A dúvida sobre vender ações da PRIO ganhou força entre investidores após a forte valorização recente do papel. Porém, os dados mais atualizados mostram que a tese da companhia segue em transformação — e com números relevantes que ajudam a entender o momento atual.
Produção dispara e muda o patamar da empresa
O principal motor da PRIO hoje é crescimento operacional.
- Produção atingiu 155,6 mil barris/dia em janeiro de 2026, alta de 36% em relação ao ano anterior
- Produção média de 2025 ficou em 106,4 mil barris/dia, recorde histórico
- Apenas no 4T25, houve crescimento de até 46% na produção anual
Além disso, a empresa segue com projeções de ultrapassar:
200 mil barris/dia até 2026
Esse avanço é resultado principalmente da consolidação do campo de Peregrino e novos projetos em desenvolvimento.
Receita cresce mesmo com petróleo mais fraco
Outro ponto relevante: a PRIO conseguiu crescer mesmo com queda no preço do petróleo.
- Receita no 4T25: US$ 642 milhões (+20% ano contra ano)
- Vendas: 10,6 milhões de barris no trimestre (+53% a/a)
- Preço médio do petróleo vendido: cerca de US$ 63 por barril
Isso reforça uma mudança importante:
A empresa está menos dependente do preço do petróleo e mais focada em escala e eficiência.
Custos caem novamente e reforçam a tese
O custo de extração (lifting cost), um dos principais indicadores do setor, voltou a cair:
| Indicador | Valor recente |
|---|---|
| Lifting cost 3T25 | US$ 17,4/barril |
| Lifting cost 4T25 | US$ 12,5/barril |
| Variação | queda de ~28% |
Apesar da alta anterior por causa da incorporação de Peregrino, a tendência agora é de redução, o que aumenta a margem operacional.
EBITDA cresce, mas lucro sofre impacto contábil
Os resultados recentes mostram um cenário misto:
- EBITDA 4T25: cerca de US$ 324 a 341 milhões
- Margem EBITDA: aproximadamente 55%
- Prejuízo contábil no trimestre: cerca de US$ 185 milhões
Importante destacar:
O prejuízo foi causado principalmente por fatores contábeis (depreciação e impostos), não por deterioração operacional.
O maior gatilho: dividendos e alocação de capital
Um dos pontos mais acompanhados agora pelo mercado é:
- Definição de política de dividendos
- Possibilidade de recompras de ações
- Forte geração de caixa com produção crescente
Com o petróleo ainda em patamar relevante e a produção aumentando, a empresa tende a gerar caixa suficiente para:
Distribuir dividendos relevantes ou continuar expandindo via aquisições
Dívida aumentou, mas cenário é controlado
A alavancagem subiu com as aquisições recentes, mas o cenário é considerado administrável:
- Aumento de dívida ligado à expansão
- Geração de caixa deve reduzir rapidamente esse indicador
- Produção maior tende a acelerar desalavancagem
Além disso, o mercado acompanha a relação dívida/EBITDA como principal indicador de risco.
O erro mais comum: vender só porque subiu
Um ponto reforçado por especialistas é o comportamento típico do investidor:
- Vende ativos que subiram
- Compra ativos que caíram sem análise
No caso da PRIO, os números mostram que:
A empresa de hoje é estruturalmente mais forte do que no passado
Ou seja, a valorização pode estar acompanhando fundamentos — e não apenas especulação.
PRIO3 vale a pena vender agora?
Com base nos dados mais recentes, o cenário é o seguinte:
Pontos positivos
- Produção em forte crescimento (+36% a/a)
- Receita crescente mesmo com petróleo mais baixo
- Redução relevante de custos
- EBITDA sólido
- Possível política de dividendos
Pontos de atenção
- Dependência do preço do petróleo
- Volatilidade no curto prazo
- Impactos contábeis no lucro
- Aumento temporário da dívida
Decisão exige olhar para o futuro, não para o preço atual
Os números mais atualizados mostram que a PRIO está em um ciclo de expansão relevante, com aumento de produção, melhora de eficiência e novos gatilhos no radar.
Vender apenas porque a ação subiu pode ser uma decisão precipitada — especialmente em um momento em que:
- A empresa está crescendo
- Os custos estão caindo
- E o fluxo de caixa tende a aumentar
Para o investidor, a análise mais importante deixa de ser “subiu ou caiu” e passa a ser:
a empresa está melhor do que antes?
E, pelos dados atuais, a resposta tende a ser sim.
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