, negociado sob o ticker CPTS11, voltou ao radar dos investidores após a divulgação do relatório de maio. O documento mostra um fundo ainda robusto em patrimônio e liquidez, mas pressionado por fatores importantes: queda da cota, marcação negativa da carteira de CRIs, desconto relevante em relação ao valor patrimonial e, principalmente, o peso da alavancagem no resultado.

No fechamento do mês, a cota de mercado do CPTS11 estava em R$ 7,64, abaixo do valor patrimonial de R$ 8,79 por cota. Isso representa um desconto aproximado de 14%, ponto que costuma chamar atenção de investidores em busca de fundos negociados abaixo do patrimônio. Ainda assim, o desconto não elimina os riscos operacionais e financeiros do fundo.

Cota do CPTS11 segue mais perto das mínimas do ano

O desempenho recente da cota mostra um cenário de pressão. No último mês, o CPTS11 acumulava queda de 0,66%. Em seis meses, a baixa era de 3,20%. No período de um ano, a desvalorização chegava a 1,82%.

A mínima dos últimos 12 meses foi registrada em junho, quando a cota chegou a R$ 7,27. Já a máxima do ano foi de R$ 8,17, em fevereiro. Com isso, o fundo aparece mais próximo das mínimas recentes do que dos maiores patamares alcançados no período.

Apesar disso, o fundo segue com forte base de investidores. O número de cotistas subiu de cerca de 378 mil para quase 382 mil, um avanço de aproximadamente 0,92% em relação ao mês anterior.

Dividendos continuam em R$ 0,09 por cota

O CPTS11 manteve a distribuição de R$ 0,09 por cota, dentro da orientação divulgada pela gestão, que prevê uma banda entre R$ 0,08 e R$ 0,10 até maio de 2027. Considerando a cotação informada no relatório, o rendimento mensal ficou próximo de 1,19%.

Nos últimos 12 meses, o retorno com dividendos acumulava cerca de 14,12%, patamar considerado elevado para fundos imobiliários. No entanto, o investidor precisa observar se o resultado recorrente é suficiente para sustentar esse nível de distribuição nos próximos meses.

Em maio, o resultado do fundo foi de aproximadamente R$ 32,23 milhões, equivalente a cerca de R$ 0,089 por cota. A distribuição ficou em torno de R$ 32,71 milhões, ou R$ 0,09 por cota.

Números principais do CPTS11

IndicadorDado informado
Cota de mercadoR$ 7,64
Valor patrimonial por cotaR$ 8,79
Desconto sobre o VP14%
Dividendo mensalR$ 0,09
Dividend yield mensal1,19%
Dividend yield em 12 meses14,12%
Cotistasquase 382 mil
Liquidez diáriaR$ 13 milhões
Alavancagem17,4% do PL
Taxa média dos CRIsIPCA + 8,67%

Carteira tem FIIs, CRIs e forte exposição a tijolo

A carteira do CPTS11 segue dividida entre fundos imobiliários, CRIs e caixa. Os FIIs representam cerca de 61,30% dos ativos, enquanto os CRIs somam 23,70%. O caixa aparece com aproximadamente 6,10%.

Na parte de fundos imobiliários, o CPTS11 tinha participação em 81 FIIs, acima dos 78 registrados no mês anterior. A carteira é majoritariamente voltada para fundos de tijolo, com cerca de 79% nessa categoria. Os principais segmentos são shoppings, lajes corporativas, logística e renda urbana.

Na carteira de CRIs, o relatório indica 18 operações, ante 19 no mês anterior. A gestão informou que não havia operação estressada e que a carteira estava 100% adimplente.

Curva de juros prejudica resultado de maio

O desempenho de maio foi impactado pela abertura da curva de juros. A carteira de recebíveis sofreu marcação negativa, com a taxa média passando de IPCA + 8,57% para IPCA + 8,67%. Quando as taxas de mercado sobem, os títulos já existentes tendem a perder valor na marcação a mercado.

A rentabilidade mensal do fundo foi negativa em 2,52%, desempenho inferior ao IFIX, que caiu 1,33% no mesmo período. O IMA-B, referência ligada a títulos indexados à inflação, teve alta de 0,31%, também superando o CPTS11 no mês.

Alavancagem vira ponto de atenção para o investidor

O principal alerta do relatório está na alavancagem. O fundo encerrou maio com alavancagem equivalente a 17,4% do patrimônio líquido, com custo de CDI + 0,80%.

Segundo a leitura do relatório, a estratégia passou a gerar impacto negativo no patrimônio do fundo. Em maio, o efeito da alavancagem foi estimado em -0,14% do PL. Esse ponto preocupa porque indica que o custo da dívida está pesando mais do que o retorno gerado pelos ativos financiados.

Em um cenário de juros altos, fundos alavancados tendem a enfrentar maior dificuldade para transformar a estratégia em ganho líquido para o cotista. Por isso, a manutenção dessa estrutura deve seguir como um dos principais temas a serem acompanhados nos próximos relatórios.

CPTS11 vale a pena agora?

O CPTS11 combina pontos positivos e riscos relevantes. De um lado, o fundo tem liquidez elevada, grande número de cotistas, desconto expressivo sobre o valor patrimonial e distribuição mensal atrativa. De outro, enfrenta pressão da curva de juros, desempenho recente abaixo do IFIX e impacto negativo da alavancagem.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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