A Vale (VALE3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido atribuído aos acionistas de US$ 1,38 bilhão, queda de 35% sobre os US$ 2,12 bilhões registrados um ano antes. Apesar da retração na última linha do balanço, a mineradora apresentou crescimento da receita, do EBITDA proforma e da geração de caixa.
A receita líquida alcançou US$ 10,50 bilhões, alta anual de 19%. O EBITDA proforma, indicador que procura mostrar o desempenho operacional sem despesas relacionadas a Brumadinho e itens não recorrentes, chegou a US$ 4,07 bilhões, também com crescimento de 19%.
Segundo a Vale, a melhora operacional foi sustentada por preços realizados mais elevados e pelo crescimento dos volumes vendidos em todos os segmentos. O resultado foi parcialmente limitado pelo aumento do frete, pela valorização do real e por despesas operacionais maiores.
Principais números do balanço da Vale no 2T26
| Indicador | 2T26 | 2T25 | Variação anual |
|---|---|---|---|
| Receita líquida | US$ 10,50 bilhões | US$ 8,80 bilhões | +19% |
| EBITDA ajustado | US$ 3,68 bilhões | US$ 3,39 bilhões | +9% |
| EBITDA proforma | US$ 4,07 bilhões | US$ 3,42 bilhões | +19% |
| Lucro líquido atribuído | US$ 1,38 bilhão | US$ 2,12 bilhões | -35% |
| Lucro líquido proforma | US$ 1,57 bilhão | US$ 2,12 bilhões | -26% |
| Fluxo de caixa livre | US$ 1,51 bilhão | US$ 1,01 bilhão | +49% |
| Dívida líquida expandida | US$ 16,68 bilhões | US$ 17,45 bilhões | -4% |
| Investimentos | US$ 1,13 bilhão | US$ 1,05 bilhão | +7% |
Valores arredondados. Fonte: relatório oficial de desempenho da Vale.
Por que o lucro da Vale caiu?
A redução do lucro não ocorreu por uma queda equivalente da atividade operacional. O lucro proforma recuou 26%, principalmente por causa de uma variação negativa de US$ 798 milhões na marcação a mercado de derivativos e da elevação dos tributos sobre o lucro.
Esses efeitos foram parcialmente compensados pelo aumento de US$ 642 milhões no EBITDA proforma. O lucro líquido contábil também foi pressionado por uma provisão classificada entre as despesas não recorrentes.
Por isso, indicadores como EBITDA e fluxo de caixa ajudam a apresentar uma visão mais completa do trimestre do que a análise isolada do lucro.
Produção de minério, cobre e níquel cresce
A produção de minério de ferro atingiu 84,30 milhões de toneladas, alta anual de 1% e maior volume para um segundo trimestre desde 2018. As vendas cresceram 3%, para 79,70 milhões de toneladas.
O cobre registrou produção de 98,40 mil toneladas, avanço de 6% e melhor segundo trimestre desde 2017. A produção de níquel aumentou 4%, para 42 mil toneladas, alcançando o melhor resultado para o período desde 2020.
A Vale também reduziu os intervalos projetados para 2026. O novo guidance prevê produção de 360 mil a 380 mil toneladas de cobre e de 185 mil a 200 mil toneladas de níquel.
Custos do minério pressionam o resultado
O custo caixa C1 do minério de ferro ficou em US$ 24,10 por tonelada, aumento anual de 9%. Já o custo total — chamado de all-in — subiu 18%, para US$ 61,60 por tonelada.
A companhia revisou sua projeção de custo C1 para uma faixa entre US$ 22,50 e US$ 23,50 por tonelada. A estimativa de custo all-in passou para US$ 58 a US$ 62 por tonelada, refletindo a expectativa de um real mais valorizado e preços maiores do petróleo.
A alta dos custos já aparecia como um dos principais pontos de atenção no esboço original da análise.
Vale anuncia US$ 1,70 bilhão em dividendos e JCP
O Conselho de Administração aprovou o pagamento de US$ 1,70 bilhão em dividendos e juros sobre capital próprio, referentes aos resultados do primeiro semestre de 2026. Os recursos serão pagos em setembro.
A mineradora também aprovou um novo programa para recomprar até 100 milhões de ações ordinárias, equivalente a aproximadamente 2,30% das ações em circulação. No segundo trimestre, a companhia já havia destinado US$ 140 milhões à aquisição de cerca de 8,77 milhões de papéis.
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