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Início » Últimas Notícias » Tesouro IPCA+ supera 8% e chama atenção após queda da Selic para 14,25%
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Tesouro IPCA+ supera 8% e chama atenção após queda da Selic para 14,25%

Títulos públicos oferecem juros reais elevados em meio à preocupação com inflação contas públicas e cenário internacional mas investidor precisa avaliar vencimento e risco de oscilação
Mariana DuartePor Mariana Duarte20 de junho de 20264 minutos lidos
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As taxas do Tesouro Direto voltaram a chamar atenção depois que alguns títulos indexados à inflação passaram a oferecer rentabilidade superior a IPCA mais 8% ao ano. No segmento prefixado, os juros também ficaram próximos de 15% ao ano.

Na referência de mercado observada em 19 de junho de 2026, o Tesouro IPCA+ 2032 apresentava retorno aproximado de IPCA mais 8,46% ao ano. Já o Tesouro Prefixado 2029 oferecia taxa próxima de 14,86% ao ano.

Esses percentuais podem parecer uma oportunidade difícil de ignorar. Entretanto, também demonstram que os investidores estão exigindo uma remuneração maior para financiar o governo brasileiro durante vários anos.

Taxas do Tesouro Direto em destaque

As taxas mudam ao longo do dia conforme as negociações no mercado. Os números abaixo representam valores aproximados observados na data usada como referência para a análise.

Título públicoVencimentoTaxa aproximadaCaracterística
Tesouro IPCA+2032IPCA + 8,46% ao anoProteção contra a inflação com ganho real
Tesouro IPCA+ com juros semestrais2037IPCA + 7,87% ao anoDistribuição de cupons a cada seis meses
Tesouro Prefixado202914,86% ao anoTaxa nominal definida no momento da aplicação
Tesouro Prefixado203214,85% ao anoRetorno contratado para quem levar até o vencimento

Apesar das taxas elevadas, o investidor não deve analisar apenas o percentual prometido. Prazo, necessidade de liquidez, cobrança de impostos e possibilidade de venda antecipada também precisam entrar na decisão.

Por que as taxas subiram após a queda da Selic?

O Comitê de Política Monetária reduziu a Selic para 14,25% ao ano. Mesmo assim, os juros de alguns títulos públicos de médio e longo prazo permaneceram em alta.

A diferença ocorre porque a Selic representa a taxa básica vigente no presente. Já os títulos do Tesouro Direto incorporam expectativas para os próximos anos, incluindo inflação, situação fiscal, crescimento da dívida e comportamento dos juros internacionais.

Quando os investidores percebem mais incerteza sobre o futuro, passam a exigir uma remuneração maior para comprar títulos longos. Com isso, as taxas oferecidas sobem e os preços dos papéis que já estão no mercado caem.

O cenário externo também interfere. Juros elevados nos Estados Unidos e em outras economias aumentam a concorrência pelo capital internacional. Para continuar atraindo recursos, países emergentes precisam oferecer um prêmio compatível com seus riscos.

Dívida pública mantém mercado em alerta

A Dívida Pública Federal terminou março de 2026 em aproximadamente R$ 8,63 trilhões. O volume permanece elevado e faz com que o custo dos juros tenha peso relevante nas contas públicas.

Parte expressiva da dívida brasileira está vinculada à Selic ou a índices de preços. Isso significa que a manutenção de juros e inflação elevados pode aumentar as despesas do governo com o pagamento dos títulos.

No resultado fiscal, o Governo Central registrou superávit primário de R$ 25,2 bilhões em abril de 2026. O desempenho mensal superou as projeções do mercado, mas não eliminou as preocupações de longo prazo com o crescimento das despesas e do endividamento.

Tesouro IPCA+ 8% vale a pena?

Uma taxa superior a IPCA mais 8% pode ser atrativa para quem pretende proteger o patrimônio da inflação e manter o dinheiro aplicado até o vencimento. Nesse caso, o investidor garante a variação do IPCA somada aos juros reais contratados.

Entretanto, o Tesouro IPCA+ pode apresentar fortes oscilações antes do vencimento. Esse movimento ocorre por causa da marcação a mercado.

Quando as taxas aumentam, o preço do título normalmente cai. Quando os juros diminuem, o preço tende a subir. Portanto, quem precisa vender antecipadamente pode receber menos do que investiu, mesmo sendo um título emitido pelo governo federal.

Para uma reserva de emergência, o Tesouro Selic costuma ser mais adequado por apresentar menor volatilidade. Já o Tesouro IPCA+ pode fazer mais sentido para objetivos de médio e longo prazo, como aposentadoria, compra de imóvel ou formação de patrimônio.

Taxas podem chegar a IPCA mais 9%?

Não é possível afirmar que os juros atuais atingiram o limite. As taxas poderão avançar caso aumentem as expectativas de inflação, o risco fiscal ou os juros internacionais. Por outro lado, uma melhora nas contas públicas e nas projeções econômicas poderá provocar queda dos rendimentos.

Esperar por IPCA mais 9% também apresenta risco. Caso o cenário melhore, as taxas podem recuar antes que esse patamar seja alcançado.

Uma alternativa é dividir o valor disponível em aportes realizados em diferentes datas e vencimentos. Essa estratégia reduz a dependência de acertar exatamente o ponto mais alto dos juros e evita concentrar todo o dinheiro em apenas um título.

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Mariana Duarte
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Mariana Duarte é jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com mais de 10 anos de experiência em redações de portais nacionais e especialização em jornalismo digital. Na A Revista, acompanha economia, empresas, mercados e tecnologia ligada a negócios. Trabalha com linguagem acessível, atribuição de fontes e verificação de dados e documentos.

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