O relatório mais recente do CPTS11 trouxe um cenário misto: por um lado, ganhos relevantes e reforço no pagamento de dividendos; por outro, a confirmação de que a alavancagem chegou ao custo mais alto desde a criação do fundo. O resultado reacende debates entre investidores e explica por que a cota segue descontada apesar do bom desempenho operacional.
Lucro adicional cai no colo do CPTS11 após vendas do CPSH11
As vendas recentes de ativos do CPSH11 resultaram em um lucro expressivo, com uma TIR superior a 22% ao ano e distribuição prevista ao longo dos próximos 24 meses.
Como o CPTS11 detém 9,7% das cotas do CPSH, o fundo receberá cerca de R$ 20 milhões desse lucro ao longo de dois anos.
Na prática:
R$ 0,06 por cota em 24 meses
cerca de R$ 0,0025 mensais
É um valor pequeno no fluxo de caixa, mas ainda assim contribui para a estabilidade da renda.
Cotação segue travada mesmo com aumento de dividendos
A cota do CPTS11 continua presa entre R$ 7,40 e R$ 7,60 desde abril, mesmo com:
valorização de 11,85% no ano
desconto de 15% sobre o valor patrimonial
payout mensal de R$ 0,09, com yield de 12,85% em 12 meses
O fundo permanece barato, mas a falta de confiança da base de investidores faz com que o preço não acompanhe o desempenho do portfólio.
Dividendos reforçados e guidance estendido até 2026
O fundo elevou sua distribuição para R$ 0,09 por cota e consolidou um guidance amplo:
mínimo de R$ 0,08
máximo de R$ 0,10
vigência até setembro de 2026
Mesmo com perspetiva positiva de renda, o CPTS11 perde cotistas — movimento raro para um fundo de alta liquidez.
Alavancagem explode e registra o maior custo da história
O principal ponto de alerta do relatório é o impacto recorde da alavancagem.
Veja a escalada das despesas mensais:
| Mês | Custo da alavancagem |
|---|---|
| Março | R$ 3,2 milhões |
| Abril | R$ 4,7 milhões |
| Maio | R$ 6,1 milhões |
| Junho | R$ 6,8 milhões |
| Julho | R$ 7,9 milhões |
| Agosto | R$ 7,47 milhões |
| Setembro | R$ 8,62 milhões (recorde histórico) |
No ano, o custo já ultrapassa:
→ R$ 51,9 milhões consumidos pela alavancagem
Ou seja: praticamente tudo o que o fundo ganhou com juros dos CRIs foi neutralizado.
É o maior fator que trava o crescimento da cota e afasta investidores.
FIIs sustentam o desempenho enquanto CRIs sofrem com marcação a mercado
Mesmo com pressão da alavancagem, o CPTS11 entregou:
3,72% de rentabilidade a mercado em setembro
Desempenho superior a CDI, CDI líquido e IFIX
Ganho expressivo na carteira de FIIs
Mais de R$ 174 milhões de ganho de capital acumulado no ano
Do outro lado, a carteira de CRIs — hoje 100% indexada ao IPCA — foi impactada pelo fechamento da curva, reduzindo o carrego de IPCA + 8,68 para IPCA + 8,65.
Portfólio revela mudança estrutural: fundo está muito mais exposto a FIIs
O CPTS11 passou por uma transformação silenciosa: deixou de ser predominantemente um fundo de papel e hoje tem:
63,2% em FIIs
31,7% em CRIs
A maior parte da carteira imobiliária se concentra em segmentos com forte resiliência:
Logística
Shoppings
Lajes corporativas
Renda urbana
Além disso, quase 30% da carteira de FIIs é composta por produtos da própria gestora, algo que divide opiniões, mas que, na prática, tem gerado desempenho acima da média.
Mudança metodológica acende polêmica entre investidores
O relatório também alterou a forma de calcular o impacto da alavancagem:
Antes: cálculo baseado apenas nos CRIs
Agora: cálculo inclui CRIs e FIIs
A mudança reduz artificialmente a percepção do prejuízo gerado pela alavancagem, o que tem incomodado parte dos cotistas e ajudado a explicar por que o fundo não recupera a confiança que tinha no passado.
CPTS11 entrega resultado, mas convive com um problema sério
Pontos positivos:
Dividendos fortes e estáveis
Upside de mais de 24% para o valor patrimonial
Carteira de FIIs extremamente lucrativa
Guidance estendido até 2026
Pontos de atenção:
Custo explosivo da alavancagem
Desconfiança crescente da base de cotistas
Cota descontada sem perspectiva de retomada no curto prazo
Mudança metodológica que gerou desconforto no mercado
Enquanto a gestão não resolver o problema da alavancagem, o fundo deve continuar operando com bom desempenho, porém travado em preço — e distante de recuperar o VP.
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