A Natura &Co (NTCO3) chega em 2026 após um dos períodos mais transformadores de sua história recente. A companhia conseguiu reverter prejuízo, melhorar margens e reduzir dívida — mas ainda enfrenta um desafio crucial: voltar a crescer.
Com dados atualizados do balanço mais recente, a grande questão para investidores é direta: a Natura virou uma oportunidade ou ainda carrega riscos relevantes?
Resultados recentes: lucro volta, mas receita cai
Os números mais recentes do 4º trimestre de 2025 mostram um cenário misto:
| Indicador | Resultado 4T25 |
|---|---|
| Receita líquida | R$ 6,19 bilhões |
| Variação anual | -12,1% |
| Lucro líquido (reportado) | R$ 186 milhões |
| Lucro ajustado | até R$ 620 milhões |
| EBITDA recorrente | R$ 978 milhões |
A empresa conseguiu reverter um prejuízo de R$ 227 milhões registrado em 2024, voltando ao lucro
Por outro lado, a receita caiu mais de 12%, pressionada por:
- Desempenho fraco no Brasil
- Instabilidade operacional na Argentina
- Efeitos da integração da Avon
Margens e eficiência: o grande destaque
Se há um ponto que realmente chamou atenção no resultado, foi a melhora operacional.
- EBITDA cresceu 57,2% na comparação anual
- Margem EBITDA anual atingiu 14,6% em 2025
- Redução significativa de custos operacionais
Esse avanço está diretamente ligado à estratégia de simplificação da empresa, incluindo:
- Venda de operações internacionais
- Foco na América Latina
- Integração com a Avon
Dívida em queda e balanço mais forte
Outro fator positivo relevante é a melhora na saúde financeira:
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Dívida líquida | R$ 3,5 bilhões |
| Redução trimestral | -R$ 567 milhões |
| Alavancagem | entre 1,3x e 1,5x EBITDA |
A redução da dívida foi impulsionada pela geração de caixa e pela reorganização do grupo
Esse nível de alavancagem é considerado saudável e reduz riscos financeiros.
O que explica esse “paradoxo” nos resultados?
A Natura vive um momento típico de empresas em turnaround:
- Receita cai → devido à venda de ativos e ajustes operacionais
- Lucro sobe → por corte de custos e maior eficiência
Na prática, a empresa ficou:
- Mais enxuta
- Mais eficiente
- Mais focada
Mas ainda não comprovou crescimento sustentável.
Pontos positivos para investir em 2026
- Reversão de prejuízo para lucro
- Forte expansão de margens
- Redução consistente da dívida
- Conclusão da reestruturação
Pontos de atenção (riscos)
- Queda relevante na receita (-12%)
- Crescimento ainda fraco das vendas
- Dependência da recuperação da Avon
- Incertezas macroeconômicas (Brasil e Argentina)
Natura é uma boa opção em 2026?
A resposta mais equilibrada, com base nos dados atuais, é: uma oportunidade com risco moderado.
Cenário otimista:
Se a empresa conseguir transformar eficiência em crescimento, o mercado pode reprecificar a ação — especialmente após a forte queda acumulada nos últimos anos.
Cenário negativo:
Se a receita continuar pressionada, a melhora no lucro pode não ser sustentável.
Investir agora faz sentido?
A Natura entra em 2026 com fundamentos melhores, mas ainda incompletos.
O ponto decisivo será a retomada do crescimento de receita
Sem isso, a tese de investimento fica limitada à eficiência — e não à expansão.
Para investidores:
- Perfil arrojado: pode enxergar oportunidade no turnaround
- Perfil conservador: pode preferir esperar sinais claros de crescimento
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