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Início » Últimas Notícias » Raízen (RAIZ4) pode emitir bilhões de ações após reestruturar R$ 64,7 bilhões
Ações

Raízen (RAIZ4) pode emitir bilhões de ações após reestruturar R$ 64,7 bilhões

Recuperação extrajudicial já reúne apoio de 80,15% dos créditos; plano prevê aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell, conversão de 45% das dívidas em ações e separação entre energia e combustíveis
Carlos MenezesPor Carlos Menezes5 de agosto de 20264 minutos lidos
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A Raízen (RAIZ4) avança em uma profunda transformação financeira e societária para tentar superar a crise provocada pelo elevado endividamento. A recuperação extrajudicial envolve atualmente cerca de R$ 64,7 bilhões em créditos financeiros, com apoio de 80,15% das dívidas abrangidas pelo plano.

A dimensão do processo fica ainda mais evidente quando considerada a dívida total divulgada pela companhia no material apresentado aos credores: R$ 75,35 bilhões, dos quais aproximadamente R$ 65 bilhões estavam inicialmente sujeitos à reestruturação.

Números da recuperação da Raízen

IndicadorValor
Dívida total informadaR$ 75,35 bilhões
Dívida atualmente abrangida pelo planoR$ 64,7 bilhões
Apoio dos credores80,15%
Dívida prevista para conversão em ações45%
Valor equivalente a 45% de R$ 64,7 bi≈ R$ 29,12 bilhões
Dívida prevista para reperfilamento55%
Valor equivalente a 55%≈ R$ 35,59 bilhões
Aporte previsto da ShellR$ 3,5 bilhões
Potencial aporte da AguassantaR$ 500 milhões
Preço de referência do aporte da ShellR$ 0,25 por ação
Ações atuais da Raízen10,35 bilhões
Participação atual da Cosan44%
Participação atual da Shell44%

Shell poderá receber cerca de 14 bilhões de novas ações

Um dos números que mais chama atenção no plano é o aporte de R$ 3,5 bilhões liderado pela Shell, previsto ao preço de R$ 0,25 por ação.

Considerando apenas essa operação, a conta corresponde a aproximadamente 14 bilhões de ações:

R$ 3,5 bilhões ÷ R$ 0,25 = 14 bilhões de ações.

É um volume superior às aproximadamente 10,35 bilhões de ações que atualmente compõem todo o capital da Raízen.

Isso ajuda a explicar por que a diluição tornou-se um dos principais pontos de atenção para os acionistas de RAIZ4.

A companhia possui atualmente cerca de 8,99 bilhões de ações ordinárias e 1,36 bilhão de preferenciais. Shell e Cosan possuem aproximadamente 4,56 bilhões de ações cada e controlam, individualmente, cerca de 44% do capital total.

Quase R$ 29,1 bilhões da dívida poderão virar ações

O impacto potencial não termina no aporte da Shell.

O plano estabelece que 45% dos créditos abrangidos pela recuperação sejam convertidos em participação acionária da companhia. Aplicando esse percentual aos R$ 64,7 bilhões atualmente envolvidos, são aproximadamente R$ 29,12 bilhões em dívidas potencialmente transformadas em capital.

Os 55% restantes, equivalentes a aproximadamente R$ 35,59 bilhões, deverão ser reperfilados em novos instrumentos financeiros.

Na prática, a Raízen troca uma parcela relevante de sua dívida por ações e tenta alongar os pagamentos restantes, reduzindo a pressão financeira sobre o caixa.

Raízen será separada em energia e combustíveis

Outra mudança estrutural está prevista oficialmente.

Depois da conclusão da recuperação, o plano estabelece a segregação dos negócios em duas unidades autônomas.

A Raízen Energia ficará concentrada em etanol, açúcar e bioenergia. Já a Raízen Combustíveis será dedicada à distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell.

Segundo a companhia, as duas estruturas terão perfis próprios de capital, dívida, risco e geração de caixa.

O que acontece com RAIZ4?

Para quem possui RAIZ4, a recuperação traz duas forças em direções diferentes.

De um lado, converter aproximadamente R$ 29 bilhões em capital e alongar cerca de R$ 35,6 bilhões em obrigações pode reduzir substancialmente a pressão financeira sobre a empresa.

Do outro, a emissão de um volume gigantesco de novas ações poderá provocar forte diluição dos atuais acionistas.

O material que serviu de base para esta análise também destaca justamente a preocupação com a quantidade de novas ações e com a futura estrutura societária da companhia.

A recuperação, portanto, não significa que os problemas da Raízen estejam automaticamente resolvidos. O sucesso dependerá da execução do plano, da redução efetiva das despesas financeiras, da capacidade de gerar caixa e do desempenho operacional dos negócios de açúcar, etanol, bioenergia e distribuição.

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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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