A Raízen (RAIZ4) encerrou o quarto trimestre da safra 2025/26 com prejuízo de aproximadamente R$ 7,3 bilhões, resultado que reforçou as preocupações em torno da situação financeira da companhia. No mesmo período da safra anterior, a perda havia sido próxima de R$ 2,5 bilhões.
Além do prejuízo, a empresa apresentou queda de 11% na receita líquida, que passou de cerca de R$ 57,7 bilhões para R$ 51,3 bilhões. O recuo ocorreu em um cenário de menor volume processado, preços pressionados e custos elevados.
Dívida cresce quase 70% em um ano
O principal ponto de atenção está no endividamento. A dívida líquida avançou de aproximadamente R$ 34 bilhões para R$ 58 bilhões em 12 meses, crescimento próximo de 69%.
Com isso, a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado atingiu 5,2 vezes. O nível mostra que a capacidade operacional da companhia está bastante comprometida diante do tamanho de suas obrigações financeiras.
O aumento da dívida também elevou as despesas com juros. O resultado financeiro negativo chegou perto de R$ 4,7 bilhões no trimestre e acumulou aproximadamente R$ 12 bilhões na safra, consumindo parte relevante da geração operacional.
Operação perde força
O volume de cana-de-açúcar processado caiu cerca de 10% na comparação anual. Embora a redução não represente uma paralisação operacional, ela pressiona os custos fixos e reduz a eficiência das unidades industriais.
O Ebitda sem ajustes também apresentou forte deterioração, recuando de aproximadamente R$ 1,7 bilhão para perto de R$ 500 milhões no trimestre. No acumulado da safra, o indicador ficou muito abaixo do registrado no ciclo anterior.
Investimentos e dívida aumentaram o risco
Parte da crise atual está relacionada aos investimentos realizados nos últimos anos com forte utilização de capital de terceiros. Quando alguns projetos não entregaram a geração de caixa esperada, a empresa precisou ampliar sua captação para sustentar as operações e cumprir compromissos.
A combinação entre dívida elevada, menor produção, juros altos e preços desfavoráveis criou um ciclo de pressão financeira. Quanto maior o endividamento, maior a despesa com juros e menor a capacidade de investir ou distribuir recursos aos acionistas.
RAIZ4 segue como ação de alto risco
As ações da Raízen acumulam forte desvalorização desde a abertura de capital. A queda reflete não apenas o momento negativo do setor, mas também a deterioração dos resultados e o aumento da percepção de risco.
Para uma recuperação consistente, a companhia precisará reduzir a dívida, melhorar a geração de caixa e elevar a eficiência operacional. Até que esses sinais apareçam nos balanços, RAIZ4 permanece como um ativo de perfil especulativo e sujeito a elevada volatilidade.
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