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Início » Últimas Notícias » MANA11 aumenta dividendos e negocia abaixo do valor patrimonial
Fundos Imobiliários

MANA11 aumenta dividendos e negocia abaixo do valor patrimonial

Venda antecipada de projeto imobiliário reforçou o resultado do fundo, que acumula dividend yield próximo de 14,7% e negocia abaixo do valor patrimonial
Carlos MenezesPor Carlos Menezes14 de julho de 20264 minutos lidos
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O fundo imobiliário MANA11 voltou a aumentar seus dividendos e anunciou o pagamento de 12,5 centavos por cota. O valor supera os 12 centavos distribuídos anteriormente e representa um avanço relevante para um fundo negociado próximo de R$ 9 por cota.

Antes do aumento, o MANA11 vinha pagando cerca de 11 centavos por cota. A elevação foi sustentada principalmente por um resultado extraordinário obtido com o desinvestimento de um projeto imobiliário localizado em Jundiaí.

Considerando a cotação aproximada de R$ 9,16, o pagamento de 12,5 centavos representa um retorno mensal próximo de 1,36%, sem considerar eventual valorização ou desvalorização da cota na Bolsa.

MANA11 aumenta dividendos após lucro extraordinário

O principal fator por trás da elevação dos dividendos foi a saída antecipada do projeto Grand Pulse Jundiaí. Segundo as informações apresentadas pela gestão, a operação entregou uma rentabilidade próxima de 58% ao ano.

O avanço das vendas permitiu que o fundo antecipasse o desinvestimento e reconhecesse um resultado extraordinário. O ganho acrescentou aproximadamente 16 centavos por cota ao resultado do MANA11.

Como esse valor não foi distribuído integralmente em um único mês, parte do lucro permaneceu acumulada. Essa reserva ajuda a explicar a sequência de aumentos nos dividendos, que passaram de 11 centavos para 12 centavos e, posteriormente, para 12,5 centavos por cota.

A expectativa indicada pela gestão para o segundo semestre permanece entre 10 e 12 centavos por cota. Entretanto, a existência de resultados acumulados pode permitir pagamentos pontualmente maiores.

Indicador do MANA11Valor aproximado
Cotação de mercadoR$ 9,16
Valor patrimonial por cotaR$ 9,36
P/VP0,98
Patrimônio líquidoR$ 351 milhões
Dividend yield em 12 meses14,50%
Último dividendo12,5 centavos por cota
Número de investidoresMais de 36 mil

Os dados mostram que o MANA11 negocia com um pequeno desconto em relação ao valor patrimonial. Com P/VP de 0,98, o mercado paga aproximadamente R$ 0,98 por cada R$ 1 contabilizado no patrimônio do fundo.

Resultado mensal chegou a aproximadamente R$ 10,7 milhões

No mês analisado, o MANA11 registrou receita total próxima de R$ 11 milhões. Desse valor, cerca de R$ 6 milhões vieram das operações de incorporação imobiliária.

As despesas ficaram próximas de R$ 303 mil, levando o fundo a registrar resultado líquido de aproximadamente R$ 10,7 milhões, equivalente a cerca de 28 centavos por cota.

Como a distribuição daquele período ficou em 12 centavos por cota, uma parcela considerável do resultado permaneceu retida para pagamentos posteriores.

Essa diferença oferece maior previsibilidade no curto prazo, mas não significa que os dividendos de 12,5 centavos serão mantidos permanentemente.

Como está distribuída a carteira do MANA11?

O MANA11 possui uma estratégia híbrida e investe em diferentes classes de ativos imobiliários. A maior parte do patrimônio está aplicada em Certificados de Recebíveis Imobiliários e operações de crédito estruturadas pela própria gestão.

Classe de ativosParticipação aproximada
CRIs e operações estruturadas66%
Incorporação imobiliária18%
Cotas de outros FIIs12%
Ações do setor imobiliário3%
Caixa3%

Nas operações de crédito, cerca de 52% da carteira está vinculada ao IPCA, enquanto o restante acompanha principalmente o CDI.

A gestão também procura reduzir concentrações. A maior operação individual de CRI representa menos de 5% do patrimônio do fundo, diminuindo o impacto de eventuais problemas com um único devedor.

Incorporações aumentam o potencial de retorno

As operações de incorporação representam aproximadamente 18% da carteira. Essa exposição permite que o MANA11 busque retornos superiores por meio do desenvolvimento e da venda de imóveis.

Alguns projetos apresentam percentuais de vendas superiores a 50%, mesmo com entregas previstas apenas para 2027 ou 2028. O fundo também possui exposição indireta a diferentes empreendimentos por meio de parcerias com incorporadoras.

Apesar do potencial de ganhos, a incorporação apresenta riscos maiores do que operações tradicionais de crédito. Entre os principais estão atrasos nas obras, aumento dos custos de construção, redução das vendas e mudanças no cenário econômico.

Dividendos de 12,5 centavos podem continuar?

A reserva acumulada com o projeto de Jundiaí aumenta a possibilidade de o MANA11 continuar distribuindo rendimentos próximos de 12 centavos por cota nos próximos meses.

No entanto, o pagamento de 12,5 centavos por cota foi favorecido por um ganho extraordinário. Por isso, o investidor não deve considerar esse rendimento como garantido ou permanente.

Novos desinvestimentos lucrativos podem gerar pagamentos maiores no futuro. Por outro lado, resultados mais fracos nas incorporações ou nas operações de crédito podem reduzir os dividendos.

Mesmo com esses riscos, o MANA11 chega ao segundo semestre com rendimentos crescentes, carteira diversificada e cotação abaixo do valor patrimonial. O desempenho recente pode aumentar a atenção dos investidores, mas a decisão deve considerar a qualidade dos ativos, os riscos de crédito e a sustentabilidade das distribuições.

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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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