A Cemig (CMIG4) voltou ao radar dos investidores com resultados sólidos, mas o cenário projetado até 2026 levanta dúvidas sobre a atratividade do papel. Atualmente, a ação está cotada próxima de R$ 11,10, dentro da faixa das últimas 52 semanas (mínima de R$ 9,24 e máxima de R$ 11,21).
Apesar da boa performance, análises indicam que o preço teto projetado gira em torno de R$ 11,01 — praticamente sem margem de segurança. Além disso, o dividend yield projetado para os próximos anos cai para 5,95%, uma redução expressiva diante dos mais de 11% atuais.
Política de dividendos mais moderada
A companhia anunciou recentemente que deve manter uma distribuição de até 50% do lucro líquido na forma de dividendos, sem perspectiva de aumento significativo no curto prazo.
No calendário de proventos, há pagamentos relevantes previstos para maio e dezembro de 2025, incluindo JCP e dividendos que, somados, ultrapassam 12% no acumulado de 12 meses. O desafio, porém, está em 2026, quando os analistas projetam uma queda acentuada nos rendimentos.
Valuation e indicadores financeiros
Do ponto de vista fundamentalista, a Cemig apresenta números consistentes:
ROI: 22,8%
Margem líquida: 15,5%
Crescimento de lucros (últimos 5 anos): acima de 10% ao ano
Endividamento (dívida líquida/EBITDA): 3,8x, próximo do limite considerado saudável
Apesar da robustez operacional, o valuation traz sinais de cautela. O preço/lucro (P/L) segue baixo, o que sugere atratividade, mas o crescimento projetado e a política de dividendos limitam o upside.
Ações alugadas e comportamento dos controladores
Outro ponto relevante é o alto volume de ações alugadas, ultrapassando 83 milhões de papéis — o que representa cerca de R$ 1 bilhão retirados da negociação direta no mercado. Esse movimento pode indicar estratégias de venda a descoberto por grandes fundos.
Nos últimos dois anos, os controladores adotaram uma postura de venda, especialmente entre janeiro e setembro de 2024, retomando compras apenas em momentos pontuais, como quando o papel recuou para abaixo de R$ 10.
Comparativo e potenciais oportunidades
No ranking das maiores pagadoras de dividendos da Bolsa, a Cemig aparece atualmente na 20ª posição, com yield acima de 12%.
Segundo análises baseadas nos modelos de Graham e Greenblatt, tanto CMIG3 quanto CMIG4 estariam baratas — com potencial de valorização de 52% e 100%, respectivamente. O preço-alvo médio indicado por casas de análise é de R$ 22,54, mas especialistas recomendam aplicar margem de segurança antes de considerar compras.
Investidores mais focados em dividendos podem preferir CMIG4, enquanto aqueles que buscam crescimento podem olhar para CMIG3.
O grande ponto de atenção está na queda prevista dos dividendos em 2026. A combinação de investimentos robustos em melhorias de rede e uma política de distribuição mais conservadora tende a reduzir o fluxo de caixa destinado aos acionistas.
Por outro lado, a companhia segue com forte geração de receita, crescimento consistente e controle de custos, o que pode sustentar o valor de mercado e atrair investidores de longo prazo.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






