A Raízen encerrou o quarto trimestre da safra 2025/26 com prejuízo líquido de aproximadamente R$ 7,3 bilhões, resultado significativamente superior à perda registrada no mesmo período do ciclo anterior.
O desempenho aumentou a preocupação do mercado com a capacidade financeira da companhia. Após a divulgação do balanço e o avanço do processo de recuperação extrajudicial, o Citi colocou sua avaliação das ações RAIZ4 em revisão.
Embora a empresa tenha apresentado melhora operacional em determinados segmentos, o elevado endividamento, as despesas financeiras e os ajustes contábeis continuaram pressionando os resultados.
Principais números do resultado da Raízen
A receita líquida trimestral alcançou aproximadamente R$ 51,3 bilhões, com queda de 11,1% na comparação anual. O Ebitda ajustado, por outro lado, avançou 46%, chegando perto de R$ 2,8 bilhões.
A melhora do indicador ajustado não foi suficiente para compensar as perdas relacionadas à dívida, às despesas financeiras e à desvalorização de ativos registrados no balanço.
| Indicador | Resultado | Comparação |
|---|---|---|
| Receita líquida trimestral | R$ 51,3 bilhões | Queda de 11,1% |
| Prejuízo líquido trimestral | R$ 7,33 bilhões | Acima dos R$ 2,51 bilhões anteriores |
| Ebitda ajustado trimestral | R$ 2,8 bilhões | Alta de 46% |
| Dívida líquida | R$ 58,2 bilhões | Alta de 69,9% |
| Alavancagem financeira | 5,2 vezes | Antes estava em 3,2 vezes |
| Ajustes contábeis em ativos | R$ 22,5 bilhões | Sem saída imediata de caixa |
| Dívidas em reestruturação | Cerca de R$ 65 bilhões | Recuperação extrajudicial |
| Redução de custos e despesas | Aproximadamente R$ 1 bilhão | Safra 2025/26 |
| Redução dos investimentos | R$ 3,3 bilhões | Comparação anual |
| Volume de combustíveis no Brasil | Alta de 8% | Comparação anual |
Dívida líquida chega a R$ 58,2 bilhões
A situação financeira permanece como o principal ponto de atenção. A dívida líquida da Raízen encerrou o período em R$ 58,2 bilhões, crescimento de 69,9% em relação ao valor registrado um ano antes.
A alavancagem, calculada pela relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses, chegou a 5,2 vezes. No mesmo período da safra anterior, esse indicador estava em aproximadamente 3,2 vezes.
A elevação mostra que a dívida cresceu em velocidade superior à capacidade operacional da empresa de gerar resultados.
Parte relevante do prejuízo também está relacionada a cerca de R$ 22,5 bilhões em ajustes no valor recuperável de ativos. Esses efeitos contábeis não representam uma saída imediata de dinheiro, mas indicam que determinados ativos podem valer menos do que o registrado anteriormente no balanço.
Recuperação extrajudicial vira prioridade
A Raízen iniciou um processo de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em obrigações financeiras.
A reestruturação poderá envolver alongamento dos vencimentos, conversão de parte dos créditos em participação acionária e entrada de novos recursos. O objetivo é reduzir a pressão de curto prazo sobre o caixa e permitir a continuidade das operações.
Para o Citi, a execução desse plano passou a ser mais importante para os investidores do que a evolução operacional isolada de cada divisão.
O banco considera que o elevado endividamento e as despesas financeiras continuam consumindo boa parte dos ganhos obtidos pela companhia. Por isso, a cobertura de RAIZ4 foi colocada em revisão até que exista maior clareza sobre a nova estrutura de capital.
Distribuição de combustíveis apresenta melhora
Apesar do cenário financeiro delicado, a divisão de distribuição de combustíveis apresentou evolução durante o período.
Os volumes comercializados no Brasil cresceram 8%, enquanto o Ebitda ajustado do segmento avançou. O desempenho foi favorecido pelo aumento das vendas, por melhorias logísticas e por medidas de eficiência comercial.
O resultado mostra que o negócio de combustíveis continua gerando receitas relevantes. Entretanto, a recuperação dessa divisão ainda não foi suficiente para compensar os problemas financeiros do grupo.
Açúcar e etanol seguem pressionados
O segmento de açúcar, etanol e bioenergia enfrentou queda na moagem de cana e menor produtividade agrícola.
O preço médio do açúcar recuou, enquanto o etanol apresentou valorização. O efeito positivo dos preços, porém, foi limitado pela redução do volume comercializado.
A companhia também vem simplificando seu portfólio, vendendo ativos e concentrando investimentos nas operações consideradas estratégicas.
Segundo a administração, aproximadamente R$ 1 bilhão em custos e despesas foi eliminado durante a safra. Os investimentos também foram reduzidos em cerca de R$ 3,3 bilhões.
RAIZ4 enfrenta prazo para sair da condição de penny stock
Além da recuperação extrajudicial, a Raízen precisa apresentar à B3 medidas para retirar as ações RAIZ4 da condição de penny stock.
A classificação ocorre quando os papéis permanecem negociados abaixo de R$ 1 durante determinado período. A companhia tem até 8 de julho de 2026 para apresentar um cronograma de reenquadramento.
Caso a cotação não se recupere, uma das alternativas poderá ser o agrupamento de ações. Nesse procedimento, vários papéis são reunidos em uma única ação, aumentando proporcionalmente o preço unitário sem alterar inicialmente o valor total da posição do investidor.
O que esperar das ações RAIZ4?
A recuperação das ações dependerá principalmente da execução do plano extrajudicial, da redução da dívida e da capacidade da companhia de voltar a gerar fluxo de caixa positivo.
A melhora na distribuição de combustíveis oferece um sinal operacional favorável, mas ainda não elimina os riscos relacionados ao endividamento, às despesas financeiras e às possíveis mudanças no controle da empresa.
Até que existam informações mais claras sobre a reestruturação, RAIZ4 deverá continuar sendo considerada uma ação de elevado risco e forte volatilidade.
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