A Raízen (RAIZ4) avança em uma profunda transformação financeira e societária para tentar superar a crise provocada pelo elevado endividamento. A recuperação extrajudicial envolve atualmente cerca de R$ 64,7 bilhões em créditos financeiros, com apoio de 80,15% das dívidas abrangidas pelo plano.
A dimensão do processo fica ainda mais evidente quando considerada a dívida total divulgada pela companhia no material apresentado aos credores: R$ 75,35 bilhões, dos quais aproximadamente R$ 65 bilhões estavam inicialmente sujeitos à reestruturação.
Números da recuperação da Raízen
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Dívida total informada | R$ 75,35 bilhões |
| Dívida atualmente abrangida pelo plano | R$ 64,7 bilhões |
| Apoio dos credores | 80,15% |
| Dívida prevista para conversão em ações | 45% |
| Valor equivalente a 45% de R$ 64,7 bi | ≈ R$ 29,12 bilhões |
| Dívida prevista para reperfilamento | 55% |
| Valor equivalente a 55% | ≈ R$ 35,59 bilhões |
| Aporte previsto da Shell | R$ 3,5 bilhões |
| Potencial aporte da Aguassanta | R$ 500 milhões |
| Preço de referência do aporte da Shell | R$ 0,25 por ação |
| Ações atuais da Raízen | 10,35 bilhões |
| Participação atual da Cosan | 44% |
| Participação atual da Shell | 44% |
Shell poderá receber cerca de 14 bilhões de novas ações
Um dos números que mais chama atenção no plano é o aporte de R$ 3,5 bilhões liderado pela Shell, previsto ao preço de R$ 0,25 por ação.
Considerando apenas essa operação, a conta corresponde a aproximadamente 14 bilhões de ações:
R$ 3,5 bilhões ÷ R$ 0,25 = 14 bilhões de ações.
É um volume superior às aproximadamente 10,35 bilhões de ações que atualmente compõem todo o capital da Raízen.
Isso ajuda a explicar por que a diluição tornou-se um dos principais pontos de atenção para os acionistas de RAIZ4.
A companhia possui atualmente cerca de 8,99 bilhões de ações ordinárias e 1,36 bilhão de preferenciais. Shell e Cosan possuem aproximadamente 4,56 bilhões de ações cada e controlam, individualmente, cerca de 44% do capital total.
Quase R$ 29,1 bilhões da dívida poderão virar ações
O impacto potencial não termina no aporte da Shell.
O plano estabelece que 45% dos créditos abrangidos pela recuperação sejam convertidos em participação acionária da companhia. Aplicando esse percentual aos R$ 64,7 bilhões atualmente envolvidos, são aproximadamente R$ 29,12 bilhões em dívidas potencialmente transformadas em capital.
Os 55% restantes, equivalentes a aproximadamente R$ 35,59 bilhões, deverão ser reperfilados em novos instrumentos financeiros.
Na prática, a Raízen troca uma parcela relevante de sua dívida por ações e tenta alongar os pagamentos restantes, reduzindo a pressão financeira sobre o caixa.
Raízen será separada em energia e combustíveis
Outra mudança estrutural está prevista oficialmente.
Depois da conclusão da recuperação, o plano estabelece a segregação dos negócios em duas unidades autônomas.
A Raízen Energia ficará concentrada em etanol, açúcar e bioenergia. Já a Raízen Combustíveis será dedicada à distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell.
Segundo a companhia, as duas estruturas terão perfis próprios de capital, dívida, risco e geração de caixa.
O que acontece com RAIZ4?
Para quem possui RAIZ4, a recuperação traz duas forças em direções diferentes.
De um lado, converter aproximadamente R$ 29 bilhões em capital e alongar cerca de R$ 35,6 bilhões em obrigações pode reduzir substancialmente a pressão financeira sobre a empresa.
Do outro, a emissão de um volume gigantesco de novas ações poderá provocar forte diluição dos atuais acionistas.
O material que serviu de base para esta análise também destaca justamente a preocupação com a quantidade de novas ações e com a futura estrutura societária da companhia.
A recuperação, portanto, não significa que os problemas da Raízen estejam automaticamente resolvidos. O sucesso dependerá da execução do plano, da redução efetiva das despesas financeiras, da capacidade de gerar caixa e do desempenho operacional dos negócios de açúcar, etanol, bioenergia e distribuição.
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