A operação da KTM no Brasil entrou oficialmente em uma nova fase. A Bajaj do Brasil assumiu a gestão das atividades comerciais da fabricante austríaca e também da Husqvarna, concentrando sob sua estrutura áreas estratégicas como vendas, marketing, desenvolvimento da rede de concessionárias, serviços, peças e pós-venda.
A mudança começou a valer em junho de 2026 e faz parte da reorganização global do grupo KTM após a Bajaj Auto ampliar sua participação e assumir o controle da fabricante. No mercado brasileiro, a expectativa é que a nova administração fortaleça a presença das marcas premium, amplie a oferta de modelos e melhore a disponibilidade de peças e serviços.

Apesar da integração administrativa, Bajaj, KTM e Husqvarna continuarão preservando suas próprias identidades, posicionamentos comerciais e redes de atendimento. A produção das motocicletas também permanecerá separada, com estruturas industriais independentes em Manaus.
O que muda para a KTM no Brasil?
A Bajaj do Brasil passa a controlar as principais atividades de contato com o mercado, conhecidas como operações de “front end”. Isso inclui planejamento comercial, marketing, distribuição, desenvolvimento de concessionárias, atendimento ao consumidor, fornecimento de peças e estruturação do pós-venda.
O objetivo declarado é aproveitar a experiência e a infraestrutura já construídas pela Bajaj no país para recuperar a força comercial da KTM e da Husqvarna. A fabricante indiana também pretende buscar ganhos de eficiência, reduzir custos operacionais e ampliar a presença das marcas em regiões onde a rede ainda é limitada.
A transição será feita gradualmente para evitar interrupções no atendimento aos atuais proprietários de motocicletas KTM e Husqvarna. Garantias, fornecimento de componentes, manutenção e compromissos anteriormente assumidos pela rede deverão ser mantidos durante a reorganização.
Marcas continuarão operando de forma independente
Embora as equipes administrativas possam compartilhar recursos, Bajaj e KTM continuarão apresentadas ao consumidor como marcas distintas.
A Bajaj manterá seu foco em motocicletas de baixa e média cilindrada, com proposta de custo competitivo e forte expansão de volume. A KTM continuará posicionada no segmento de motos esportivas, aventureiras, off-road e de maior desempenho.
As concessionárias também deverão permanecer separadas. Um mesmo grupo empresarial poderá operar lojas das duas fabricantes, mas os espaços físicos, a comunicação visual e a experiência comercial serão independentes.
Em alguns projetos, as unidades poderão compartilhar estruturas de oficina, estoque ou serviços administrativos. Ainda assim, a estratégia é preservar o chamado DNA “Ready to Race” da KTM e a identidade própria da linha Bajaj.
KTM terá fábrica própria em Manaus
Um dos principais pontos da nova operação será o início da produção da KTM em uma fábrica própria em Manaus, no Amazonas.
A unidade será independente da linha de montagem da Bajaj e ficará dedicada aos produtos da KTM e da Husqvarna. A produção seguirá inicialmente o regime CKD, no qual as motocicletas chegam ao país em kits desmontados e passam por montagem, inspeção e finalização no Brasil.
A nova planta poderá produzir até 20 mil motocicletas por ano, segundo informações apresentadas durante o anúncio da reorganização. A migração da produção deverá ocorrer de forma gradual.
A nacionalização pode reduzir custos logísticos, facilitar o fornecimento de peças e diminuir o tempo necessário para reposição de componentes. Também abre espaço para preços mais competitivos, embora os valores dos próximos lançamentos ainda não tenham sido divulgados.
KTM 390 Adventure e 790 Adventure estão confirmadas
A nova gestão já prepara lançamentos importantes para reposicionar a KTM no mercado brasileiro.
As primeiras novidades deverão ser as KTM 390 Adventure X e 390 Adventure R, previstas para chegar durante a etapa inicial da retomada. Os modelos pertencem a uma das categorias que mais crescem no mercado nacional: a das motos aventureiras entre 300 e 500 cilindradas.
