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Início » Últimas Notícias » SYNE3 lucra R$ 19,7 milhões, mas dividendos elevados podem não se repetir
Ações

SYNE3 lucra R$ 19,7 milhões, mas dividendos elevados podem não se repetir

SYN melhora ocupação e geração de caixa no primeiro trimestre, mas pagamentos elevados dependeram da venda de ativos e de reduções de capital
André CarvalhoPor André Carvalho15 de junho de 20264 minutos lidos
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A SYN Prop & Tech, negociada na B3 pelo código SYNE3, começou 2026 com crescimento dos principais indicadores operacionais. A companhia registrou lucro líquido de R$ 19,7 milhões no primeiro trimestre, ante R$ 18,7 milhões no mesmo período do ano anterior.

O lucro líquido ajustado, que desconsidera efeitos não recorrentes, alcançou R$ 8,4 milhões, avanço de 24,4%. Já a receita líquida ajustada cresceu 9,2%, para R$ 60,1 milhões.

A receita recorrente somou R$ 63,9 milhões, alta anual de 8%. O desempenho foi favorecido principalmente pelo crescimento de 18,3% da receita de locação, mostrando melhora na geração de receitas dos imóveis mantidos no portfólio.

Ocupação dos imóveis chega a 97%

A ocupação física do portfólio encerrou março em 97%, acima dos 94,3% observados um ano antes. A ocupação financeira atingiu 96,5%.

O resultado indica menor quantidade de espaços vazios e maior aproveitamento dos ativos. A SYN possui imóveis corporativos de padrão elevado, participações em shopping centers e um galpão logístico.

Ao final de março de 2026, o portfólio próprio da companhia somava aproximadamente 105,6 mil metros quadrados de área privativa. A empresa também administrava comercialmente mais de 350 mil metros quadrados.

Entre os destaques recentes está o Complexo Logístico Dutra, conhecido como CLD. A última fase foi entregue no primeiro trimestre e o empreendimento ficou totalmente locado.

Geração de caixa também avançou

O EBITDA ajustado da SYN alcançou R$ 25,8 milhões, crescimento de 28,7% na comparação anual. O indicador mede o desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização.

O FFO ajustado, utilizado para acompanhar a geração de caixa das empresas imobiliárias, subiu 14,7% e chegou a R$ 12 milhões.

Nos shopping centers, as vendas totais atingiram R$ 711,5 milhões, avanço de 6,9%. Os aluguéis das mesmas lojas cresceram 5,6%, enquanto as vendas das mesmas lojas aumentaram 1,8%.

Dívida líquida alcança R$ 301,7 milhões

A SYN terminou o primeiro trimestre com dívida bruta de R$ 493,8 milhões e caixa de R$ 192,1 milhões. Dessa forma, a dívida líquida ficou em R$ 301,7 milhões.

A relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado dos últimos 12 meses atingiu 3,37 vezes. O indicador mostra que o endividamento precisa ser acompanhado, principalmente em um cenário de juros elevados.

A despesa financeira, porém, caiu 48,5% e encerrou o trimestre em R$ 17,8 milhões. A redução ocorreu após a companhia antecipar o pagamento de uma emissão de debêntures em abril de 2025.

Dividendos da SYNE3 foram elevados

Os pagamentos da SYN chamaram atenção nos últimos dois anos. Entretanto, parte relevante do dinheiro recebido pelos acionistas não veio de dividendos, mas de reduções de capital.

DeliberaçãoTipoValor por ação
Agosto de 2024DividendosR$ 2,88
Outubro de 2024Redução de capitalR$ 3,67
Abril de 2025DividendosR$ 0,46
Julho de 2025Redução de capitalR$ 2,16
Dezembro de 2025DividendosR$ 0,42

Em 2024, a SYN vendeu participações em shopping centers ao XP Malls por R$ 1,85 bilhão. A transação permitiu o pagamento de R$ 440 milhões em dividendos e uma redução de capital de R$ 560 milhões.

Em 2025, a empresa distribuiu R$ 134 milhões em dividendos e devolveu outros R$ 330 milhões por meio de redução de capital.

Dividendos elevados podem se repetir?

A SYN estabelece dividendo obrigatório mínimo de 25% do lucro líquido ajustado, conforme seu estatuto. Distribuições acima desse patamar dependem dos resultados, da situação financeira, das necessidades de caixa e das decisões dos acionistas.

Por isso, não é adequado projetar os pagamentos extraordinários de 2024 e 2025 como uma renda anual permanente. Novos valores elevados dependeriam de vendas de imóveis, excesso de capital ou outras operações relevantes.

Os resultados do primeiro trimestre foram positivos, com avanço da ocupação, do EBITDA e do FFO. Ainda assim, o lucro recorrente atual não sustenta sozinho pagamentos de vários reais por ação todos os anos.

A SYNE3 pode continuar remunerando os acionistas, mas a previsibilidade dos dividendos permanece limitada. O papel exige atenção à dívida, aos juros, à ocupação dos imóveis e à capacidade da companhia de reinvestir os recursos recebidos com a venda de ativos.

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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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