As ações da Taesa voltaram ao radar dos investidores diante da expectativa de novos dividendos e da intenção da companhia de distribuir entre 90% e 100% do lucro líquido regulatório. A política reforça o perfil de TAEE11 como uma ação voltada à geração de renda, mas o atual nível de endividamento exige uma análise mais cuidadosa.
A companhia encerrou 2025 com distribuição equivalente a 100% do lucro líquido regulatório. Ao todo, foram declarados R$ 1,12 bilhão em proventos, correspondentes a aproximadamente R$ 3,26 por unit. A última parcela aprovada foi de R$ 313,1 milhões, ou R$ 0,91 por TAEE11, paga em maio de 2026.
Para os exercícios iniciados em 2025, a administração informou que pretende propor um payout entre 90% e 100% do lucro regulatório. Isso não representa uma garantia automática, já que cada pagamento depende dos resultados, da disponibilidade de caixa e da aprovação dos órgãos societários.
Resultado operacional permanece sólido
No primeiro trimestre de 2026, o EBITDA regulatório da Taesa alcançou R$ 562,1 milhões, crescimento de 10,3% em relação ao mesmo período de 2025. A margem EBITDA ficou em 85,8%, uma das mais elevadas entre as empresas brasileiras de infraestrutura.
O desempenho foi favorecido pela entrada em operação de novos ativos, pelo reajuste inflacionário da Receita Anual Permitida, a RAP, e pela redução de penalidades relacionadas à indisponibilidade das linhas de transmissão.
O lucro líquido regulatório somou R$ 192,6 milhões. Pelo padrão contábil IFRS, o lucro líquido chegou a R$ 353,6 milhões, queda de 3,2% na comparação anual.
Principais números da Taesa
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| EBITDA regulatório no 1T26 | R$ 562,10 milhões |
| Margem EBITDA | 85,80% |
| Lucro líquido regulatório | R$ 192,60 milhões |
| Lucro líquido IFRS | R$ 353,60 milhões |
| Dívida líquida proporcional | R$ 12,76 bilhões |
| Dívida líquida/EBITDA | 4,20 vezes |
| Proventos declarados em 2025 | R$ 1,12 bilhão |
| Proventos por TAEE11 | R$ 3,26 |
Endividamento é o principal ponto de atenção
Embora a operação permaneça rentável e previsível, a dívida cresceu com os investimentos realizados pela empresa.
Considerando controladas, coligadas e empreendimentos conjuntos, a dívida líquida proporcional atingiu R$ 12,76 bilhões no primeiro trimestre. A relação entre dívida líquida e EBITDA regulatório chegou a 4,2 vezes, acima do nível observado em anos anteriores.
O custo médio real da dívida estava em 5,75% ao ano, com prazo médio de 5,4 anos. Cerca de 57% do endividamento era indexado ao IPCA, enquanto 41% estava ligado ao CDI.
A alavancagem não significa necessariamente um problema imediato, pois empresas de transmissão possuem contratos longos e receitas previsíveis. Contudo, juros elevados aumentam as despesas financeiras e podem reduzir o espaço para crescimento, novos investimentos e dividendos extraordinários.
TAEE11 está realmente barata?
A resposta depende do critério utilizado. TAEE11 era negociada recentemente perto de R$ 40, com dividend yield ao redor de 8% e preço sobre valor patrimonial próximo de 1,76 vez. Esses números indicam uma renda atrativa, mas não caracterizam, isoladamente, uma ação extremamente descontada.
Além disso, existem avaliações divergentes no mercado. A XP mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 32,70 para 2026, abaixo da cotação recente, citando a forte dependência da tese em relação aos dividendos e ao nível de alavancagem.
Por outro lado, a previsibilidade das receitas, a margem operacional elevada e a intenção de distribuir até 100% do lucro regulatório continuam sustentando o interesse de investidores focados em renda.
Vale a pena comprar TAEE11 agora?
TAEE11 pode fazer sentido para quem procura dividendos recorrentes e aceita um potencial de valorização mais limitado. A empresa atua em um segmento defensivo, possui contratos de longo prazo e recebe receitas reajustadas pela inflação.
Entretanto, o investidor precisa acompanhar a dívida, os juros, a execução dos novos projetos e a evolução do lucro regulatório. Comprar apenas com base no último dividendo pode levar a uma avaliação incompleta.
A Taesa continua sendo uma empresa operacionalmente sólida, mas o preço de entrada determinará boa parte do retorno. No patamar atual, TAEE11 parece mais uma alternativa de renda previsível do que uma oportunidade evidente de grande valorização.
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