As ações da TIM e da Telefônica Brasil, dona da Vivo, registraram perdas próximas de 6% após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026. A reação negativa ocorreu mesmo com crescimento de receita, lucro bilionário, baixa alavancagem e manutenção das perspectivas de dividendos.
A correção, porém, não começou no dia do balanço. Em relação às máximas registradas em 2026, os dois papéis já acumulavam quedas expressivas, próximas de 30% em determinados momentos. O movimento aumentou as dúvidas dos investidores sobre o motivo da desvalorização e sobre uma possível oportunidade de entrada.
Principais números de TIMS3 e VIVT3
| Indicador | TIM | Vivo |
|---|---|---|
| Código na Bolsa | TIMS3 | VIVT3 |
| Cotação após a queda | R$ 20,25 | R$ 33,83 |
| Queda no pregão | 5,81% | 5,98% |
| Receita no 2T26 | R$ 6,97 bilhões | R$ 15,80 bilhões |
| EBITDA | Cerca de R$ 3,60 bilhões | R$ 6,60 bilhões |
| Lucro líquido | R$ 1,04 bilhão | R$ 1,57 bilhão |
| Crescimento do lucro | 6,20% | 17,00% |
| Remuneração prevista | R$ 5,30 bi a R$ 5,50 bi | Payout igual ou superior a 100% |
| Alavancagem com arrendamentos | 0,89 vez | 0,40 vez |
| Principal destaque | Geração de caixa | Pós-pago e fibra |
A Vivo encerrou o período com receita de R$ 15,80 bilhões e EBITDA de R$ 6,60 bilhões. A companhia também alcançou uma base total de 118,80 milhões de clientes e 32,00 milhões de imóveis cobertos por fibra óptica.
Vivo aumenta lucro e fortalece geração de caixa
O lucro líquido da Vivo chegou a aproximadamente R$ 1,57 bilhão no segundo trimestre, avanço de 17,00% na comparação anual. O resultado foi sustentado pelo crescimento dos serviços móveis, especialmente dos planos pós-pagos, e pela expansão da internet por fibra.
A empresa possui cerca de 105 milhões de acessos móveis, com aproximadamente 73 milhões concentrados no pós-pago. Essa modalidade é considerada mais previsível porque gera cobrança mensal recorrente e apresenta receita média por cliente superior à do pré-pago.
Na fibra, a Vivo chegou a aproximadamente 8,20 milhões de casas conectadas, crescimento anual próximo de 11,00%. A expansão ajuda a compensar a redução de receitas com tecnologias antigas, como telefonia fixa tradicional.
Outro ponto relevante foi o fluxo de caixa livre de aproximadamente R$ 4,90 bilhões no primeiro semestre, valor bastante superior ao lucro líquido de cerca de R$ 2,80 bilhões acumulado no período. Essa geração de caixa permite que a companhia distribua proventos, faça recompras e realize reduções de capital sem comprometer excessivamente sua estrutura financeira.
Dividendos de VIVT3 exigem atenção ao calendário
A Telefônica Brasil mantém a projeção de entregar aos acionistas valor igual ou superior a 100% do lucro líquido de 2026. A remuneração pode incluir dividendos, juros sobre capital próprio, recompra de ações e redução de capital.
Em julho, a empresa pagou uma redução de capital de R$ 1,25 por ação. Além disso, já anunciou diferentes parcelas de JCP em 2026, mas parte desses valores poderá ser paga somente até 30 de abril de 2027.
Isso significa que o investidor pode garantir o direito ao provento em 2026, mas esperar vários meses até o dinheiro entrar efetivamente na conta.
TIM prevê até R$ 5,50 bilhões em proventos
A TIM registrou lucro líquido normalizado de R$ 1,04 bilhão, crescimento de 6,20%. A receita líquida alcançou R$ 6,97 bilhões, apoiada principalmente pela expansão dos serviços móveis pós-pagos, da fibra e das soluções corporativas.
Para 2026, a companhia projeta crescimento próximo de 5,00% na receita de serviços, avanço entre 6,00% e 8,00% no EBITDA e aumento de 11,00% a 14,00% no fluxo de caixa operacional. O investimento previsto está entre R$ 4,40 bilhões e R$ 4,60 bilhões.
A administração também estima distribuir entre R$ 5,30 bilhões e R$ 5,50 bilhões aos acionistas. Considerando aproximadamente 2,39 bilhões de ações, o valor representa algo entre R$ 2,22 e R$ 2,30 por ação.
Com TIMS3 negociada perto de R$ 20,25, o retorno potencial bruto ficaria entre 10,96% e 11,36%. Trata-se de uma estimativa baseada no guidance, sujeita ao desempenho da empresa e às aprovações societárias.
Até julho, a TIM já havia anunciado R$ 790 milhões em JCP referentes a 2026, equivalentes a aproximadamente R$ 0,33 por ação.
Por que as ações caíram mesmo com bons resultados?
A queda pode refletir uma combinação de realização de lucros, expectativa elevada antes dos balanços, perda marginal de participação de mercado e saída de capital estrangeiro da Bolsa.
No caso da TIM, 67,00% do capital pertence à controladora, enquanto 33,00% está em circulação. Uma parcela relevante dessas ações está nas mãos de investidores estrangeiros, o que aumenta a sensibilidade do papel aos fluxos internacionais.
TIMS3 ou VIVT3: qual parece mais atrativa?
A TIM oferece um retorno potencial mais elevado em dividendos, mas o investidor precisa aguardar o calendário de distribuição. Já a Vivo apresenta maior escala, crescimento mais forte do lucro, liderança no mercado móvel e geração de caixa suficiente para manter payout elevado.
A queda tornou as duas ações mais atraentes em relação às máximas do ano, mas não elimina riscos. Concorrência, necessidade elevada de investimentos, perda de participação de mercado e novas saídas de investidores estrangeiros podem manter a volatilidade.
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