As ações da Oi (OIBR3 e OIBR4) não deixaram de ser negociadas na B3, apesar de uma avalanche de manchetes que circularam nos últimos dias afirmando o “adeus definitivo” da companhia à bolsa de valores. O que ocorreu, na prática, foi uma mudança no regime de negociação, após o descumprimento da regra de preço mínimo de R$ 1 por ação, conforme o regulamento da B3.
Desde o pregão do dia 12 de janeiro, os papéis da Oi passaram a ser negociados exclusivamente por meio de leilão durante toda a sessão, e não mais pelo sistema de negociação contínua o formato tradicional do mercado à vista. Essa alteração, no entanto, não representa exclusão da bolsa, nem suspensão das negociações, como foi amplamente divulgado.
Falha de interpretação gera confusão no mercado
O ruído informacional teve origem em um comunicado oficial da B3, cujo texto foi interpretado de forma equivocada por parte da imprensa e de influenciadores do mercado. No aviso, a bolsa informa que as ações da Oi seriam “submetidas ao procedimento de leilão durante toda a sessão, com o fechamento dos negócios ao final do pregão”.
O termo “fechamento dos negócios”, no contexto técnico do leilão, refere-se apenas ao casamento das ordens de compra e venda ao final da sessão, e não ao encerramento definitivo da negociação das ações. A prova disso está na própria movimentação recente dos papéis, que seguem apresentando variação diária de preços.
Ações seguem sendo negociadas e com preço variando
Os dados de mercado confirmam que as ações continuam ativas:
- OIBR3 fechou a R$ 0,19 no dia 9 de janeiro
- Caiu para R$ 0,17 no dia 12
- E encerrou o pregão seguinte a R$ 0,16
Já OIBR4 também apresentou oscilações relevantes, saindo da faixa de R$ 1,84 para R$ 1,53 e depois R$ 1,23, evidenciando que as negociações seguem ocorrendo normalmente, ainda que dentro da modalidade de leilão.
Além disso, investidores relatam que ordens de compra e venda estão sendo executadas, inclusive por pessoas físicas, o que reforça que não houve exclusão dos papéis da bolsa.
O que muda com a negociação por leilão
No regime de leilão:
- As ordens são concentradas ao longo do pregão
- O preço é definido pelo equilíbrio entre oferta e demanda
- A liquidez tende a ser menor
- A volatilidade pode ser mais intensa
Esse modelo é aplicado justamente para ações que não atendem aos critérios mínimos de listagem, como o valor unitário inferior a R$ 1, mas não significa falência automática nem encerramento da negociação.
A própria B3 esclarece que o regime pode ser interrompido caso a ação volte a ser negociada acima de R$ 1, o que, até o momento, não ocorreu.
Recuperação judicial segue em andamento
Paralelamente às questões de mercado, a Oi continua em processo de recuperação judicial, que segue em tramitação no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Apesar do recesso do Judiciário, o processo apresenta movimentações administrativas, embora nenhuma decisão estrutural sobre o futuro da companhia tenha sido proferida recentemente.
Um dos episódios mais sensíveis envolve a subsidiária Serede, que recebeu autorização judicial para recontratar temporariamente profissionais de Recursos Humanos com o objetivo de viabilizar a demissão formal de cerca de 6 mil funcionários anunciada no fim de 2025.
A decisão, válida por 90 dias, reconhece que a empresa falida mantinha um quadro funcional expressivo e que o desligamento exige conhecimento técnico específico sobre sistemas internos, folhas de pagamento e obrigações trabalhistas. A medida evidencia falhas na condução inicial do processo de demissão em massa, gerando críticas e preocupação por parte de sindicatos e especialistas.
Desinformação pode gerar distorções graves
Especialistas alertam que a divulgação incorreta de que a Oi teria “saído da B3” pode provocar distorções relevantes no mercado, afastando investidores, criando pânico desnecessário e prejudicando a formação de preços.
Em um ambiente já sensível, como o de empresas em recuperação judicial, clareza na comunicação é fundamental. O episódio reforça a importância de checagem rigorosa das informações técnicas antes de sua disseminação, especialmente no mercado financeiro.
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