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Início » Últimas Notícias » Natura (NTCO3) vende operações e aposta no Brasil e América Latina para retomar o crescimento
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Natura (NTCO3) vende operações e aposta no Brasil e América Latina para retomar o crescimento

Após vender unidades na América Central e marcas internacionais, a Natura concentra esforços em Brasil e América Latina, reduz dívidas e prepara terreno para crescer novamente na Bolsa
André CarvalhoPor André Carvalho11 de novembro de 20254 minutos lidos
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NTCO3
NTCO3

A Natura (NTCO3) está passando por um dos processos mais importantes de reestruturação de sua história recente. Após anos de expansão global, a empresa decidiu concentrar suas operações no eixo Brasil–América Latina, vendendo unidades na América Central e desinvestindo de marcas internacionais para fortalecer o seu núcleo de negócios.

Com a venda de operações fora do continente e o foco em mercados onde possui maior reconhecimento e participação, a companhia busca aumentar a eficiência, reduzir despesas e fortalecer sua geração de caixa. Essa estratégia marca uma nova fase, mais enxuta e rentável, centrada nas marcas Natura e Avon, que mantêm forte presença no mercado de cosméticos e beleza.

Fortaleza da marca e presença consolidada no mercado

A Natura é uma das marcas mais reconhecidas e queridas do setor de beleza no Brasil e na América Latina. No país, sua participação de mercado é de cerca de 16,6%, enquanto na região latino-americana já chega a 11,3%, resultado de anos de expansão e fortalecimento da marca.

Entre os principais produtos estão fragrâncias, cuidados com a pele e cosméticos, que representam o núcleo de crescimento da companhia. A força da marca está na capilaridade e na fidelização de um público predominantemente feminino, que tem alto grau de confiança nos produtos e mantém relacionamento de longo prazo com a empresa.

Mesmo após a aquisição desafiadora da Avon, a Natura conseguiu preservar sua relevância, ajustando gradualmente o portfólio e reforçando sua presença em mercados-chave como Brasil, Argentina, Chile, Peru e Colômbia.

Modelo de vendas híbrido e foco no e-commerce

A venda direta segue sendo o principal canal de receita da Natura, com uma rede ampla de consultores independentes. Porém, a companhia vem ampliando investimentos em canais digitais, como e-commerce próprio e marketplaces parceiros, buscando diversificar as fontes de receita e atingir novos públicos.

Com uma estrutura mais leve e caixa reforçado pelas vendas de ativos, a empresa direciona recursos para melhorar sua logística e distribuição, duas áreas consideradas cruciais para aumentar margens e eficiência operacional. Além disso, há espaço para expansão por meio de parcerias estratégicas com grandes redes varejistas e farmácias, fortalecendo a presença dos produtos no ponto de venda físico.

Resultados financeiros e potencial de valorização

A redução da dívida tem sido um dos grandes avanços recentes da companhia. A alavancagem da Natura está próxima de 1,8x dívida líquida/EBITDA, patamar considerado saudável e que abre espaço para novas etapas de crescimento.
Apesar das margens ainda apertadas — abaixo de 10% —, a empresa demonstra capacidade de retomada e eficiência, com resultados mais consistentes no Brasil e melhora gradual na América Latina.

No mercado financeiro, as ações NTCO3 seguem sendo negociadas abaixo do valor patrimonial, o que indica desconto em relação ao potencial de valorização. Avaliações recentes apontam preço justo médio de R$ 14,80, o que representa upside superior a 50% frente aos níveis atuais de cotação. Essa assimetria reforça o interesse de investidores que buscam oportunidades táticas e de médio prazo.

Caminho de recuperação e nova fase de crescimento

Após um ciclo de desinvestimentos e ajustes operacionais, a Natura começa a dar sinais de recuperação estrutural. A combinação entre marcas fortes, redução de dívida, foco regional e avanços digitais coloca a companhia em posição favorável para um novo ciclo de valorização na Bolsa.

Com a estabilização dos juros e melhora gradual no consumo doméstico, o cenário tende a favorecer empresas de varejo e beleza com reconhecimento consolidado. A Natura, nesse contexto, se destaca como uma das ações mais promissoras do setor, com fundamentos sólidos e potencial de crescimento acima da média do mercado.

O momento, portanto, marca a transição de uma fase de sobrevivência para uma etapa de consolidação e expansão sustentável, em que a empresa retoma o protagonismo como uma das principais representantes da indústria brasileira de cosméticos no continente.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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