A WEG voltou a apresentar números operacionais sólidos no segundo trimestre de 2026, sustentada pelo crescimento das vendas, pela presença internacional e pela diversificação de seus negócios. A receita operacional líquida ficou próxima de R$ 10 bilhões, acima dos cerca de R$ 9,4 bilhões registrados no trimestre anterior.
O EBITDA alcançou aproximadamente R$ 2,2 bilhões, com crescimento de 5,2% na comparação com o primeiro trimestre de 2026, embora tenha ficado ligeiramente abaixo do resultado obtido no mesmo período de 2025. A margem EBITDA permaneceu próxima de 21%, enquanto a margem líquida ficou ao redor de 15%.
| Indicador | Resultado aproximado |
|---|---|
| Receita operacional líquida | R$ 10 bilhões |
| EBITDA | R$ 2,2 bilhões |
| Margem EBITDA | 21% |
| Margem líquida | 15% |
| ROIC | 33% |
| Caixa e aplicações | R$ 8,8 bilhões |
| Dívida financeira | R$ 5 bilhões |
| Caixa líquido | R$ 3,7 bilhões |
O retorno sobre o capital investido, conhecido como ROIC, permaneceu em torno de 33%. O indicador reforça a capacidade da fabricante de transformar os recursos empregados em suas operações em resultados para os acionistas.
Mercado externo ganha ainda mais importância
A internacionalização continua sendo um dos principais pilares da WEG. Cerca de 60% da receita operacional líquida da companhia é gerada no mercado externo, enquanto aproximadamente 39% vem do Brasil.
Essa exposição ajuda a empresa a diversificar suas fontes de receita e reduz sua dependência do ciclo econômico brasileiro. Ao mesmo tempo, torna os resultados mais sensíveis à cotação do dólar e ao ritmo das economias internacionais.
No segmento de geração, transmissão e distribuição de energia, a receita no mercado brasileiro caiu aproximadamente 22% sobre o ano anterior. A retração foi relacionada à desaceleração de novos projetos e às limitações da infraestrutura de transmissão de energia no país.
Em sentido contrário, as vendas externas dessa divisão cresceram 5,8%. Os equipamentos eletroeletrônicos industriais também tiveram desempenho positivo, com avanço de aproximadamente 16% no mercado interno.
Empresa reforça investimentos fora do Brasil
A WEG vem aumentando os investimentos em unidades industriais localizadas no exterior, especialmente após o avanço de barreiras comerciais e tarifas sobre produtos importados.
A estratégia consiste em aproximar a produção dos principais mercados consumidores, ampliando fábricas nos Estados Unidos, no México e na Europa. Com isso, a companhia pode reduzir custos logísticos, diminuir sua exposição a tarifas de importação e atender seus clientes com maior rapidez.
A empresa atua em diferentes setores, incluindo motores industriais, transformadores, equipamentos para geração de energia, tintas, vernizes, eletrodomésticos e soluções para carregamento de veículos elétricos. Essa variedade ajuda a compensar períodos de menor demanda em determinados segmentos.
Caixa cresce e dívida permanece controlada
Outro destaque foi o fortalecimento da posição financeira. As disponibilidades e aplicações de curto prazo chegaram a aproximadamente R$ 8,8 bilhões em junho de 2026, ante R$ 7,2 bilhões em dezembro de 2025 e R$ 5,6 bilhões em junho do ano anterior.
Com financiamentos próximos de R$ 5 bilhões, a WEG apresentava caixa líquido estimado em R$ 3,7 bilhões. Isso significa que o dinheiro disponível superava o total das obrigações financeiras consideradas no cálculo.
Essa estrutura permite que a companhia continue financiando expansões, modernizações e aquisições sem depender excessivamente de endividamento.
WEGE3 está cara ou ainda pode subir?
Apesar da qualidade operacional, o preço das ações permanece como um dos principais pontos de atenção. A companhia era negociada por um múltiplo preço sobre lucro próximo de 29 vezes, bem acima da média atribuída ao Ibovespa no esboço analisado.
Considerando uma projeção anual de lucro próxima de R$ 8,6 bilhões, o múltiplo projetado poderia recuar para aproximadamente 22 vezes. Ainda assim, a avaliação continua elevada e exige que a WEG mantenha um crescimento consistente nos próximos anos.
A companhia possui histórico de distribuir aproximadamente 50% do lucro aos acionistas. Entretanto, o dividend yield tende a permanecer limitado porque o preço da ação é elevado. O retorno do investidor, portanto, depende mais da expansão dos lucros e da valorização de WEGE3 do que do pagamento imediato de dividendos.
A WEG segue apresentando crescimento, margens robustas, baixo endividamento e ampla presença internacional. Contudo, uma empresa de qualidade não representa automaticamente uma compra atrativa em qualquer preço. Para o investidor, o principal desafio continua sendo avaliar se o crescimento futuro será suficiente para justificar o valor cobrado atualmente pelas ações.
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