A Vale registrou seu melhor volume de produção de minério de ferro para um segundo trimestre desde 2018. Entre abril e junho de 2026, a mineradora produziu 84,3 milhões de toneladas, crescimento de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, a produção avançou aproximadamente 20,9%. A recuperação foi favorecida pelo encerramento do período mais chuvoso e pelo desempenho das operações da companhia.
Entre os principais destaques estiveram a produção recorde do complexo S11D e os volumes adicionais provenientes dos projetos Capanema e VGR1, em Vargem Grande.
O resultado operacional aumenta a expectativa em torno do próximo balanço da Vale, mas ainda não permite afirmar que haverá dividendos extraordinários. Para isso, será necessário avaliar preços, custos, investimentos, dívida e geração efetiva de caixa.
Vendas crescem mais do que a produção
As vendas de minério de ferro chegaram a 79,7 milhões de toneladas no segundo trimestre, crescimento de 3% sobre o mesmo período de 2025.
O percentual superior ao crescimento da produção mostra que a Vale também comercializou parte dos estoques acumulados anteriormente. Em relação ao primeiro trimestre, as vendas avançaram aproximadamente 16%.
A combinação de produção elevada e maior volume comercializado tende a favorecer a receita. O impacto sobre o lucro, entretanto, dependerá principalmente do preço realizado do minério, do câmbio, dos custos de frete e das despesas operacionais.
No primeiro trimestre, o preço médio realizado dos finos de minério de ferro foi de US$ 95,80 por tonelada. O custo caixa C1 ficou em US$ 23,60 por tonelada, enquanto o custo total do segmento alcançou US$ 55,40 por tonelada.
Cobre e níquel reforçam a diversificação da Vale
A produção de cobre totalizou 98,4 mil toneladas, crescimento de 6% na comparação anual e melhor resultado para um segundo trimestre desde 2017.
As vendas de cobre pagável chegaram a 97,6 mil toneladas. O preço médio realizado alcançou US$ 14.062 por tonelada, avanço de US$ 919 em relação ao trimestre anterior.
No níquel, a produção foi de 42 mil toneladas, alta de 4% sobre o segundo trimestre de 2025. Foi o melhor desempenho da Vale para esse período desde 2020.
O crescimento desses metais é relevante porque reduz gradualmente a dependência do minério de ferro. Cobre e níquel possuem demanda ligada à eletrificação, às redes de energia, às baterias e à transição energética.
Principais números da Vale
| Indicador | Resultado | Comparação anual |
|---|---|---|
| Produção de minério de ferro | 84,3 milhões de toneladas | +1% |
| Vendas de minério de ferro | 79,7 milhões de toneladas | +3% |
| Produção de pelotas | 7,3 milhões de toneladas | -7% |
| Produção de cobre | 98,4 mil toneladas | +6% |
| Vendas de cobre pagável | 97,6 mil toneladas | Alta de 8,6 mil toneladas |
| Produção de níquel | 42 mil toneladas | +4% |
| Preço realizado do cobre | US$ 14.062 por tonelada | Alta trimestral de US$ 919 |
Pelotas de Omã representam o principal alerta
Nem todos os números foram positivos. A produção de pelotas caiu 7% na comparação anual, para 7,3 milhões de toneladas.
A redução ocorreu principalmente por causa da suspensão temporária das plantas de pelotização de Omã, diante de restrições logísticas relacionadas ao conflito no Oriente Médio.
A produção foi parcialmente retomada no fim de junho. Durante a paralisação, a Vale redirecionou parte do material para as plantas de Tubarão e para vendas de finos, reduzindo o impacto consolidado.
Dividendos de VALE3 podem aumentar?
A produção recorde fortalece a expectativa de geração de caixa, mas não garante automaticamente um pagamento maior.
A política da Vale determina uma remuneração mínima correspondente a 30% da diferença entre o EBITDA ajustado e os investimentos correntes. Os pagamentos regulares são realizados com base nos resultados do primeiro e do segundo semestres. O Conselho também pode aprovar distribuições extraordinárias.
No primeiro trimestre de 2026, a Vale apresentou EBITDA pro forma de US$ 3,9 bilhões, fluxo de caixa livre recorrente de US$ 813 milhões e investimentos de US$ 1,1 bilhão. A dívida líquida expandida encerrou março em US$ 17,8 bilhões, após o pagamento de US$ 2,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio.
Em 2026, os acionistas já receberam valores declarados com base no exercício de 2025: R$ 1,244 por ação em janeiro e aproximadamente R$ 2,338 por ação em março, somando dividendos e JCP.
Balanço será decisivo para VALE3
A Vale publicará o resultado financeiro do segundo trimestre em 30 de julho de 2026, após o fechamento do mercado. A teleconferência ocorrerá em 31 de julho, às 11h, pelo horário de Brasília.
O balanço mostrará se os recordes operacionais foram convertidos em lucro e caixa. Para o investidor de VALE3, os indicadores mais importantes serão EBITDA, fluxo de caixa livre, custos, dívida, investimentos e eventual anúncio de remuneração aos acionistas.
Até a divulgação oficial, qualquer valor projetado para os próximos dividendos deve ser tratado apenas como estimativa, e não como pagamento confirmado.
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