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Início » Últimas Notícias » Dólar fecha a R$ 5,16 e acumula alta de 2,04% na semana após sinal duro do Fed
Economia

Dólar fecha a R$ 5,16 e acumula alta de 2,04% na semana após sinal duro do Fed

Moeda norte-americana recuou no último pregão após quatro altas consecutivas mas ganhou força na semana diante dos juros dos Estados Unidos e das tensões externas
Carlos MenezesPor Carlos Menezes20 de junho de 20264 minutos lidos
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O dólar comercial encerrou a sexta-feira, 19 de junho, cotado a R$ 5,16, com queda de 0,20% diante do real. O recuo interrompeu uma sequência de quatro sessões consecutivas de valorização da moeda norte-americana.

Apesar da baixa no último pregão, o dólar acumulou avanço de 2,04% na semana. O movimento foi impulsionado principalmente pela postura mais rígida do Federal Reserve, pela continuidade das tensões no Oriente Médio e pelo aumento da procura global por ativos considerados seguros.

No acumulado de 2026, entretanto, a moeda ainda apresenta queda de 5,92% diante do real. Isso mostra que a recuperação registrada durante a semana não foi suficiente para apagar a desvalorização construída desde o começo do ano.

Dólar recuou após quatro sessões de alta

A queda de sexta-feira acompanhou o enfraquecimento da moeda norte-americana diante de diversas divisas no exterior. Investidores ajustaram posições depois da forte valorização observada nos pregões anteriores.

O mercado também acompanhou as articulações diplomáticas para reduzir as tensões no Oriente Médio. Qualquer sinal de avanço nas negociações diminui temporariamente a busca por proteção e pode retirar força do dólar.

Mesmo com o recuo diário, a cotação permaneceu acima dos níveis registrados no começo da semana. O desempenho evidencia que o cenário externo ainda exerce forte pressão sobre moedas de países emergentes.

O dólar futuro com vencimento em julho terminou próximo da estabilidade, negociado ao redor de R$ 5,18 na B3.

Federal Reserve fortaleceu a moeda norte-americana

A principal influência sobre o dólar durante a semana veio dos Estados Unidos. O Federal Reserve manteve a taxa básica de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75%, como era esperado pelo mercado.

A surpresa apareceu nas projeções dos dirigentes da instituição. Nove dos 19 integrantes passaram a considerar pelo menos uma elevação dos juros até o fim de 2026. Oito indicaram manutenção e apenas um projetou redução.

A sinalização reduziu as expectativas de cortes de juros no curto prazo. Antes da reunião, parte dos investidores ainda trabalhava com a possibilidade de uma política monetária mais flexível.

Juros elevados favorecem o dólar porque aumentam a remuneração dos títulos públicos norte-americanos. Com retornos mais atrativos, investidores tendem a direcionar recursos para os Estados Unidos, elevando a demanda pela moeda.

Inflação nos Estados Unidos permanece como risco

O Federal Reserve continua preocupado com a inflação acima da meta de 2%. A alta dos custos de energia e os efeitos das tensões internacionais aumentaram a cautela da autoridade monetária.

Caso a inflação volte a acelerar, o banco central poderá manter os juros elevados por mais tempo ou até realizar um novo aumento. Esse cenário tende a sustentar o dólar nos mercados globais.

Dados de emprego também serão importantes. Um mercado de trabalho aquecido pode ampliar o consumo e dificultar o processo de desaceleração dos preços.

Nas próximas semanas, cada indicador de inflação, atividade econômica e criação de vagas poderá provocar novas oscilações na cotação.

Tensões internacionais aumentam procura pelo dólar

O cenário geopolítico também contribuiu para a alta semanal. Conflitos e incertezas envolvendo o Oriente Médio elevaram a aversão ao risco nos mercados.

Durante períodos de instabilidade, o dólar costuma ganhar força por ser considerado uma moeda de proteção. Investidores retiram recursos de mercados mais arriscados e procuram ativos norte-americanos.

A possibilidade de acordos diplomáticos trouxe algum alívio na sexta-feira, mas as negociações continuam cercadas de incertezas. Uma nova escalada das tensões pode provocar outra rodada de valorização da moeda.

Dólar ainda cai no acumulado de 2026

Mesmo depois da alta de 2,04% na semana, o dólar acumula desvalorização de 5,92% no ano. O real continua entre as moedas que apresentam desempenho positivo diante da divisa norte-americana em 2026.

A diferença entre os juros brasileiros e norte-americanos ajuda a atrair capital estrangeiro para o Brasil. Essa entrada de recursos aumenta a oferta de dólares no mercado e oferece sustentação ao real.

O cenário pode mudar caso o Federal Reserve eleve os juros ou o mercado passe a enxergar maior risco fiscal e político no Brasil.

O que esperar do dólar

A tendência para os próximos pregões dependerá principalmente dos indicadores econômicos dos Estados Unidos, das declarações do Federal Reserve e das negociações no Oriente Médio.

Sinais de inflação persistente ou de novos aumentos dos juros podem levar o dólar a ampliar os ganhos. Um alívio das tensões externas e dados mais fracos da economia norte-americana podem favorecer uma correção.

A moeda encerra a semana pressionada por forças opostas: juros elevados e riscos internacionais sustentam a valorização, enquanto o diferencial de juros brasileiro e o fluxo de recursos para o país ajudam a limitar movimentos mais intensos.

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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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