As ações preferenciais da Marcopolo (POMO4) enfrentam forte pressão na Bolsa nesta quarta-feira (5), depois que os números do segundo trimestre de 2026 aumentaram as dúvidas do mercado sobre a capacidade da fabricante de ônibus de preservar suas margens no atual ambiente econômico.
Durante o pregão, POMO4 chegou a registrar queda superior a 10%, ampliando as perdas acumuladas nas últimas semanas e se aproximando das mínimas observadas em 52 semanas. A reação ocorre após a divulgação de um resultado considerado abaixo das expectativas por parte do mercado.
O movimento chama ainda mais atenção porque a Marcopolo foi uma das ações brasileiras que apresentaram forte valorização nos últimos anos, acompanhando a recuperação dos resultados da companhia.
Lucro da Marcopolo cai 15,5%
O principal fator por trás da pressão sobre POMO4 foi o desempenho apresentado no segundo trimestre de 2026.
A Marcopolo registrou lucro líquido de R$ 271,2 milhões, queda de 15,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Entre os fatores que pressionaram a rentabilidade aparecem um mix de vendas menos favorável, aumento do custo de matérias-primas em contratos ligados a programas governamentais, valorização do real e redução de volumes no mercado internacional.
| Indicador | Situação |
|---|---|
| Lucro líquido 2T26 | R$ 271,2 milhões |
| Variação anual do lucro | -15,5% |
| POMO4 no pregão | queda superior a 10% |
| Faixa de 52 semanas antes do balanço | aproximadamente R$ 5,20 a R$ 8,05 |
| Preço-alvo médio dos analistas | R$ 9,08 |
POMO4 ficou barata depois da queda?
A forte correção reacendeu a discussão sobre valuation. No esboço analisado, a tese destaca que a empresa continua apresentando rentabilidade elevada e passou a negociar por múltiplos significativamente inferiores aos observados durante o período de maior otimismo do mercado.
Preço baixo, entretanto, não significa necessariamente oportunidade.
A cotação precisa ser analisada em conjunto com a trajetória futura dos lucros. Se as projeções de resultados continuarem sendo reduzidas, os múltiplos aparentemente baixos também podem mudar.
Por outro lado, a Marcopolo chega ao atual momento em situação financeira mais confortável que muitas companhias cíclicas. Em relatório anterior, o BTG destacava baixa alavancagem e reservas relevantes de lucros da fabricante.
Analistas ainda enxergam forte potencial para POMO4
Apesar da queda das ações, a cobertura disponível no mercado permanece majoritariamente positiva.
Dados reunidos pela própria Marcopolo mostram recomendações de compra de Santander, Itaú, Safra, Citi, JPMorgan, UBS, XP, Bank of America e Bradesco. O BTG aparece com recomendação neutra.
No consenso acompanhado pelo Investing, são nove recomendações de compra, uma de manutenção e nenhuma de venda, com preço-alvo médio de aproximadamente R$ 9,08 para os próximos 12 meses.
Os preços-alvo individuais apresentados pela companhia variam de R$ 8,00 a R$ 10,50, mostrando que, mesmo antes da correção mais recente, diversas casas enxergavam espaço para recuperação.
Dividendos elevados exigem atenção
Outro ponto que pode enganar quem olha apenas os indicadores históricos é o dividend yield.
A Marcopolo realizou distribuições relevantes aos acionistas nos últimos períodos, incluindo pagamentos extraordinários. Portanto, um dividend yield passado elevado não significa que o mesmo percentual será repetido daqui para frente.
A queda da cotação também aumenta matematicamente o dividend yield projetado quando se mantém uma mesma estimativa de dividendo por ação.
Por isso, a análise de POMO4 deve considerar principalmente geração futura de caixa, lucros, margens e política de distribuição — e não apenas o rendimento histórico.
Queda de POMO4 virou oportunidade ou sinal de alerta?
O cenário da Marcopolo passou a reunir dois lados bastante claros.
De um lado estão a queda do lucro, pressão sobre margens e dúvidas sobre a velocidade de recuperação da demanda. Do outro, aparecem a posição competitiva da companhia, presença internacional, baixa alavancagem e um preço da ação muito inferior aos alvos estabelecidos pela maioria dos analistas.
A queda superior a 10% torna POMO4 mais barata, mas também demonstra que o mercado passou a exigir maior margem de segurança para assumir o risco de uma empresa cíclica.
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