A MGLU3 divulgou resultados mistos no primeiro trimestre de 2026, mostrando que o cenário macroeconômico ainda segue bastante desafiador para o varejo brasileiro.
A companhia encerrou o período com prejuízo líquido ajustado de R$ 33,9 milhões, revertendo o lucro de R$ 11,2 milhões registrado no mesmo trimestre do ano anterior. No resultado contábil, incluindo efeitos não recorrentes, o prejuízo foi ainda maior: R$ 55,2 milhões.
O resultado veio abaixo das expectativas do mercado, principalmente devido ao impacto dos juros elevados sobre as despesas financeiras da empresa.
Mesmo assim, o balanço trouxe pontos positivos importantes, especialmente na geração de caixa, eficiência operacional e desempenho das lojas físicas.
Geração de caixa bilionária vira destaque do trimestre
Um dos principais pontos positivos do resultado da companhia foi a forte geração operacional de caixa.
Segundo dados divulgados pela empresa, o Magazine Luiza acumulou aproximadamente R$ 2 bilhões em geração de caixa operacional nos últimos 12 meses.
A melhora ocorreu principalmente devido ao controle mais rígido do capital de giro, eficiência operacional e foco em rentabilidade.
Com isso, a varejista encerrou o trimestre com posição total de caixa próxima de R$ 6,2 bilhões, reforçando sua capacidade de enfrentar o atual ambiente de juros elevados no Brasil.
Analistas avaliam que essa melhora no caixa reduz pressões financeiras de curto prazo e ajuda a companhia a atravessar um dos períodos mais difíceis para o setor varejista nos últimos anos.
Queda nas vendas continua sendo ponto de atenção
Apesar da melhora operacional, os números de vendas ainda preocupam investidores.
As vendas totais do Magazine Luiza somaram cerca de R$ 15,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, representando queda anual de 5,6%.
A desaceleração foi puxada principalmente pelo e-commerce e marketplace, que continuam sofrendo os impactos do crédito caro e da redução do consumo discricionário no Brasil.
Já a receita líquida consolidada da companhia ficou em R$ 9,2 bilhões, recuo de aproximadamente 2% na comparação anual.
O cenário mostra que o varejo ainda enfrenta dificuldades relevantes, especialmente em categorias dependentes de financiamento, como eletrônicos e eletrodomésticos.
Lojas físicas surpreendem e ganham espaço
Enquanto o ambiente digital segue pressionado, as lojas físicas apresentaram forte desempenho no trimestre.
As vendas presenciais cresceram cerca de 7% na comparação anual, superando expectativas do mercado.
Segundo a própria companhia, o canal físico continua ampliando participação de mercado e ganhando relevância dentro da estratégia omnichannel do grupo.
O Magazine Luiza encerrou o trimestre operando 1.245 lojas físicas espalhadas pelo Brasil.
Outro destaque foi a inauguração da nova Galeria Magalu em São Paulo, espaço de aproximadamente 4 mil metros quadrados que integra diferentes marcas e operações do grupo.
Margens melhoram mesmo com cenário difícil
Mesmo com pressão sobre receita e vendas, a companhia conseguiu melhorar indicadores de rentabilidade.
O lucro bruto ficou em aproximadamente R$ 2,83 bilhões, enquanto a margem bruta avançou para 30,8%, alta de 0,2 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado.
Já o EBITDA ajustado somou cerca de R$ 717,6 milhões, com margem EBITDA de 7,8%.
O resultado mostra que a empresa continua priorizando eficiência operacional e rentabilidade, mesmo sacrificando parte do crescimento das vendas.
MagaluPay e serviços financeiros seguem crescendo
Outro ponto importante do trimestre foi a expansão dos serviços financeiros da companhia.
O volume total processado pelo ecossistema financeiro do Magalu atingiu aproximadamente R$ 25,3 bilhões.
A operação foi sustentada por cerca de 5,6 milhões de cartões ativos, fortalecendo a estratégia da empresa de monetizar clientes além do varejo tradicional.
Especialistas avaliam que o crescimento do MagaluPay pode se tornar uma das principais alavancas de sustentação financeira da companhia nos próximos anos.
Veja os principais números da MGLU3 no 1T26
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Receita líquida | R$ 9,2 bilhões |
| Vendas totais | R$ 15,1 bilhões |
| Lucro bruto | R$ 2,83 bilhões |
| Margem bruta | 30,8% |
| EBITDA ajustado | R$ 717,6 milhões |
| Margem EBITDA | 7,8% |
| Prejuízo líquido ajustado | R$ 33,9 milhões |
| Prejuízo contábil | R$ 55,2 milhões |
| Caixa total | R$ 6,2 bilhões |
| TPV do MagaluPay | R$ 25,3 bilhões |
| Lojas físicas | 1.245 unidades |
O que esperar da MGLU3 daqui para frente?
O principal desafio da MGLU3 continua sendo equilibrar crescimento e rentabilidade em um ambiente de juros ainda elevados.
A Selic alta segue pressionando o consumo, aumentando inadimplência e reduzindo demanda por produtos financiados, principalmente no varejo eletrônico.
Por outro lado, a melhora operacional, o fortalecimento do caixa e o crescimento dos serviços financeiros mostram que a empresa segue ajustando sua estrutura para atravessar o atual ciclo econômico.
O mercado agora acompanha se a companhia conseguirá retomar crescimento de vendas sem comprometer as margens conquistadas nos últimos trimestres.
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