As ações da Wiz Co (WIZC3) voltaram ao radar dos investidores após recuarem das máximas recentes e passarem a negociar novamente perto de R$ 8. No fechamento de 31 de agosto, o papel terminou a R$ 7,96, depois de ter alcançado R$ 10,37 na máxima das últimas 52 semanas.
Um dos números que mais chama atenção é um retorno implícito superior a 15%. Mas há uma diferença fundamental: esse percentual não corresponde ao dividend yield atualmente pago pela Wiz. Trata-se de uma aproximação do chamado earnings yield, indicador que compara o lucro da companhia com seu valor de mercado.
Com WIZC3 negociando perto de 6,5 vezes o lucro, o inverso desse múltiplo corresponde a aproximadamente 15,5%. Isso significa, simplificadamente, que o lucro acumulado em 12 meses equivale a cerca de 15% do valor atribuído à companhia em Bolsa. Não significa que todo esse resultado será distribuído aos acionistas.
Dividend yield da WIZC3 está mais perto de 8%
Os dados oficiais da Wiz ajudam a separar os dois conceitos.
Referentes ao exercício de 2025, a companhia destinou R$ 0,32 por ação em dividendos, pagos em 31 de julho de 2026, além de outros R$ 0,31 por ação aprovados posteriormente, com pagamento previsto até 31 de dezembro de 2026.
Somados, os proventos chegam a aproximadamente R$ 0,63 por ação.
Considerando uma cotação próxima de R$ 7,96, isso representa um dividend yield ao redor de 7,9%. Plataformas de acompanhamento de mercado também apontam DY na casa de 7,8% nos últimos 12 meses.
Portanto, falar em dividend yield superior a 15% neste momento seria incorreto. O número acima de 15% está ligado à relação entre lucro e preço da ação, e não aos dividendos efetivamente distribuídos.
| Indicador | WIZC3 |
| Cotação em 31/08/2026 | cerca de R$ 7,96 |
| P/L | aproximadamente 6,5 vezes |
| Earnings yield aproximado | 15,5% |
| Proventos referentes a 2025 | cerca de R$ 0,63 por ação |
| Dividend yield aproximado | 7,9% |
| Ações emitidas | 159,9 milhões |
Resultado do 2T26 trouxe sinais mistos
O valuation mais baixo não veio sem motivos. O segundo trimestre de 2026 mostrou deterioração de algumas linhas operacionais da Wiz.
A receita líquida consolidada, excluídas comissões, ficou em R$ 235,3 milhões, queda de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior. O EBITDA consolidado ajustado atingiu R$ 152,8 milhões, recuo de 19,2% na comparação anual.
As operações comercializaram R$ 879,7 milhões em prêmios de seguros no período. Já o segmento de crédito e consórcios movimentou R$ 3,3 bilhões, 10,1% abaixo do observado um ano antes.
A própria Wiz classificou o cenário como desafiador em parte de seus mercados no 2T26, embora tenha destacado avanços de unidades como Inter Seguros e Omni1, além da redução da alavancagem financeira.
Esse conjunto ajuda a explicar por que um múltiplo aparentemente baixo não deve ser analisado isoladamente.
Dívida menor abre espaço financeiro
Um dos pontos mais favoráveis da tese está no balanço.
A dívida líquida encerrou o segundo trimestre em aproximadamente R$ 138,7 milhões, queda de R$ 70,3 milhões na comparação com o primeiro trimestre e redução de 58,4% em um ano. A relação entre dívida líquida e EBITDA caiu para aproximadamente 0,3 vez.
Uma estrutura de capital menos pressionada pode ampliar as alternativas da administração no médio prazo. Recursos gerados pelo negócio podem ser destinados à expansão, aquisições, redução adicional do endividamento ou distribuição aos acionistas.
Isso, porém, não significa que dividendos maiores estejam garantidos.
A destinação do lucro depende dos resultados futuros, necessidades de capital e decisões societárias. A página atual de dividendos da companhia estabelece dividendo mínimo obrigatório correspondente a 25% do lucro líquido ajustado e prevê que o saldo remanescente pode ser distribuído ou retido conforme decisão da assembleia.
Wiz já chegou a distribuir 100% do lucro
O histórico ajuda a explicar por que WIZC3 ganhou reputação de ação pagadora de dividendos.
Em determinados exercícios anteriores, a Wiz trabalhou com payout de 100%. Nos proventos referentes a 2018, por exemplo, a companhia distribuiu aproximadamente R$ 1,11 por ação em duas parcelas, com indicador de distribuição de 100%.
A política mudou nos anos seguintes enquanto a companhia direcionava recursos para investimentos, aquisições e reorganização de seu modelo de negócios.
É justamente uma eventual combinação entre crescimento do lucro e maior distribuição de caixa que poderia aumentar o dividend yield no futuro. Esse cenário, no entanto, continua sendo uma possibilidade, e não um dividendo já anunciado.
Quanto WIZC3 precisaria pagar para entregar 15% de dividend yield?
Tomando apenas como simulação uma ação a R$ 7,96, um dividend yield de 15% exigiria aproximadamente R$ 1,19 por ação em proventos durante 12 meses.
Isso seria quase o dobro dos aproximadamente R$ 0,63 por ação associados aos proventos referentes ao exercício de 2025.
A conta mostra por que os atuais 15% observados nos múltiplos não podem ser confundidos com renda distribuída.
Para que WIZC3 chegasse a esse nível de dividend yield sem uma queda relevante da cotação, seria necessário aumento substancial dos proventos, algo que dependeria de lucro, geração de caixa, payout e decisões futuras da companhia.
BRB continua sendo ponto de atenção
Outro elemento importante está na diversificação das operações.
A Wiz trabalha com instituições como Banco Bmg, Inter e BRB, além de outras plataformas financeiras. A companhia se define como uma corretora completa especializada em bancassurance, distribuição de seguros, crédito e consórcios.
As dificuldades em determinadas operações parceiras podem, portanto, afetar receita e resultado.
Ao mesmo tempo, a expansão de unidades como Inter Seguros e Omni1 é importante justamente porque diminui gradualmente a dependência de negócios específicos. A administração destacou o avanço dessas frentes ao comentar os números do segundo trimestre.
WIZC3 está barata?
O P/L próximo de 6,5 vezes coloca WIZC3 em um patamar aparentemente baixo de valuation e corresponde a um earnings yield próximo de 15%. A ação também permanece bastante abaixo da máxima de R$ 10,37 registrada nos últimos 12 meses.
Mas o desconto precisa ser confrontado com a queda de receita e EBITDA observada no 2T26.
Para o investidor interessado em dividendos, três variáveis passam a ser particularmente importantes nos próximos balanços: recuperação das receitas, manutenção da baixa alavancagem e decisão sobre a parcela do lucro que será efetivamente distribuída.
O atual dividend yield perto de 8% já é relevante, mas qualquer cenário de proventos acima de 10% — e principalmente próximo de 15% — depende de resultados e decisões futuras. Não existe garantia de que isso acontecerá.
O próximo resultado trimestral da Wiz está previsto para 5 de novembro de 2026, quando o mercado terá novos dados para avaliar se a pressão observada no segundo trimestre começou a diminuir.
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