A 390 Adventure deverá disputar consumidores com modelos como Royal Enfield Himalayan 450, CFMoto 450MT, Triumph Scrambler 400 X e outras motocicletas voltadas ao uso misto entre cidade, estrada e trajetos fora do asfalto.
A KTM 790 Adventure também foi confirmada para o Brasil e deverá chegar no último trimestre de 2026. O modelo ocupa uma faixa superior, com motor bicilíndrico e proposta voltada a viagens, desempenho rodoviário e utilização em terrenos mais exigentes.
Preços, versões definitivas, volumes iniciais e especificações para o mercado brasileiro ainda serão anunciados.
Bajaj investiu € 880 milhões na recuperação da KTM
A mudança no Brasil é resultado de uma profunda reorganização financeira ocorrida na Europa.
A KTM enfrentou uma crise de liquidez, paralisações temporárias na produção e um processo judicial de reestruturação na Áustria. Para sustentar a recuperação da companhia, a Bajaj realizou uma combinação de aportes em dívida e capital que chegou a aproximadamente € 880 milhões.
Em novembro de 2025, a fabricante indiana concluiu a aquisição da participação que ainda não controlava na antiga Pierer Bajaj AG. Com a operação, a estrutura que controla KTM, Husqvarna e GASGAS passou a integrar o grupo da Bajaj.
A antiga Pierer Mobility AG foi posteriormente renomeada como Bajaj Mobility AG, refletindo a troca de controle e a reorganização da administração global.
Bajaj e KTM já mantinham uma parceria industrial havia aproximadamente 18 anos, principalmente no desenvolvimento e na fabricação de motocicletas menores para mercados internacionais.
Crescimento da Bajaj sustenta a nova operação
A Bajaj iniciou oficialmente suas vendas no Brasil em dezembro de 2022, inicialmente com apenas cinco concessionárias.
Em junho de 2024, a empresa inaugurou em Manaus sua primeira fábrica própria fora da Índia. A unidade começou com capacidade para 20 mil motos por ano e recebeu novos investimentos para elevar a produção anual a até 48 mil unidades.
Até junho de 2026, a fábrica havia produzido 60.357 motocicletas. A marca também ultrapassou 60 mil unidades emplacadas no país e chegou a 74 endereços de venda e atendimento espalhados pelas cinco regiões brasileiras.
O crescimento colocou a Bajaj, pela primeira vez, entre as cinco fabricantes de motocicletas com maior volume mensal de vendas no Brasil.
Esse avanço ajuda a explicar por que a subsidiária brasileira foi escolhida para liderar a retomada da KTM e da Husqvarna. A Bajaj já conta com estrutura comercial, logística, equipe de marketing, rede de concessionárias e experiência industrial local.
O que o consumidor pode esperar?
Para os proprietários de motos KTM e Husqvarna, a principal expectativa está na melhora do pós-venda, na oferta de peças e na ampliação da rede autorizada.
A presença de uma administração com operação industrial própria também pode trazer mais regularidade ao fornecimento de motocicletas. Nos últimos anos, a KTM teve uma atuação limitada no Brasil quando comparada ao potencial global da marca.

A produção em Manaus e o compartilhamento de estruturas administrativas podem criar condições para reduzir custos e tornar os preços mais competitivos. Contudo, a estratégia comercial deverá preservar o posicionamento premium dos modelos austríacos.
A chegada das novas 390 Adventure será o primeiro grande teste da parceria. O segmento de motos aventureiras de média cilindrada ganhou novos concorrentes e passou a atrair consumidores que buscam desempenho suficiente para viagens, tecnologia e custos de manutenção inferiores aos de motocicletas de alta cilindrada.
Caso a Bajaj consiga combinar preços competitivos, disponibilidade de peças, rede estruturada e a imagem esportiva da KTM, a nova operação poderá aumentar significativamente a presença das marcas no mercado brasileiro.
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