A Vale apresentou um resultado operacional considerado positivo no segundo trimestre de 2026, apoiado pelo desempenho do minério de ferro e, principalmente, pelo avanço de seus negócios de cobre e níquel.
O EBITDA ajustado alcançou aproximadamente US$ 4,06 bilhões, crescimento de 19% na comparação com os cerca de US$ 3,40 bilhões registrados no mesmo período de 2025. O indicador é acompanhado de perto pelo mercado porque ajuda a medir a capacidade operacional da companhia antes de despesas financeiras, impostos, depreciação e amortização.
Apesar da evolução operacional, o lucro líquido caiu de aproximadamente US$ 2,10 bilhões para US$ 1,50 bilhão. A redução foi influenciada por efeitos financeiros, tributos, depreciação, amortização e despesas relacionadas às reparações de Brumadinho e Samarco.
Metais básicos passam a ter mais peso na Vale
Um dos principais destaques do balanço foi o crescimento da Vale Base Metals, divisão que reúne os negócios de cobre e níquel. O segmento respondeu por cerca de 32% do EBITDA ajustado da mineradora no trimestre.
A área de metais básicos gerou aproximadamente US$ 1,29 bilhão em EBITDA, enquanto as operações ligadas ao minério de ferro contribuíram com cerca de US$ 3 bilhões.
No negócio de cobre, o resultado avançou 91% em relação ao segundo trimestre de 2025 e 8% na comparação trimestral. O movimento foi favorecido pelo aumento dos volumes vendidos, pela valorização da commodity e pela redução dos custos operacionais.
O resultado do níquel cresceu 46% na comparação anual e 6% em relação ao primeiro trimestre de 2026. Já o EBITDA dos finos de minério de ferro avançou 7% em um ano e 5% frente ao trimestre anterior.
A diversificação é considerada estratégica para reduzir, gradualmente, a elevada dependência da companhia em relação ao minério de ferro.

Produção fica dentro das metas
A Vale também manteve suas principais operações dentro das projeções estabelecidas para 2026.
Na comparação com o planejamento da companhia, a produção de minério de ferro avançou aproximadamente 1%, enquanto as vendas cresceram 3%. No cobre, os aumentos foram de 6% na produção e 10% nas vendas. No níquel, a produção cresceu 4% e as vendas subiram 7%.
A empresa pretende ampliar a produção de cobre para uma faixa entre 420 mil e 500 mil toneladas anuais até 2030. Para 2035, a meta pode chegar a aproximadamente 700 mil toneladas.
Custos do minério de ferro preocupam
O avanço das despesas foi um dos principais pontos negativos do balanço. O custo caixa C1 do minério de ferro subiu 9% na comparação anual, pressionado pela valorização do real, pelo consumo de estoques e pelos preços do diesel.
Quando são incluídos frete, distribuição e concentração, os custos totais aumentaram aproximadamente 18%.
Diante desse cenário, a Vale elevou sua estimativa de custo C1 para 2026. A projeção passou de uma faixa entre US$ 20 e US$ 21 por tonelada para aproximadamente US$ 22 a US$ 23,50 por tonelada.
Em sentido contrário, os custos da operação de cobre apresentaram forte redução, favorecendo a expansão das margens da Vale Base Metals.
Dívida cai e geração de caixa avança
A dívida líquida expandida recuou de cerca de US$ 17,70 bilhões no primeiro trimestre para US$ 16,60 bilhões no segundo trimestre. A relação entre dívida líquida e EBITDA ficou próxima de 0,8 vez, mantendo a estrutura financeira em nível considerado administrável.
Mesmo com investimentos e despesas relacionadas às reparações, a Vale gerou aproximadamente US$ 1,50 bilhão em fluxo de caixa livre.
Os desembolsos ligados a Brumadinho e Samarco ainda consomem parte relevante do caixa. A expectativa é que esses pagamentos diminuam progressivamente nos próximos anos, abrindo espaço para maior distribuição de recursos aos acionistas.

Vale anuncia R$ 2 por ação e nova recompra
A mineradora anunciou remuneração de aproximadamente R$ 2,02 por ação, dividida entre R$ 1,56 em juros sobre capital próprio e R$ 0,46 em dividendos.
Os papéis passarão a ser negociados sem direito ao pagamento em 12 de agosto, enquanto o crédito aos acionistas está previsto para 2 de setembro. O valor definitivo por ação ainda pode sofrer pequeno ajuste devido ao programa de recompra em andamento.
A companhia também aprovou um novo programa para recomprar mais de 100 milhões de ações, equivalente a aproximadamente 2,3% dos papéis em circulação.
O que esperar das ações VALE3?
O balanço reforça que a Vale está avançando na diversificação de suas receitas, mas as ações continuam sensíveis às cotações do minério de ferro, do cobre e do níquel.
A evolução dos metais básicos pode sustentar margens maiores e reduzir parte da dependência do minério de ferro. Por outro lado, uma eventual queda das commodities, a valorização do real ou novos aumentos de custos podem pressionar os resultados.
Por isso, embora o trimestre tenha apresentado melhora operacional, o desempenho futuro de VALE3 continuará diretamente ligado ao comportamento das commodities e à capacidade da empresa de controlar despesas.
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